Depois

Stephen King · Capítulo 1 de 72

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Depois

Dedicatória

Para Chris Lotts

 

Os amanhãs não são infinitos.

Michael Landon

Não gosto de começar pedindo desculpas — deve até haver uma regra contra isso, tipo nunca terminar uma frase com preposição —, mas, depois de ler as mais de trinta páginas que escrevi até agora, acho que preciso. É por causa de certa palavra que uso o tempo todo. Aprendi muitos palavrões com a minha mãe e os uso desde muito cedo (como vocês vão descobrir), mas essa palavra não é tão grande. A palavra é depois, tipo quando a gente diz “Depois eu descobri” e “Foi só depois que me dei conta”. Sei que é repetitiva, mas não tive escolha, porque minha história começa quando eu ainda acreditava em Papai Noel e Fada do Dente (se bem que, mesmo aos seis anos, eu já tinha minhas dúvidas). Tenho vinte e dois anos agora, o que torna isso o depois, né? Acho que, quando eu estiver com mais de quarenta, sempre supondo que chegarei até lá, vou olhar para o que eu achei que entendia aos vinte e dois e perceber que tinha muita coisa que eu não entendia. Sempre tem um depois, agora sei disso. Pelo menos até morrermos. Aí, acho que tudo passa a ser antes disso.

Meu nome é Jamie Conklin, e uma vez eu desenhei um peru de Ação de Graças que achei que ficou do caralho. Depois, não muito depois, descobri que estava mais para feio pra caralho. Às vezes a verdade é uma merda mesmo.

Acho que essa história é de terror. Dá uma olhada.