Depois
Capítulo 51
Quando cheguei em casa, minha mãe estava fazendo salmão do jeito que gostamos, enrolado em toalhas de papel molhadas, no micro-ondas. Não parece possível que uma coisa tão simples seja tão gostosa, mas é.
— Bem na hora — disse ela. — Tem uma salada Caesar de saquinho na geladeira. Você pode servir pra mim?
— Posso. — Peguei a embalagem na geladeira, no refrigerador, e abri.
— Não esquece de lavar. O saco diz que é pré-lavado, mas não confio nisso. Use o escorredor de macarrão.
Peguei o escorredor, joguei a alface dentro e usei o borrifador.
— Eu fui até o nosso antigo prédio — falei. Eu não estava olhando para ela, estava concentrado no trabalho.
— Achei mesmo que iria. Ele estava lá?
— Estava. Eu perguntei por que a filha nunca vinha visitá-lo nem veio ao enterro. — Fechei a torneira. — Ela está em uma instituição pra doentes mentais, mãe. Ele disse que ela vai ficar lá pelo resto da vida. Ela matou o próprio bebê e depois tentou se matar.
Minha mãe estava se preparando para botar o salmão no micro-ondas, mas acabou o colocando na bancada e se sentou em um dos bancos.
— Ah, meu Deus. Mona me disse que ela era assistente em um laboratório de biologia na Caltech. Ela pareceu tão orgulhosa.
— O prof. Burkett disse que ela está cata alguma coisa.
— Catatônica.
— É. Isso aí…
Minha mãe estava olhando para nosso futuro jantar, a carne rosada do salmão aparecendo sob a cobertura das toalhas de papel. Ela pareceu estar pensando profundamente. De repente, a linha vertical entre as sobrancelhas sumiu.
— Então agora nós sabemos uma coisa que não devíamos saber. Está feito e não pode ser desfeito. Todo mundo tem segredos, Jamie. Você vai descobrir isso sozinho com o tempo.
Graças a Liz e Kenneth Therriault, eu já tinha descoberto, e também descobri o segredo da minha mãe.
Depois.