Depois
Capítulo 48
Não sei se o velho amigo do professor morreu ou não. Só sei que o professor morreu. Ele teve um ataque cardíaco no voo e estava morto no assento quando o avião pousou. Ele tinha outro velho amigo que era seu advogado, um dos destinatários do e-mail final do professor, e foi ele que recebeu a ligação. Ele assumiu a responsabilidade pelo envio do corpo, mas foi minha mãe que assumiu tudo depois. Ela fechou a agência e fez os preparativos do funeral. Fiquei orgulhoso dela por isso. Ela chorou e ficou triste porque tinha perdido um amigo. Eu fiquei tão triste quanto ela porque o amigo dela tinha virado meu amigo. Sem Liz, ele era meu único amigo adulto.
O funeral foi na igreja presbiteriana na Park Avenue, no mesmo lugar onde tinha sido o de Mona Burkett sete anos antes. Minha mãe ficou furiosa porque a filha, a que morava na Costa Oeste, não compareceu. Depois, só por curiosidade, abri o último e-mail do professor e vi que ela não foi uma das destinatárias. As únicas três mulheres que o receberam foram minha mãe, a sra. Richards (uma senhora de quem ele era amigo, do quarto andar do Palácio na Park) e Dolores Magowan, a mulher que a sra. Burkett previu erroneamente que o marido viúvo convidaria para sair para almoçar.
Procurei o professor na cerimônia da igreja, achando que, se a esposa dele tinha ido na dela, ele poderia ir na dele. Ele não estava lá, mas, desta vez, nós também fomos ao cemitério e eu o vi sentado em uma lápide a menos de dez metros das pessoas, perto o suficiente para ouvir o que estava sendo dito. Durante a oração, levantei a mão e acenei discretamente. Só um movimento dos dedos, mas ele viu e sorriu e acenou de volta. Ele era uma pessoa morta comum, não um monstro como Kenneth Therriault, e eu comecei a chorar.
Minha mãe passou o braço nos meus ombros.