O Queijo e os Vermes

Carlo Ginzburg · Capítulo 14 de 62

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O Queijo e os Vermes

12. Os livros

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Infelizmente não temos a lista completa de seus livros. No momento da prisão, o vigário-geral mandou que revistassem sua casa. Foram encontrados alguns volumes, mas não eram livros suspeitos ou proibidos e, portanto, não foram inventariados. Podemos reconstruir, com certa aproximação, um quadro parcial das leituras de Menocchio, considerando apenas as referências que fez ao assunto durante os interrogatórios. Os livros mencionados no primeiro processo são os seguintes:

 

1. a Bíblia em língua vulgar, “a maior parte em letras

vermelhas” (trata-se de uma edição não identi cada);

2. Il Fioretto della Bibbia (tradução de uma crônica medieval

catalã que misturava fontes diversas, entre as quais, além da

Vulgata, naturalmente, o Chronicon , de Isidoro, o Elucidarium ,

de Honório d’Autun, e um respeitável número de Evangelhos

apócrifos; essa obra, que teve grande circulação manuscrita

entre os séculos XIV e XV , possui cerca de vinte edições

conhecidas, com vários títulos — Fioretto della Bibbia , Fiore di

tutta la Bibbia , Fiore novello —, reimpressos até meados do

século XVI );

3. Il Lucidario (ou Rosario? ) della Madonna (que pode ser

identi cado com o Rosario della gloriosa Vergine Maria , do

dominicano Alberto da Castello, também reimpresso muitas

vezes no decorrer do século XVI );

4. Il Lucendario (sic , por Legendario ) de santi (tradução da

bastante difundida Legenda aurea , de Jacopo da Varagine,

organizada por Niccolò Malermi, com o título Legendario delle

vite de tutti li sant i );

5. Historia del Giudicio (trata-se de um poeminha anônimo do

século XV , em oitavas, que circulava em muitas versões, de