O Queijo e os Vermes
12. Os livros
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Infelizmente não temos a lista completa de seus livros. No momento da prisão, o vigário-geral mandou que revistassem sua casa. Foram encontrados alguns volumes, mas não eram livros suspeitos ou proibidos e, portanto, não foram inventariados. Podemos reconstruir, com certa aproximação, um quadro parcial das leituras de Menocchio, considerando apenas as referências que fez ao assunto durante os interrogatórios. Os livros mencionados no primeiro processo são os seguintes:
1. a Bíblia em língua vulgar, “a maior parte em letras
vermelhas” (trata-se de uma edição não identi cada);
2. Il Fioretto della Bibbia (tradução de uma crônica medieval
catalã que misturava fontes diversas, entre as quais, além da
Vulgata, naturalmente, o Chronicon , de Isidoro, o Elucidarium ,
de Honório d’Autun, e um respeitável número de Evangelhos
apócrifos; essa obra, que teve grande circulação manuscrita
entre os séculos XIV e XV , possui cerca de vinte edições
conhecidas, com vários títulos — Fioretto della Bibbia , Fiore di
tutta la Bibbia , Fiore novello —, reimpressos até meados do
século XVI );
3. Il Lucidario (ou Rosario? ) della Madonna (que pode ser
identi cado com o Rosario della gloriosa Vergine Maria , do
dominicano Alberto da Castello, também reimpresso muitas
vezes no decorrer do século XVI );
4. Il Lucendario (sic , por Legendario ) de santi (tradução da
bastante difundida Legenda aurea , de Jacopo da Varagine,
organizada por Niccolò Malermi, com o título Legendario delle
vite de tutti li sant i );
5. Historia del Giudicio (trata-se de um poeminha anônimo do
século XV , em oitavas, que circulava em muitas versões, de