O Queijo e os Vermes
4. “Possesso?”
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Durante o inquérito preliminar, diante das estranhas opiniões referidas pelas testemunhas, o vigário-geral perguntara primeiramente se Menocchio estava falando “sério” ou “brincando”; em seguida, se era são de mente. Em ambos os casos a resposta foi muito clara: Menocchio estava falando “sério” e “dentro de sua razão [...] não estava louco”. Depois de já iniciado o interrogatório, um dos lhos de Menocchio, Ziannuto, por sugestão de alguns amigos do pai (Sebastiano Sebenico e um não identi cado Lunardo), espalhou pela cidade o boato de que o pai era “louco” ou “possesso”. Mas o vigário não lhe deu atenção e o processo continuou. Pensou-se em liquidar as opiniões de Menocchio, em especial sua cosmogonia, fazendo-as passar por um amontoado de extravagâncias ímpias porém inócuas (o queijo, o leite, os vermes-anjos, o Deus-anjo criado do caos), mas tal ideia foi abandonada. Cem, 150 anos depois, Menocchio provavelmente teria sido trancado num hospício, e o diagnóstico teria sido “tomado por delírio religioso”. Todavia, em plena Contrarreforma, as modalidades de exclusão eram outras — prevaleciam a identi cação e a repressão da heresia.