O Queijo e os Vermes
14. Folhas impressas e “opiniões fantásticas”
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O fato de que mais da metade dos livros citados por Menocchio tivessem sido emprestados também deve ser levado em conta na análise dessa lista. Na verdade, só para o Fioretto della Bibbia podemos postular, com certeza, a existência de uma autêntica escolha, que o levou a comprar esse livro entre os tantos outros amontoados no depósito ou na banca de um ignoto livreiro veneziano. É signi cativo que o Fioretto tenha sido para ele uma espécie de livre de chevet (livro de cabeceira). Ao contrário, havia sido o acaso que zera o padre Andrea Bionima topar com o volume de Mandavilla entre os “documentos notariais” de Maniago. A indiscriminada fome de leituras, mais do que um interesse especí co, foi o que levou o livro para as mãos de Menocchio. Isso provavelmente vale para todos os livros a ele emprestados. A lista que reconstruímos re ete, acima de tudo, os livros que Menocchio teve à sua disposição — não, decerto, um quadro de predileções e escolhas conscientes.