Para Entender O Capital: Livros II e III
VI. As Visões de Marx sobre o Sistema de Crédito
VI. As Visões de Marx sobre o Sistema de
Crédito
(Capítulos 27-37 do Livro III)
Após o capítulo 28, há uma rápida deterioração da qualidade do texto de
Marx acerca do papel do crédito em relação ao capital. Como observei anteriormente, foi a partir do capítulo 30 que Engels diz ter encontrado “a verdadeira dificuldade”:
A partir desse ponto era não só o material ilustrativo que
precisava ser corrigido, mas também a linha de pensamento continuamente interrompida por digressões, desvios etc., e depois retomada em outros lugares, muitas vezes de passagem. A isso seguia-se, no manuscrito, uma longa seção intitulada “A confusão”, que consistia simplesmente de excertos dos relatórios parlamentares sobre as crises de 1848 e 1857, nos quais se reuniam, com a adição ocasional de breves comentários humorísticos, as declarações de 23 negociantes e escritores econômicos, em particular sobre os temas do dinheiro e do capital, da evasão de ouro, da especulação excessiva etc.
Após várias tentativas, Engels desistiu de reconstruir as visões de Marx
sobre “a confusão” e concentrou seus esforços simplesmente em reproduzir as anotações, embora enfatizando as críticas ocasionais.
Não recomendo uma tentativa de analisar detalhadamente os capítulos 30
a 35 numa primeira leitura. Mas é preciso enfrentar o desafio de tentar entender o que é “a confusão”. Marx está sugerindo que o pensamento burguês é confuso e o dele não? Se é isso, ele fez um péssimo trabalho ao esclarecer essas questões. Ou ele quer dizer que as contradições do mundo do dinheiro creditício são tão profundas que produzem confusões danosas e crises por toda parte? Pelo que conhecemos de Marx, é provável que ele tenha pretendido dizer as duas coisas. Alguns comentários sobre isso são certamente necessários. Assim, devo apresentar minha visão geral sobre aquilo que me parece estar em questão, antes de investigar cada capítulo e comentar as passagens mais relevantes. Devo deixar claro que faço isso sem qualquer pretensão de estabelecer uma leitura definitiva, para não dizer correta.