Viagem Solitária
Capítulo 18
O HOMEM GRÁVIDO
Estes percorreres por aí à balda,
nestes saudosos antigos eus.
Qual deles deixei no meio da estrada
e em que sombra,
me perseguem até onde sou?
(Do poem a “Corte em Mim ”, do autor).
No dom ingo de Páscoa, todos acordaram cedo para aproveitar a m anhã, e eu sugeri irm os ao Parque da Cidade de Niterói, onde a m oçada salta de parapente. A vista é m agnífica e é de onde se vê m elhor a “m ordida” que o Pão de Açúcar tem no seu contorno. O lugar é tranquilo, e sentam os num a das duas ram pas existentes.
Am adeus estava m aravilhado:
— Sinto-m e pequeno diante de tanta beleza. Foi m uito boa a sua ideia desse encontro. Obrigado, João. Boa e útil! Mas em que, realm ente, podem os aj udar você no seu livro? Além das nossas histórias, o que sei é que o Obam a, o presidente dos Estados Unidos, contratou um a transexual que virou m ulher, para um cargo de confiança. E teve um antes, contratado em 2008, com o nós, nascido m ulher, com o conselheiro da Câm ara dos Representantes. Esse foi o prim eiro transexual a ocupar um cargo federal no país. A m oçada, finalm ente, com eçou a nos dar crédito.
Darcy com pletou:
— E tem a novidade da França, em 2010, e da Suécia, em 2011, que tiraram o transexualism o do código de doenças m entais, assim com o j á fizeram com o hom o alguns anos atrás. Essa é um a grande conquista! Som os “norm ais” ou, pelo m enos, deixam os de ser loucos para os franceses e suecos......
Davi lem brou o decreto assinado pelo presidente Lula, em 2009, reestruturando a Secretaria Especial dos Direitos Hum anos da Presidência da República e criando a Coordenação Geral de Prom oção dos Direitos de Lésbicas, Gay s, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT):
— Com bate à hom ofobia, à bifobia e à transfobia. Espero que a cam panha internacional Stop Trans Pathologization (STP 2012), que está em fase de reform ulação, sej a logo aprovada. E agora em 2011, o Suprem o Tribunal Federal reconheceu os direitos civis dos hom oeróticos. Um dia chega a nossa vez.
Em alguns estados, por m eio de decretos ou portarias, j á se podem utilizar “nom es sociais” antes do nom e de registro. Perm ite que transexuais e travestis os utilizem para atendim ento hospitalar, preenchim ento de cadastros e até m esm o em algum as escolas e faculdades. Esses decretos foram criados para uso em órgãos da adm inistração pública direta ou indireta, m as j á soube de pessoas que, m esm o em locais particulares, conseguem , com certo tato, ser cham adas pelos seus nom es sociais. Acho particularm ente que funciona com o band-aid – tapa, m as não resolve.
E com plem entei:
— Em j unho de 2011, o CRP autorizou os trans e os travestis a usarem o nom e social na carteira de identidade profissional do psicólogo, m as no cam po observação, o que pode com plicar ainda m ais a situação da pessoa. É um avanço j urídico, sem dúvida, porém a sociedade continua nos discrim inando e nem a Lei Anti-hom ofobia foi aprovada no Congresso. Estigm as não podem ser revogados. Não se m udam hábitos e crenças m ediante decretos. Para m im , chegou um pouco tarde.
Eu estava m ais interessado em conhecer a opinião deles sobre a últim a bom ba em relação aos trans: “o hom em grávido”. Am adeus disse que nunca tinha ouvido falar e pediu detalhes.
Contei que j á há vários casos pelo m undo, m as o prim eiro foi Thom as Beatie, um FtM am ericano. Em 2008, ele declarou para um a revista que “querer ter um filho biológico não é um desej o fem inino ou m asculino, é um desej o hum ano”. Até aquele m om ento, ele só tinha feito a retirada das m am as e a horm onioterapia. Casou-se legalm ente com um a m ulher m ais velha, que j á tinha duas filhas casadas, e eles desej aram ter um filho. Ela tinha ficado estéril. Resolveram , então, que ele engravidaria, j á que ainda tinha útero.
Com eçou o processo de tornar-se um “hom em grávido”. Parou de tom ar a testosterona e voltou a ovular naturalm ente, não sendo necessário o uso de qualquer droga para aum entar a fertilidade. As filhas dela foram as únicas que apoiaram a loucura. Os m édicos se recusaram a tratá-lo com o hom em ou a reconhecer Nancy com o sua esposa. Finalm ente, conseguiram acesso a um banco de esperm a e fizeram um a insem inação caseira, com um a seringa.
Quando engravidou pela prim eira vez, o em brião se fixou fora da cavidade uterina, a cham ada gravidez ectópica. Eram trigêm eos. Ele perdeu os em briões e um a de suas trom pas. Durante a gestação, ele não duvidou em nenhum m om ento de sua identidade m asculina. Era com o se fosse um “pai de aluguel”. Tudo isso, sem cortar a barba.
Um a segunda tentativa deu certo. E nasceu Susan, que foi am am entada por Nancy, à força de horm ônios e bom ba aspirante, que estim ularam a lactação.
Em sum a, Thom as j á pariu dois, está grávido do terceiro, e a história vai até virar film e!
— Que coisa doida! – com entou Am adeus. — Cá para nós, é m uita vontade de ter filhos biológicos! Esses, na realidade, não tiveram o m esm o problem a que eu. Acho que são pessoas que não sabem quem são nem o que querem . Vivem de experiências novas, buscando provar não sei o quê e nem para quem . O m eu dom é a paternidade em função do que sou. Eles, afinal, são o quê? Pai ou m ãe?
Depois de um instante, acrescentou:
— Jam ais faria isso, pois a m aternidade é a m aior prova da fem inilidade. Sou e sem pre fui hom em . A m inha luta foi para sair da prisão do corpo, j am ais voltaria a ela.
Darcy j á sabia da notícia:
— E esse não é o prim eiro caso. Há oito anos, houve um casal de transexuais, com o nós, que viveu um a experiência parecida, em San Francisco, o local m ais avançado dos Estados Unidos. Esses agora foram em Oregon. Por isso foram tão rechaçados. Alguns ainda pretendem , depois do parto, continuar as cirurgias até o fim . Mas nem todo trans quer necessariam ente se operar.
Darcy com entou que, para ele, o caso m ais estranho foi o de dois trans que viraram hom ens, continuaram j untos, e um deles engravidou:
— São os trans-hom o? Aí fundi a cuca! E os filhos, com o ficam ? – prosseguiu. — Até posso respeitar a decisão deles. Mas não m e vej o num a situação dessas, por m ais que sej a um ato de am or. Não consigo im aginar um hom em dando à luz! É tão intim am ente associado à m aternidade! Com o falou Am adeus, acho o m áxim o da fem inilidade.
E Darcy m anifestou o que, possivelm ente, é o estranham ento de grande parte das pessoas:
— Talvez o que m ais m e pareça estranho é querer trazer a público a experiência. Porque algum as pessoas j á tinham feito isso de form a discreta, privada. Não é por vergonha, m as por envolver terceiros e, sobretudo, um a criança que nem nasceu ainda.
Davi j á tinha lido na internet e não entendeu m uito bem a história.
— Acho que teria pouco a dizer. Já estou cansado desses assuntos. Não tenho m ais a m enor vontade de discutir, brigar, defender, levantar bandeiras. Só quero ficar quieto aqui no m eu canto, fazer as m inhas viagens e j ogar m eus j oguinhos na internet. Parabéns pela coragem de rem exer no vespeiro, j á não estou m ais nessa. Desej o m uito sucesso! E você, João, j á tem posição form ada?
— Quando li a notícia, o prim eiro im pacto foi de surpresa, e achei o cara m uito coraj oso. Jam ais engravidaria, m as fiquei feliz em saber que os trans j ovens estão assum indo seus desej os, ousando m ais na desconstrução do gênero, sem se sentirem am eaçados na sua identidade sexual. Mas por que chegar a esse ponto de engravidar? Dar um retorno no físico, voltando a ter horm ônios fem ininos para o tratam ento de fertilização, só para ter um filho biológico? Acho m ais fácil e útil à sociedade adotar. Ainda m ais quando j á se tem filhos da parceira. E tem m ais: por que eles ainda m antinham os órgãos sexuais internos? Será que tom avam inibidores de estrogênio, com o tive de fazer, para poderem depois aplicar a testosterona e terem barba, pelos e m ais m úsculos?
E continuei, depois de m e assegurar de que ninguém m ais nos ouvia:
— Joguei m eu útero e m eus ovários no lixo hospitalar, com m uito prazer. Senti um grande alívio ao acabar com a m enstruação. Quanto ao fato de terem parado as operações, é plenam ente com preensível. Eles m esm os explicam que as cirurgias são caras, e os resultados, precários. Acho a gravidez depauperante fisicam ente. No futuro, prevej o que serão m áquinas que exercerão essa função, tudo m onitorado para não dar nada errado.
— Lem bro-m e de um a am iga grávida, com barriga de nove m eses, que foi m e visitar no sítio onde eu m orava, em Jacarepaguá, logo depois da m inha cirurgia. Estávam os em pleno verão. Era um a m ulher grande. Estava toda inchada e verm elha. Andava que nem um robô, balançando de um lado para o outro, segurando a barriga. Desabou na cadeira da varanda: “Depois ainda dizem que isso é norm al!”, desabafou.
Resolvi buscar m eu notebook no carro para com entar as respostas que recebi aos e-m ails em que perguntei a várias pessoas o que achavam da notícia do hom em grávido: psicanalistas, psicólogos, sexólogos. A m aioria disse que, sinceram ente, não estava em condições de dar um parecer. Mas achei um texto interessante do Contardo Calligaris, na Folha de S.Paulo, de 2008. Girei o laptop para m ostrar a m eus am igos:
... Há m ais ou m enos 250 anos, quer a gente goste ou não, entram os na era da condicionalidade. Com o assim ? Pois é, com eçou com os casam entos, que duram “à condição” de que dure o am or. Continuou com as leis, que são respeitadas “à condição” de que elas nos pareçam j ustas. [...] “Sob condição de que m eu foro íntim o aprove e que, ao obedecer, eu não m e desrespeite.” Sou hom em ou m ulher à condição de m e sentir intim am ente hom em ou m ulher. Sou filho à condição de que o pai e a m ãe se com portem de m aneira que eu os reconheça com o pai e m ãe. Falando nisso, nada prova que Thom as não possa ser um bom pai para Susan. Ou um a boa m ãe. Ou os dois.
Os únicos que retornaram m eus e-m ails eram transgêneros, um a cross-dresser psicanalista e duas trans MtF (Male to Female). Não sei se vocês j á ouviram falar do gênero cross-dresser. Ela era hom em , nunca se operou, é casada com um a m ulher e é socialm ente m ulher. Das duas trans, um a era atriz e a outra oficial de Marinha, agora afastada e reform ada por causa do preconceito. Esta últim a j á tinha um filho biológico de cinco anos com a esposa e estava na Tailândia recuperando-se da cirurgia para se tornar m ulher.
Para a psicanalista, o hom em grávido era apenas m ais um capítulo na lenta e penosa desconstrução do conceito de gêneros, onde só existe o binário m asculino e fem inino: “Todo o m undo nasce nu, o resto é drag”. Adorei essa frase. Dizia que em breve iria ser avó ou avô, ou am bas as coisas, ou nenhum a delas. “Sinto-m e confortável, desem penhando qualquer papel que estej a a fim de representar. Só não posso parir, o resto é m ero aprendizado social.” Cita Sim one de Beauvoir: “Ninguém nasce m ulher – aprende a ser”. E com plem entou: “Pois é: aprende-se a ser hom em , tam bém . Ou a não ser nem um a coisa, nem outra. Minha ‘oficina’ atual”.
Seu nom e é Letícia Lanz. Fiquei fascinado com a sua total desconstrução de valores, inclusive na m inha cabeça. Foi por ela que tom ei conhecim ento de algum as teorias, com o a queer, que surgiu nos anos 1980, nos Estados Unidos. Essa nova postura questiona as diferenças de gênero baseadas no sexo biológico, heterossexual, ou m esm o nas práticas hom o e transexuais. Acredita na m ultiplicidade de corpos sexopolíticos que se sobrepõe aos rótulos de norm al e anorm al. São transidentidades: hom ens sem pênis, gays lésbicos, cross-dresser, drags (queen e king), trans-gays, etc. A orientação sexual seria um a criação da sociedade, e não algo natural, inclusive a heterossexual. Quando nos referim os ao papel do hom em ou da m ulher, estam os falando de “gênero” ou papéis de gênero, e não de sexo. Há inúm eras form as de transversalidades de gênero.
Li um artigo enviado por um a am iga, de Beatriz Preciado, que dizia: “A sexopolítica é um a das form as dom inantes da ação biopolítica no capitalism o contem porâneo”. Com isso, no universo do sexo – os órgãos cham ados “sexuais”, as práticas sexuais e tam bém os códigos de m asculinidade e de fem inilidade, as identidades sexuais norm ais e desviadas –, todos esses conceitos são parte dos cálculos do poder, fazendo dos discursos sobre o sexo e das tecnologias de norm alização das identidades sexuais um agente de controle sobre a vida.
“As políticas da m ultidão queer se opõem tanto às instituições políticas tradicionais, que se apresentam com o soberanas e universalm ente representativas, com o às epistem ologias sexopolíticas heterocentradas, que dom inam ainda a produção da ciência.”
Minha cabeça, a princípio, deu um nó, m as farej ei tam bém que era m ais um a alternativa na desconstrução do im pério norm ativo sexual.
Resolvi transcrever aqui o depoim ento da trans Bianca, a ex-oficial de Marinha, depois, é claro, de pedir-lhe autorização. Ali, na ram pa do Parque da Cidade, li em voz alta:
Meu filho tem cinco anos e sete m eses. Convive com igo num a boa. Me cham a de pai e papai em casa e de tia Bianca quando saím os.
Isso ele aprendeu sozinho, depois de um pequeno traum a num a praia, em que ele disse pro garotinho da barraca do lado que eu era pai dele. O garotinho, com m ais idade que ele, riu m uito e gritou para a praia inteira ouvir “aquela m ulher é o pai dele”. Ele voltou cabisbaixo para m im , e fom os em bora. Dali em diante, ele aprendeu que não deveria m ais m e cham ar de pai na rua e, por iniciativa própria, com eçou a m e cham ar de Bianca.
Quando saím os um a segunda vez para o superm ercado, ele m e pediu que com prasse Tic-Tac, aquelas balinhas de m enta que vêm num a caixinha. Eu lhe disse que não ia com prar porque j á tinha outra em casa. Ele sabia que não tinha e foi na caixa pedir que ela colocasse na sacola. A m oça disse que era para ele pedir para a m ãe dele, eu, no caso. Daí ele falou: “ela não é m inha m ãe...”. Houve um silêncio, as pessoas na fila com eçaram a prestar atenção. Ele olhou para m im , e eu lhe perguntei: “o que eu sou sua?”. Ele respondeu, piscando um dos olhos para m im : “ela é m inha am iga”. Foi aí que eu descobri que o episódio da praia tinha lhe ensinado que a sociedade não via com bons olhos o pai diferente dele. Saím os rindo m uito do superm ercado.
Ele é acom panhado por um a psicóloga, m as hoj e em dia é m ais para constar, porque ele é m uito esperto e sabe de tudo.
A m ãe dele, em 2008, com receio de que m inha m udança pudesse influenciar na form ação de sua personalidade, m e processou, num a tentativa de restringir m eu contato e m inha convivência com ele. Na petição, nitidam ente preconceituosa e discrim inatória, ela colocava várias regras para eu o ver, com o visitas acom panhadas de psicólogos j udiciais, visitação a cada quinze dias com duração de três horas e acom panhada de psicólogos e que, sobretudo, eu não fosse “travestido” de m ulher quando o visse.
Na prim eira audiência, m eu advogado am eaçou instaurar um boletim de ocorrência contra o advogado dela e ainda levar a polícia ao Fórum . Com isso, eles recuaram , e foi estabelecido um acordo com relação ao convívio com m eu filho, com visitação norm al.
Hoj e, m otivada pelo bem -estar do m eu filho, nos respeitam os e convivem os com cordialidade, para que ele cresça num am biente fam iliar saudável. Convivem os naturalm ente com o pai e filho. Ele sabe que sou diferente, por isso não posso ir à escola dele (com o pai). Ele sabe que nas festinhas eu não posso ir tam bém . Na sua últim a festinha de aniversário, ele até m e cham ou e disse que iria dizer aos am iguinhos que eu era sua tia.
Vam os à praia, vam os ao shopping, a teatrinhos, cinem as, parquinhos, tudo o que um a criança com um faz. Houve ocasiões em que ele encontrou am iguinhos da escola e ele disse que eu era sua tia, e tudo bem , ninguém percebeu nada. Portanto... Vivem os salutarm ente com o pai e filho, num a boa, sem traum as, pelo m enos por enquanto. Acredito que quanto m enos idade os filhos têm , m ais naturalm ente ocorre o processo de transição.
O que não sei ainda é se vam os ter alguns traum as e problem as futuros, decorrentes disso. Mas estou, ou estam os, fazendo tudinho conform e as orientações dos psicólogos, m eu e dele. E de acordo com os nossos corações, de tal form a que tudo flua o m ais natural possível e que ele aprenda a respeitar e conviver com as diferenças, ou nem m esm o ligue para elas.
Maitê, a atriz, foi m ais sucinta:
“Tenho m edo do que foi criado nessa sociedade para m anter as algem as e grilhões que nos im põem , retardando m esm o a descoberta do que som os de verdade. Acredito num m undo sem gêneros e sem fronteiras, com o form a de acabar com estes sofrim entos”.
— Continuo achando o hom em grávido um a aberração – concluiu o evangélico.
Percebi então que, em bora fôssem os todos trans, éram os bem diferentes.
Já não tínham os m uito tem po. Precisávam os alm oçar, porque teriam de estar às três da tarde na rodoviária. Foi um a despedida carinhosa e um pouco m elancólica, sabíam os que levaria bastante tem po para nos verm os de novo.
Com as m ãos no volante, dirigindo-m e para casa, fiquei pensando: o encontro tinha sido ótim o. Pude conhecer m elhor com o pensavam e viviam pessoas parecidas com igo. E tam bém perceber m elhor nossas diferenças.
Todos nós buscam os um a coerência entre sexo e gênero, apoiados num padrão heterossexual. Sabia que tínham os tentado encontrar um m odelo de m aior aceitação pelo sofrim ento do não enquadram ento. Mas isso não tinha conseguido m e fazer um a pessoa conservadora. Apenas havíam os desenvolvido um a dos m ilhares de orientações sexuais que poderíam os buscar, assim com o tam bém poderíam os ter optado por ser um trans-hom o que am asse outro trans.
O que tínham os de igual era que as m ulheres nos atraíam e nunca nos sentim os um a delas.
As cirurgias e os horm ônios tinham m e aberto m ais, perm itindo-m e conservar valores aprendidos no m undo das m ulheres. Tornara-m e um hom em fem inino, sem ser efem inado. Felizm ente, a testosterona não havia m e dado a agressividade exacerbada. A m inha virilidade, contraditoriam ente, passou a servir, tam bém , com o um instrum ento, para que agora pudesse com bater o m undo heterocentrado, patriarcal, no qual os poderes dom inantes im pedem os vários potenciais de vida. Havia descoberto que há várias m asculinidades diferentes e que são constituídas tam bém pelas tecnologias da cultura dom inante.
Fazia questão de continuar dócil e afetivo.