A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo

Deus

 

divindade; nenhuma das nossas ações lhe podemos subtrair ao olhar; o

nosso pensamento está em contato ininterrupto com o seu pensamento,

havendo, pois, razão para dizer-se que deus vê os mais profundos refolhos

do nosso coração. Estamos nele, como Ele está em nós, segundo a palavra do

cristo (1 João, 4:13).

para estender a sua solicitude a todas as criaturas, não precisa deus

lançar o olhar do Alto da imensidade. As nossas preces, para que ele as

ouça, não precisam transpor o espaço, nem ser ditas com voz retumbante,

pois que, estando sempre ao nosso lado, os nossos pensamentos repercu-

tem nele. os nossos pensamentos são como os sons de um sino, que fazem

vibrar todas as moléculas do ar ambiente.

25. longe de nós a ideia de materializar a divindade. A imagem de

um fluido inteligente universal evidentemente não passa de uma compa-

ração apropriada a dar de deus uma ideia mais exata do que os quadros

que o apresentam debaixo de uma figura humana. essa imagem se destina

a fazer compreensível a possibilidade que tem deus de estar em toda parte

e de se ocupar com todas as coisas.

26. temos constantemente sob as vistas um exemplo que nos per-

mite fazer ideia do modo por que talvez se exerça a ação de deus sobre

as partes mais íntimas de todos os seres e, conseguintemente, do modo

por que lhe chegam as mais sutis impressões de nossa alma. esse exemplo

tiramo-lo de certa instrução que a tal respeito deu um espírito.

27. “o homem é um pequeno mundo, que tem como diretor o

espírito e como dirigido o corpo. nesse universo, o corpo representará

uma criação cujo espírito seria deus. (compreendei bem que aqui há

uma simples questão de analogia e não de identidade.) os membros desse

corpo, os diferentes órgãos que o compõem, os músculos, os nervos, as

articulações são outras tantas individualidades materiais, se assim se pode

dizer, localizadas em pontos especiais do corpo. se bem seja considerável

o número de suas partes constitutivas, de natureza tão variada e diferente,

a ninguém é lícito supor que se possam produzir movimentos, ou uma

impressão em qualquer lugar, sem que o espírito tenha consciência do

que ocorra. Há sensações diversas em muitos lugares simultaneamente?

o espírito as sente todas, distingue, analisa, assinala a cada uma a causa

determinante e o ponto em que se produziu, tudo por meio do fluido

perispirítico.

 

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Capítulo II

 

“Análogo fenômeno ocorre entre deus e a criação. deus está em

toda parte, na natureza, como o espírito está em toda parte, no corpo.

todos os elementos da criação se acham em relação constante com ele,

como todas as células do corpo humano se acham em contato imediato

com o ser espiritual. não há, pois, razão para que fenômenos da mesma

ordem não se produzam de maneira idêntica, num e noutro caso.

“um membro se agita: o espírito o sente; uma criatura pensa: deus

o sabe. todos os membros estão em movimento, os diferentes órgãos estão

a vibrar; o espírito se ressente de todas as manifestações, as distingue e

localiza. As diferentes criações, as diferentes criaturas se agitam, pensam,

agem diversamente: deus sabe o que se passa e assina a cada um o que lhe

diz respeito.

“daí se pode igualmente deduzir a solidariedade da matéria e da

inteligência, a solidariedade entre si de todos os seres de um mundo, a

de todos os mundos e, por fim, de todas as criações com o criador.”

( Quinemant, Sociedade de Paris, 1867.)

28. compreendemos o efeito: já é muito. do efeito remontamos

à causa e julgamos da sua grandeza pela grandeza do efeito. escapa-nos,

porém, a sua essência íntima, como a da causa de uma imensidade de

fenômenos. conhecemos os efeitos da eletricidade, do calor, da luz, da

gravitação; calculamo-los e, entretanto, ignoramos a natureza íntima do

princípio que os produz.18 será então racional neguemos o princípio divi-

no, porque não o compreendemos?

29. nada obsta a que se admita, para o princípio da soberana inte-

ligência, um centro de ação, um foco principal a irradiar incessantemen-

te, inundando o universo com seus eflúvios, como o sol com a sua luz.

mas onde esse foco? é o que ninguém pode dizer. provavelmente, não se

acha fixado em determinado ponto, como não o está a sua ação, sendo

também provável que percorra constantemente as regiões do espaço sem-

-fim. se simples espíritos têm o dom da ubiquidade, em deus há de ser

sem limites essa faculdade. enchendo deus o universo, poder-se-ia ainda

admitir, a título de hipótese, que esse foco não precisa transportar-se, por

se formar em todas as partes onde a soberana vontade julga conveniente

que ele se produza, donde o poder dizer-se que está em toda parte e em

parte nenhuma.

18 N.E.: Os efeitos citados são objeto de estudo há tempos, e hoje já são bem mais compreendidos.

 

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