A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo

Uranografia geral

 

26. o número e o estado dos satélites de cada planeta têm va-

riado de acordo com as condições especiais em que eles se forma-

ram. Alguns não deram origem a nenhum astro secundário, como se

verifica com mercúrio, vênus e marte,40 ao passo que outros, como

a terra, Júpiter, saturno etc., formaram um ou vários desses astros

secundários.

27. Além de seus satélites ou luas, o planeta saturno apresenta

o fenômeno especial do anel que, visto de longe, parece cercá-lo de

uma como auréola branca. essa formação é para nós uma nova prova

da universalidade das leis naturais. esse anel é, com efeito, o resul-

tado de uma separação que se operou no equador de saturno, ainda

nos tempos primitivos, do mesmo modo que uma zona equatorial se

escapou da terra para formar o seu satélite. A diferença consiste em

que o anel de saturno se formou, em todas as suas partes, de molécu-

las homogêneas, provavelmente já em certo estado de condensação,

e pode, dessa maneira, continuar o seu movimento de rotação no

mesmo sentido e em tempo quase igual ao do que anima o planeta. se

um dos pontos desse anel houvesse ficado mais denso do que outro,

uma ou muitas aglomerações de substância se teriam subitamente

operado e saturno contaria muitos satélites a mais. desde a época da

sua formação, esse anel se solidificou, do mesmo modo que os outros

corpos planetários.

 

4.5 bilhões de anos, durante a formação da Terra, um objeto do tamanho de Marte colidiu com a Terra,

essa violenta colisão lançou material, pedaços de rocha líquida, para a órbita da Terra; a Lua teria se

formado, então, a partir da condensação do material expelido por essa colisão, tendo ficado aprisio-

nada pelo campo gravitacional da Terra.

A Lua leva o mesmo tempo (27,3 dias terrestres) para girar ao redor de seu eixo e para orbitar em

volta da Terra; assim, a mesma face (o lado visível) está sempre voltada para a Terra. A quantidade da

superfície que podemos ver — a fase da Lua — depende de que fração do lado visível está recebendo

a luz do Sol.

Allan Kardec em suas palavras já demonstrou a necessidade da observação direta da Lua para con-

firmação de seus dados. Em 1959, a sonda soviética Luna 3 esteve na órbita da Lua, enviando men-

sagens do lado oculto, encerrando as especulações de que o campo gravitacional lunar seria mais

intenso naquela face, tornando possível a existência de atmosfera e vida. Há uma dissimetria entre o

lado oculto e o lado visível, uma vez que a crosta na face oculta atinge 100 quilômetros de espessura,

enquanto na face visível só atinge um máximo de sessenta quilômetros.

40 N.E.: Em 1877, foram descobertos dois satélites de Marte: Fobos e Deimos.

 

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Capítulo VI

 

Os cometas

 

28. Astros errantes, ainda mais do que os planetas que conser-

varam a denominação etimológica, os cometas serão os guias que nos

ajudarão a transpor os limites do sistema a que pertence a terra e nos

levarão às regiões longínquas da extensão sideral.

mas, antes de explorarmos os domínios celestes, com o auxílio

desses viajantes do universo, bom será demos a conhecer, tanto quanto

possível, a natureza intrínseca deles e o papel que lhes cabe na economia

planetária.

29. Alguns hão visto, nesses astros dotados de cabeleira,41 mun-

dos nascentes, a elaborarem, no primitivo caos em que se acham, as

condições de vida e de existência, que tocam em partilha às terras habi-

tadas; outros imaginaram que esses corpos extraordinários eram mun-

dos em estado de destruição e, para muitos, a singular aparência que

têm foi motivo de apreciações errôneas acerca da natureza deles, isso a

tal ponto que não houve, inclusive na astrologia judiciária, quem não os

considerasse como pressagiadores de desgraças, enviados, por desígnios

providenciais, à terra, espantada e tremente.

30. A lei de variedade se aplica em tão larga escala nos trabalhos

da natureza, que admira hajam os naturalistas, os astrônomos e os fi-

lósofos fabricado tantos sistemas para assimilar os cometas aos astros

planetários e para somente verem neles astros em graus mais ou menos

adiantados de desenvolvimento ou de caducidade. entretanto, os qua-

dros da natureza deveriam bastar amplamente para afastar o observador

da preocupação de perquirir relações inexistentes e deixar aos cometas

o papel modesto, porém, útil, de astros errantes, que servem de desbra-

vadores dos impérios solares. porque, os corpos celestes de que tratamos

são coisa muito diversa dos corpos planetários; não têm por destinação,

como estes, servir de habitação a humanidades. eles vão sucessivamente

de sóis em sóis, enriquecendo-se, às vezes, pelo caminho, de fragmentos

planetários reduzidos ao estado de vapor, buscar, nos seus centros, os

princípios vivificantes e renovadores que derramam sobre os mundos

terrestres. (cap. iX, item 12.)

 

41 N.E.: Nuvem luminosa de gás e poeira, de aparência tênue e brumosa, que envolve o núcleo de um

astro; coma.

 

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