A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo
Os fluidos
perdas fluídicas que sofre todos os dias pela irradiação do pensamento,
como recupera, por meio dos alimentos, as perdas do corpo material. é
que, com efeito, o pensamento é uma emissão que ocasiona perda real
de fluidos espirituais e, conseguintemente, de fluidos materiais, de ma-
neira tal que o homem precisa retemperar-se com os eflúvios que recebe
do exterior.
Quando se diz que um médico opera a cura de um doente, por
meio de boas palavras, enuncia-se uma verdade absoluta, pois que um
pensamento bondoso traz consigo fluidos reparadores que atuam sobre
o físico, tanto quanto sobre o moral.
21. dir-se-á que se podem evitar os homens sabidamente mal-
-intencionados. é fora de dúvida; mas, como fugiremos à influência
dos maus espíritos que pululam em torno de nós e por toda parte se
insinuam, sem serem vistos?
o meio é muito simples, porque depende da vontade do homem,
que traz consigo o necessário preservativo. os fluidos se combinam pela
semelhança de suas naturezas; os dessemelhantes se repelem; há incom-
patibilidade entre os bons e os maus fluidos, como entre o óleo e a água.
Que se faz quando está viciado o ar? procede-se ao seu saneamento,
cuida-se de depurá-lo, destruindo o foco dos miasmas, expelindo os eflú-
vios malsãos, por meio de mais fortes correntes de ar salubre. À invasão,
pois, dos maus fluidos, cumpre se oponham os fluidos bons e, como cada
um tem no seu próprio perispírito uma fonte fluídica permanente, todos
trazem consigo o remédio aplicável. trata-se apenas de purificar essa fon-
te e de lhe dar qualidades tais, que se constitua para as más influências
um repulsor, em vez de ser uma força atrativa. o perispírito, portanto, é
uma couraça a que se deve dar a melhor têmpera possível. ora, como as
suas qualidades guardam relação com as da alma, importa se trabalhe por
melhorá-la, pois que são as imperfeições da alma que atraem os espíritos
maus.
As moscas são atraídas pelos focos de corrupção; destruídos esses
focos, elas desaparecerão. os maus espíritos, igualmente, vão para onde
o mal os atrai; eliminado o mal, eles se afastarão. Os Espíritos realmente
bons, encarnados ou desencarnados, nada têm que temer da influência dos
maus.
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Capítulo XIV
II. Explicação de alguns fenômenos
considerados sobrenaturais
Vista espiritual ou psíquica. Dupla
vista. Sonambulismo. Sonhos
22. o perispírito é o traço de união entre a vida corpórea e a vida
espiritual. é por seu intermédio que o espírito encarnado se acha em
relação contínua com os desencarnados; é, em suma, por seu intermédio,
que se operam no homem fenômenos especiais, cuja causa fundamen-
tal não se encontra na matéria tangível e que, por essa razão, parecem
sobrenaturais.
é nas propriedades e nas irradiações do fluido perispirítico que se
tem de procurar a causa da dupla vista, ou vista espiritual, a que também
se pode chamar vista psíquica, da qual muitas pessoas são dotadas, fre-
quentemente a seu mau grado, assim como da vista sonambúlica.
o perispírito é o órgão sensitivo do espírito, por meio do qual este
percebe coisas espirituais que escapam aos sentidos corpóreos. pelos ór-
gãos do corpo, a visão, a audição e as diversas sensações são localizadas e
limitadas à percepção das coisas materiais; pelo sentido espiritual, ou psí-
quico, elas se generalizam: o espírito vê, ouve e sente, por todo o seu ser,
tudo o que se encontra na esfera de irradiação do seu fluido perispirítico.
no homem, tais fenômenos constituem a manifestação da vida es-
piritual; é a alma a atuar fora do organismo. na dupla vista ou percepção
pelo sentido psíquico, ele não vê com os olhos do corpo, embora, muitas
vezes, por hábito, dirija o olhar para o ponto que lhe chama a atenção. vê
com os olhos da alma e a prova está em que vê perfeitamente bem com os
olhos fechados e vê o que está muito além do alcance do raio visual. lê o
pensamento figurado no raio fluídico (item 15).148
23. embora, durante a vida, o espírito se encontre preso ao corpo
pelo perispírito, não se lhe acha tão escravizado, que não possa alongar
a cadeia que o prende e transportar-se a um ponto distante, quer sobre a
terra, quer do espaço. repugna ao espírito estar ligado ao corpo, porque
148 Nota de Allan Kardec: Fatos de dupla vista e lucidez sonambúlica relatados na Revista espírita: janeiro
de 1858; novembro de 1858; julho de 1861; novembro de 1865.
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