A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo
Caracteres dos milagres
que dele haviam saído, porque, como os outros, também tais efeitos se
acham sujeitos a leis. se for expulso da espiritualidade, o maravilhoso já
não terá razão de ser e só então se poderá dizer que passou o tempo dos
milagres. (cap. i, item 18.)
O Espiritismo não faz milagres
4. o espiritismo, pois, vem, a seu turno, fazer o que cada ciência
fez no seu advento: revelar novas leis e explicar, conseguintemente, os
fenômenos compreendidos na alçada dessas leis.
esses fenômenos, é certo, se prendem à existência dos espíritos e à
intervenção deles no mundo material e isso é, dizem, o em que consiste o
sobrenatural. mas, então, fora mister se provasse que os espíritos e suas
manifestações são contrárias às leis da natureza; que aí não há, nem pode
haver, a ação de uma dessas leis.
o espírito mais não é do que a alma sobrevivente ao corpo; é o
ser principal, pois que não morre, ao passo que o corpo é simples aces-
sório sujeito à destruição. sua existência, portanto, é tão natural depois,
como durante a encarnação; está submetido às leis que regem o princípio
espiritual, como o corpo o está às que regem o princípio material; mas
como estes dois princípios têm necessária afinidade, como reagem inces-
santemente um sobre o outro, como da ação simultânea deles resultam
o movimento e a harmonia do conjunto, segue-se que a espiritualidade
e a materialidade são duas partes de um mesmo todo, tão natural uma
quanto a outra, não sendo, pois, a primeira uma exceção, uma anomalia
na ordem das coisas.
5. durante a sua encarnação, o espírito atua sobre a matéria por
intermédio do seu corpo fluídico ou perispírito, dando-se o mesmo
quando ele não está encarnado. como espírito e na medida de suas ca-
pacidades, faz o que fazia como homem; apenas, por já não ter o corpo
carnal para instrumento, serve-se, quando necessário, dos órgãos mate-
riais de um encarnado, que vem a ser o a que se chama médium. procede
então como um que, não podendo escrever por si mesmo, se vale de um
secretário, ou que, não sabendo uma língua, recorre a um intérprete. o
secretário e o intérprete são os médiuns de um encarnado, do mesmo
modo que o médium é o secretário ou o intérprete de um espírito.
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Capítulo XIII
6. Já não sendo o mesmo que no estado de encarnação o meio
em que atuam os espíritos e os modos por que atuam, diferentes são os
efeitos, que parecem sobrenaturais unicamente porque se produzem com
o auxílio de agentes que não são os de que nos servimos. desde, porém,
que esses agentes estão na natureza e as manifestações se dão em virtude
de certas leis, nada há de sobrenatural, ou de maravilhoso. Antes de se
conhecerem as propriedades da eletricidade, os fenômenos elétricos pas-
savam por prodígios para certa gente; desde que se tornou conhecida a
causa, desapareceu o maravilhoso. o mesmo ocorre com os fenômenos
espíritas, que não são mais aberrantes das leis naturais do que os fenôme-
nos elétricos, acústicos, luminosos e outros, que serviram de fundamento
a uma imensidade de crenças supersticiosas.
7. entretanto, dir-se-á, admitis que um espírito pode levantar uma
mesa e mantê-la no espaço sem ponto de apoio; não está aí uma derroga-
ção da lei da gravidade? — sim, da lei conhecida. conhecem-se, porém,
todas as leis? Antes que se houvesse experimentado a força ascensional
de alguns gases, quem diria que uma pesada máquina, transportando
muitos homens, poderia triunfar da força de atração? Ao vulgo, isso não
pareceria maravilhoso, diabólico? Aquele que se houvera proposto, há
um século, a transmitir uma mensagem a 500 léguas e receber a resposta
dentro de alguns minutos, teria passado por louco; se o fizesse, teriam
acreditado estar o diabo às suas ordens, porquanto, então, só o diabo
era capaz de andar tão depressa. Hoje, no entanto, não só se reconhece
possível o fato, como ele parece naturalíssimo. por que, pois, um fluido
desconhecido careceria da propriedade de contrabalançar, em dadas cir-
cunstâncias, o efeito da gravidade, como o hidrogênio contrabalança o
peso do balão? é, efetivamente, o que sucede, no caso de que se trata.
(O livro dos médiuns, 2a parte, cap. iv.)
8. uma vez que estão no quadro dos da natureza, os fenômenos es-
píritas se hão produzido em todos os tempos; mas, precisamente, porque
não podiam ser estudados pelos meios materiais de que dispõe a ciência
vulgar, permaneceram muito mais tempo do que outros no domínio do
sobrenatural, donde o espiritismo agora os tira.
baseado em aparências inexplicadas, o sobrenatural deixa livre
curso à imaginação que, a vagar pelo desconhecido, gera as crenças
supersticiosas. uma explicação racional, fundada nas leis da natureza,
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