A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo

Os milagres do Evangelho

 

fornece à ciência meio de alcançar êxito onde até hoje quase sempre vê

malogrados seus esforços, pela razão de não atender à primordial causa do

mal. (O livro dos médiuns, 2a parte, cap. XXiii.)

36. os fariseus diziam que por influência dos demônios é que Jesus

expulsava os demônios; segundo eles, o bem que Jesus fazia era obra de

satanás; não refletiam que, se satanás expulsasse a si mesmo, praticaria

rematada insensatez. é de notar-se que os fariseus daquele tempo já pre-

tendessem que toda faculdade transcendente e, por esse motivo, reputada

sobrenatural, era obra do demônio, pois que, na opinião deles, era do de-

mônio que Jesus recebia o poder de que dispunha. é esse mais um ponto

de semelhança daquela com a época atual e tal doutrina é ainda a que a

igreja procura fazer que prevaleça hoje, contra as manifestações espíritas.170

 

Ressurreições

 

A filha de Jairo

 

37. tendo Jesus passado novamente, de barca, para a outra margem, logo que

desembarcou, grande multidão se lhe apinhou ao derredor. então, um chefe de

sinagoga, chamado Jairo veio ao seu encontro e, ao aproximar-se dele, se lhe

lançou aos pés, — a suplicar com grande instância, dizendo: “tenho uma filha

que está no momento extremo; vem impor-lhe as mãos para a curar e lhe salvar

a vida.”

 

Jesus foi com ele, acompanhado de grande multidão, que o comprimia.

 

Quando Jairo ainda falava, vieram pessoas que lhe eram subordinadas e lhe disse-

ram: “tua filha está morta; por que hás de dar ao mestre o incômodo de ir mais

 

170 Nota de Allan Kardec: Nem todos os teólogos, porém, adotam opiniões tão absolutas sobre a dou-

trina demoníaca. Aqui está uma cujo valor o clero não pode contestar, emitida por um eclesiástico,

Monsenhor Freyssinous, bispo de Hermópolis, na seguinte passagem das suas Conferências sobre

a religião, tomo 2o, p. 341 (Paris, 1825):

“Se Jesus operasse seus milagres pelo poder do demônio, este houvera trabalhado pela destrui-

ção do seu império e teria empregado contra si próprio o seu poder. Certamente, um demônio

que procurasse destruir o reinado do vício para implantar o da virtude, seria um demônio muito

singular. Eis por que Jesus, para repelir a absurda acusação dos judeus, lhes dizia: “Se opero prodí-

gios em nome do demônio, o demônio está dividido consigo mesmo, trabalha, conseguintemen-

te, por se destruir a si próprio!” Resposta que não admite réplica.

É precisamente o argumento que os espíritas opõem aos que atribuem ao demônio os bons

conselhos que os Espíritos lhes dão. O demônio agiria então como um ladrão profissional que

restituísse tudo o que houvesse roubado e exortasse os outros ladrões a se tornarem pessoas

honestas.

 

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Capítulo XV

 

longe?” — Jesus, porém, ouvindo isso, disse ao chefe da sinagoga: “não te aflijas,

crê apenas.” — e a ninguém permitiu que o acompanhasse, senão a pedro,

tiago e João, irmão de tiago.

 

chegando à casa do chefe da sinagoga, viu ele uma aglomeração confusa de

pessoas que choravam e soltavam grandes gritos. — entrando, disse-lhes ele:

“por que fazeis tanto alarido e por que chorais? Esta menina não está morta, está

apenas adormecida.” — zombavam dele. tendo feito que toda a gente saísse,

chamou o pai e mãe da menina e os que tinham vindo em sua companhia e

entrou no lugar onde a menina se achava deitada. — tomou-lhe a mão e disse:

“Talitha cumi”, isto é: “minha filha, levanta-te, eu to ordeno.” — no mesmo

instante a menina se levantou e se pôs a andar, pois contava doze anos, e fica-

ram todos maravilhados e espantados. (Marcos, 5:21 a 43.)

 

O filho da viúva de Naim

 

38. no dia seguinte, dirigiu-se Jesus para uma cidade chamada naim; acom-

panhavam-no seus discípulos e grande multidão. — Quando estava perto da

porta da cidade, aconteceu que levavam a sepultar um morto, que era filho

único de sua mãe e essa mulher era viúva; estava com ela grande número de

pessoas da cidade. — tendo-a visto, o senhor se tomou de compaixão para

com ela e lhe disse: “não chores.” — depois, aproximando-se, tocou o esquife

e os que o conduziam pararam. então, disse ele: “mancebo, levanta-te, eu o

ordeno.” — imediatamente, o moço se sentou e começou a falar. e Jesus o

restituiu à sua mãe.

 

todos os que estavam presentes ficaram tomados de espanto e glorificavam

a deus, dizendo: “um grande profeta surgiu entre nós e deus visitou o seu

povo.” — o rumor desse milagre que ele fizera se espalhou por toda a Judeia e

por todas as regiões circunvizinhas. (Lucas, 7:11 a 17.)

 

39. contrário seria às leis da natureza e, portanto, milagroso, o

fato de voltar à vida corpórea um indivíduo que se achasse realmente

morto. ora, não há mister se recorra a essa ordem de fatos, para ter-se a

explicação das ressurreições que Jesus operou.

se, mesmo na atualidade, as aparências enganam por vezes os pro-

fissionais, quão mais frequentes não haviam de ser os acidentes daquela

natureza, num país onde nenhuma precaução se tomava contra eles e

 

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