A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo
Caracteres dos milagres
resultem, porém, ou não esses fenômenos de um ato da vontade,
a causa primária é exatamente a mesma e não se afasta uma linha das
leis naturais. os médiuns, portanto, nada absolutamente produzem de
sobrenatural; por conseguinte, nenhum milagre fazem. As próprias curas
instantâneas não são mais milagrosas, do que os outros efeitos, dado que
resultam da ação de um agente fluídico, que desempenha o papel de
agente terapêutico, suas propriedades não deixam de ser naturais por
terem sido ignoradas até agora. é, pois, totalmente impróprio o epíte-
to de taumaturgos que a crítica ignorante dos princípios do espiritismo
há dado a certos médiuns. A qualificação de milagres emprestada, por
comparação, a esta espécie de fenômenos, somente pode induzir em erro
sobre o verdadeiro caráter deles.
13. A intervenção de inteligências ocultas nos fenômenos espíritas
não os torna mais milagrosos do que todos os outros fenômenos devidos
a agentes invisíveis, porque esses seres ocultos que povoam os espaços são
uma das forças da natureza, força cuja ação é incessante sobre o mundo
material, tanto quanto sobre o mundo moral.
esclarecendo-nos acerca dessa força, o espiritismo faculta a eluci-
dação de uma imensidade de coisas inexplicadas e inexplicáveis por qual-
quer outro meio e que, por isso, passaram por prodígios nos tempos idos.
do mesmo modo que o magnetismo, ele revela uma lei, senão desconhe-
cida, pelo menos mal compreendida; ou, melhor dizendo, conheciam-se
os efeitos, porque eles em todos os tempos se produziram, porém não
se conhecia a lei e foi o desconhecimento desta que gerou a superstição.
conhecida essa lei, desaparece o maravilhoso e os fenômenos entram na
ordem das coisas naturais. eis por que tanto operam um milagre os es-
píritas quando fazem que uma mesa se mova sozinha, ou que os mortos
escrevam, como um milagre opera o médico, quando faz que um mori-
bundo reviva, ou o físico, quando faz que o raio caia. Aquele que preten-
desse, com o auxílio desta ciência, fazer milagres seria ou um ignorante
do assunto, ou um enganador de tolos.
14. pois que o espiritismo repudia toda pretensão às coisas mira-
culosas, haverá, fora dele, milagres, na acepção usual desta palavra?
digamos, primeiramente, que, dos fatos reputados milagrosos,
ocorridos antes do advento do espiritismo e que ainda no presente ocor-
rem, a maior parte, senão todos, encontram explicação nas novas leis
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Capítulo XIII
que ele veio revelar. esses fatos, portanto, se compreendem, embora sob
outro nome, na ordem dos fenômenos espíritas e, como tais, nada têm de
sobrenatural. fique, porém, bem entendido que nos referimos aos fatos
autênticos e não aos que, com a denominação de milagres, são produ-
to de uma indigna trampolinice, com o fito de explorar a credulidade.
tampouco nos referimos a certos fatos lendários que podem ter tido, ori-
ginariamente, um fundo de verdade, mas que a superstição ampliou até
o absurdo. sobre esses fatos é que o espiritismo projeta luz, fornecendo
meios de apartar do erro a verdade.
Faz Deus milagres?
15. Quanto aos milagres propriamente ditos, deus, visto que
nada lhe é impossível, pode fazê-los. mas fá-los? ou, por outras pala-
vras; derroga as leis que dele próprio emanaram? não cabe ao homem
prejulgar os atos da divindade, nem os subordinar à fraqueza do seu
entendimento. contudo, em face das coisas divinas, temos, para crité-
rio do nosso juízo, os atributos mesmos de deus. Ao poder soberano
reúne ele a soberana sabedoria, donde se deve concluir que não faz coisa
alguma inútil.
por que, então, faria milagres? para atestar o seu poder, dizem. mas
o poder de deus não se manifesta de maneira muito mais imponente
pelo grandioso conjunto das obras da criação, pela sábia previdência que
essa criação revela, assim nas partes mais gigantescas, como nas mínimas,
e pela harmonia das leis que regem o mecanismo do universo, do que
por algumas pequeninas e pueris derrogações que todos os prestímanos
sabem imitar? Que se diria de um sábio mecânico que, para provar a sua
habilidade, desmantelasse um relógio construído pelas suas mãos, obra-
-prima de ciência, a fim de mostrar que pode desmanchar o que fizera?
seu saber, ao contrário, não ressalta muito mais da regularidade e da
precisão do movimento da sua obra?
não é, pois, da alçada do espiritismo a questão dos milagres; mas,
ponderando que deus não faz coisas inúteis, emite a seguinte opinião:
Não sendo necessários os milagres para a glorificação de Deus, nada no uni-
verso se produz fora do âmbito das leis gerais. Deus não faz milagres, porque,
sendo, como são, perfeitas as suas leis, não lhe é necessário derrogá-las. se há
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