A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo

Os milagres do Evangelho

 

como correntes aéreas, atravessam o espaço, muito menos surpreendi-

dos ficaríamos diante de certos efeitos que a ignorância atribui ao acaso.

(cap. Xiv, itens 15, 22 e seguintes.)

 

Curas

 

Perda de sangue

 

10. então, uma mulher, que havia doze anos sofria de uma hemorragia — que

sofrera muito nas mãos dos médicos e que, tendo gasto todos os seus haveres,

nenhum alívio conseguira — como ouvisse falar de Jesus, veio com a multidão

atrás dele e lhe tocou as vestes, porquanto, dizia: “se eu conseguir ao menos

lhe tocar nas vestes, ficarei curada.” — no mesmo instante o fluxo sanguíneo

lhe cessou e ela sentiu em seu corpo que estava curada daquela enfermidade.

 

logo, Jesus, conhecendo em si mesmo a virtude que dele saíra, se voltou no meio

da multidão e disse: “Quem me tocou as vestes?” — seus discípulos lhe dis-

seram: “vês que a multidão te aperta de todos os lados e perguntas quem te

tocou?” — ele olhava em torno de si à procura daquela que o tocara.

 

A mulher, que sabia o que se passara em si, tomada de medo e pavor, veio

lançar-se-lhe aos pés e lhe declarou toda a verdade. — disse-lhe Jesus: “mi-

nha filha, tua fé te salvou; vai em paz e fica curada da tua enfermidade.”

(Marcos, 5:25 a 34.)

 

11. estas palavras: conhecendo em si mesmo a virtude que dele saíra,

são significativas. exprimem o movimento fluídico que se operara de

Jesus para a doente; ambos experimentaram a ação que acabara de pro-

duzir-se. é de notar-se que o efeito não foi provocado por nenhum ato

da vontade de Jesus; não houve magnetização, nem imposição das mãos.

bastou a irradiação fluídica normal para realizar a cura.

mas por que essa irradiação se dirigiu para aquela mulher e não

para outras pessoas, uma vez que Jesus não pensava nela e tinha a cercá-lo

a multidão?

é bem simples a razão. considerado como matéria terapêutica,

o fluido tem que atingir a matéria orgânica, a fim de repará-la; pode

então ser dirigido sobre o mal pela vontade do curador, ou atraído

pelo desejo ardente, pela confiança, numa palavra: pela fé do doente.

 

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Capítulo XV

 

com relação à corrente fluídica, o primeiro age como uma bomba cal-

cante e o segundo como uma bomba aspirante. Algumas vezes, é neces-

sária a simultaneidade das duas ações; doutras, basta uma só. o segundo

caso foi o que ocorreu na circunstância de que tratamos.

razão, pois, tinha Jesus para dizer: “tua fé te salvou.” compreen-

de-se que a fé a que ele se referia não é uma virtude mística, qual a en-

tendem muitas pessoas, mas uma verdadeira força atrativa, de sorte que

aquele que não a possui opõe à corrente fluídica uma força repulsiva,

ou, pelo menos, uma força de inércia, que paralisa a ação. Assim sendo,

também, se compreende que, apresentando-se ao curador dois doentes

da mesma enfermidade, possa um ser curado e outro não. é este um

dos mais importantes princípios da mediunidade curadora e que explica

certas anomalias aparentes, apontando-lhes uma causa muito natural.

(cap. Xiv, itens 31 a 33.)

 

Cego de Betsaida

 

12. tendo chegado a betsaida, trouxeram-lhe um cego e lhe pediam que o

tocasse. tomando o cego pela mão, ele o levou para fora da cidade, passou-lhe

saliva nos olhos e, havendo-lhe imposto as mãos, lhe perguntou se via alguma

coisa. — o homem, olhando, disse: “vejo a andar homens que me parecem ár-

vores.” — Jesus lhe colocou de novo as mãos sobre os olhos e ele começou a ver

melhor. Afinal, ficou tão perfeitamente curado, que via distintamente todas as

coisas. — ele o mandou para casa, dizendo-lhe: “vai para tua casa; se entrares

na cidade, a ninguém digas o que se deu contigo.” (Marcos, 8:22 a 26)

 

13. Aqui, é evidente o efeito magnético; a cura não foi instantâ-

nea, porém gradual e consequente a uma ação prolongada e reiterada, se

bem que mais rápida do que na magnetização ordinária. A primeira sen-

sação que o homem teve foi exatamente a que experimentam os cegos

ao recobrarem a vista. por um efeito de óptica, os objetos lhes parecem

de tamanho exagerado.

 

Paralítico

 

14. tendo subido para uma barca, Jesus atravessou o lago e veio à sua cidade

(cafarnaum). — como lhe apresentassem um paralítico deitado em seu leito,

 

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