A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo

Os fluidos

 

em transportar um objeto de um lugar para outro, ou em atirá-lo seja onde

for. todos esses fenômenos se produzem em virtude da mesma lei.163

Quando as pancadas são ouvidas na mesa ou algures, não é que o

espírito esteja a bater com a mão, ou com qualquer objeto. ele apenas

dirige sobre o ponto donde vem o ruído um jato de fluido e este produz o

efeito de um choque elétrico. tão possível lhe é modificar o ruído, como

a qualquer pessoa modificar os sons produzidos pelo ar.164

44. fenômeno muito frequente na mediunidade é a aptidão de

certos médiuns para escrever em língua que lhes é estranha; a explanar,

oralmente ou por escrito, assuntos que lhes estão fora do alcance da ins-

trução recebida. não é raro o caso de alguns que escrevem correntemente

sem nunca terem aprendido a escrever; de outros que compõem poesias,

sem jamais na vida terem sabido fazer um verso; de outros que dese-

nham, pintam, esculpem, compõem música, tocam um instrumento,

sem conhecerem desenho, pintura, escultura, ou a arte musical. ocorre

frequentemente o fato de um médium escrevente reproduzir com perfei-

ção a grafia e a assinatura que os espíritos, que por ele se comunicam,

tinham quando vivos, se bem não as haja ele conhecido.

nada, porém, apresenta esse fenômeno de mais maravilhoso, do

que o de se fazer que uma criança escreva, guiando-se-lhe a mão; pode-se,

dessa maneira, conseguir que ela execute tudo o que se queira. pode-se

fazer que qualquer pessoa escreva num idioma que ela ignore, ditando-

-se-lhe as palavras letra por letra. compreende-se que o mesmo se possa

 

163 Nota de Allan Kardec: Tal o princípio dos fenômenos de transporte, fenômeno este muito real, mas

que não convém se admita, senão com extrema reserva, porquanto é um dos que mais se prestam

à imitação e à trapaçaria. Devem tomar-se em séria consideração a honradez irrecusável da pessoa

que os obtém, seu absoluto desinteresse, material e moral, e o concurso das circunstâncias acessó-

rias. Importa, sobretudo, desconfiar da produção de tais efeitos, quando eles se deem com exces-

siva facilidade e ter por suspeitos os que se renovem com extrema frequência e, por assim dizer, à

vontade. Os prestidigitadores fazem coisas mais extraordinárias.

Não menos positivo é o fato do erguimento de uma pessoa; mas, tem que ser muito mais raro,

porque mais difícil de ser imitado. É sabido que o Sr. Home se elevou mais de uma vez até ao teto,

dando assim volta à sala. Dizem que São Cupertino possuía a mesma faculdade, não sendo o fato

mais miraculoso com este do que com aquele.

164 Nota de Allan Kardec: Casos de manifestações materiais e de perturbações operadas pelos Espíritos:

Revista espírita, Manifestações físicas (A moça dos panoramas), janeiro de 1858; “Senhorita Clairon”,

fevereiro de 1858; “Espírito batedor de Bergzabern” (narração completa), maio a julho de 1858;

“ Dibbelsdorf”, agosto de 1858; “Padeiro de Dieppe”, março de 1860; “Fabricante de São Petersburgo”,

abril de 1860; “Rua des Noyers,”, agosto de 1860; “Espírito batedor do Aube”, janeiro de 1861; “Flagelo

do século XVI, janeiro de 1864; “Poitiers”, maio de 1864 e maio de 1865; “Irmã Maria”, junho de 1864;

“Marselha”, abril de 1865; “Fives”, agosto de 1865; “Os ratos de Équihem”, fevereiro de 1866.

 

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Capítulo XIV

 

dar com a mediunidade, desde que se atente na maneira por que os es-

píritos se comunicam com os médiuns que, para eles, mais não são do

que instrumentos passivos. se, porém, o médium tem o mecanismo, se

venceu as dificuldades práticas, se lhe são familiares as expressões, se,

finalmente, possui no cérebro os elementos daquilo que o espírito quer

fazê-lo executar, ele se acha na posição do homem que sabe ler e escrever

correntemente; o trabalho se torna mais fácil e mais rápido; ao espírito já

não resta senão transmitir seus pensamentos ao intérprete, para que este

os reproduza pelos meios de que dispõe.

A aptidão de um médium para coisas que lhe são estranhas tam-

bém tem frequentemente suas raízes nos conhecimentos que ele possuiu

noutra existência e dos quais seu espírito conservou a intuição. se, por

exemplo, ele foi poeta ou músico, mais facilidade encontrará para assi-

milar o pensamento poético ou musical que um espírito queira fazê-lo

expressar. A língua que ele hoje ignora pode ter-lhe sido familiar noutra

existência, donde maior aptidão sua para escrever mediunicamente nessa

língua.165

 

Obsessões e possessões

 

45. pululam em torno da terra os maus espíritos, em consequên-

cia da inferioridade moral de seus habitantes. A ação malfazeja desses

espíritos é parte integrante dos flagelos com que a humanidade se vê

a braços neste mundo. A obsessão que é um dos efeitos de semelhante

ação, como as enfermidades e todas as atribulações da vida, deve, pois,

ser considerada como provação ou expiação e aceita com esse caráter.

chama-se obsessão à ação persistente que um espírito mau exer-

ce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diferentes, que vão

desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores, até a

perturbação completa do organismo e das faculdades mentais. ela oblite-

ra todas as faculdades mediúnicas. na mediunidade audiente e psicográ-

fica, traduz-se pela obstinação de um espírito em querer manifestar-se,

com exclusão de qualquer outro.

 

165 Nota de Allan Kardec: A aptidão, que algumas pessoas denotam para línguas que elas manejam, sem,

por assim dizer, as haver aprendido, não tem como origem senão a lembrança intuitiva do que sou-

beram noutra existência. O caso do poeta Méry, relatado na Revista espírita de novembro de 1864, é

uma prova do que dizemos. É evidente que, se na sua mocidade, Méry fora médium, teria escrito em

latim tão facilmente como em francês e toda gente houvera visto nesse fato um prodígio.

 

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