A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo
Os milagres do Evangelho
salutar para algumas moléstias. tais efeitos são muito naturais e perfei-
tamente conhecidos hoje; mas, então, as ciências estavam pouco adian-
tadas e à maioria dos fenômenos incompreendidos se atribuíam uma
causa sobrenatural. os judeus, pois, tinham a agitação da água como
devida à presença de um anjo e tanto mais fundadas lhes pareciam essas
crenças, quanto viam que, naquelas ocasiões, mais curativa se mostrava
a água.
depois de haver curado aquele paralítico, disse-lhe Jesus: “para o
futuro não tornes a pecar, a fim de que não te aconteça coisa pior.” por
essas palavras, deu-lhe a entender que a sua doença era uma punição e
que, se ele não se melhorasse, poderia vir a ser de novo punido e com
mais rigor, doutrina essa inteiramente conforme à do espiritismo.
23. Jesus como que fazia questão de operar suas curas em dia
de sábado, para ter ensejo de protestar contra o rigorismo dos fariseus
no tocante à guarda desse dia. Queria mostrar-lhes que a verdadeira
piedade não consiste na observância das práticas exteriores e das for-
malidades; que a piedade está nos sentimentos do coração. Justificava-
-se, declarando: “meu pai não cessa de trabalhar até ao presente e eu
também trabalho incessantemente.” Quer dizer: deus não interrompe
suas obras, nem sua ação sobre as coisas da natureza, em dia de sábado.
ele não deixa de fazer que se produza tudo quanto é necessário à vossa
alimentação e à vossa saúde; eu lhe sigo o exemplo.
Cego de nascença
24. Ao passar, viu Jesus um homem que era cego desde que nascera; — e seus
discípulos lhe fizeram esta pergunta: “mestre, foi pecado desse homem, ou dos
que o puseram no mundo, que deu causa a que ele nascesse cego?” — Jesus lhes
respondeu: “não é por pecado dele, nem dos que o puseram no mundo; mas,
para que nele se patenteiem as obras do poder de deus. é preciso que eu faça as
obras daquele que me enviou, enquanto é dia; vem depois a noite, na qual nin-
guém pode fazer obras. — enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.”
tendo dito isso, cuspiu no chão e, havendo feito lama com a sua saliva, ungiu
com essa lama os olhos do cego — e lhe disse: “vai lavar-te na piscina de siloé”,
que significa Enviado. ele foi, lavou-se e voltou vendo claro.
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Capítulo XV
seus vizinhos e os que o viam antes a pedir esmolas diziam: “não é este o que
estava assentado e pedia esmola?” uns respondiam: “é ele”; outros diziam: “não,
é um que se parece com ele.” o homem, porém, lhes dizia: “sou eu mesmo.” —
perguntaram-lhe então: “como se te abriram os olhos?” — ele respondeu: “Aque-
le homem que se chama Jesus fez um pouco de lama e passou nos meus olhos,
dizendo: ‘vai à piscina de siloé e lava-te.’ fui, lavei-me e vejo.” — disseram-lhe:
“onde está ele?” respondeu o homem: “não sei.”
levaram então aos fariseus o homem que estivera cego. — ora, fora num dia
de sábado que Jesus fizera aquela lama e lhe abrira os olhos.
também os fariseus o interrogaram para saber como recobrara a vista. ele lhes
disse: “ele me pôs lama nos olhos, eu me lavei e vejo.” — Ao que alguns fari-
seus retrucaram: “esse homem não é enviado de deus, pois que não guarda o
sábado.” outros, porém, diziam: “como poderia um homem mau fazer prodí-
gios tais?” Havia, a propósito, dissensão entre eles.
disseram de novo ao que fora cego: “e tu, que dizes desse homem que te abriu
os olhos?” ele respondeu: “digo que é um profeta.” — mas os judeus não acre-
ditaram que aquele homem houvesse estado cego e que houvesse recobrado a
vista, enquanto não fizeram vir o pai e a mãe dele — e os interrogaram assim:
“é este o vosso filho, que dizeis ter nascido cego? como é que ele agora vê?” —
o pai e a mãe responderam: “sabemos que esse é nosso filho e que nasceu cego;
— não sabemos, porém, como agora vê e tampouco sabemos quem lhe abriu os
olhos. interrogai-o; ele já tem idade, que responda por si mesmo.”
seu pai e sua mãe falavam desse modo, porque temiam os judeus, visto que
estes já haviam resolvido em comum que quem quer que reconhecesse a Jesus como
o Cristo seria expulso da sinagoga. — foi o que obrigou o pai e a mãe do rapaz a
responderem: “ele já tem idade; interrogai-o.”
chamaram segunda vez o homem que estivera cego e lhe disseram: “glorifica
a deus; sabemos que esse homem é um pecador.” ele lhes respondeu: “se é um
pecador, não sei, tudo o que sei é que estava cego e agora vejo.” — tornaram a
perguntar-lhe: “Que te fez ele e como te abriu os olhos?” — respondeu o ho-
mem: “Já vo-lo disse e bem o ouvistes; por que quereis ouvi-lo segunda vez? será
que queirais tornar-vos seus discípulos?” — Ao que eles o carregaram de injúrias e
lhe disseram: “sê tu seu discípulo; quanto a nós, somos discípulos de moisés. —
sabemos que deus falou a moisés, ao passo que este não sabemos donde saiu.”
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