A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo

Os milagres do Evangelho

 

Jesus, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: “Homens de pouca fé, por que

haveis de estar cogitando de não terdes trazido pães? Ainda não compreendeis

e não vos lembrais quantos cestos levastes? — como não compreendereis que

não é do pão que eu vos falava, quando disse que vos guardásseis do fermento

dos fariseus e saduceus?”

 

eles então compreenderam que ele não lhes dissera que se preservassem do

fermento que se põe no pão, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus.

(Mateus, 16:5 a 12.)

 

O pãO dO céu

50. no dia seguinte, o povo, que permanecera do outro lado do mar, notou

que lá não chegara outra barca e que Jesus não entrara na que seus discípulos

tomaram, que os discípulos haviam partido sós — e como tinham chegado

depois outras barcas de tiberíades, perto do lugar onde o senhor, após ren-

der graças, os alimentara com cinco pães; — e como verificassem por fim que

Jesus não estava lá, tampouco seus discípulos, entraram naquelas barcas e foram

para cafarnaum, em busca de Jesus. — e, tendo-o encontrado além do mar,

disseram-lhe: “mestre, quando vieste para cá?”

 

Jesus lhes respondeu: “em verdade, em verdade vos digo que me procurais, não

por causa dos milagres que vistes, mas por que eu vos dei pão a comer e ficastes

saciados. — trabalhai por ter, não o alimento que perece, mas o que dura para

a vida eterna e que o filho do Homem vos dará, porque foi nele que deus, o

pai, imprimiu seu selo e seu caráter.”

perguntaram-lhe eles: “Que devemos fazer para produzir obras de deus?” —

respondeu-lhes Jesus: “A obra de deus é que creiais no que ele enviou.”

 

perguntaram-lhe então: Que milagre operarás que nos faça crer, vendo-o? Que

farás de extraordinário? — nossos pais comeram o maná no deserto, conforme

está escrito: ele lhes deu de comer o pão do céu.

Jesus lhes respondeu: “em verdade, em verdade vos digo que moisés não vos

deu o pão do céu; meu pai é quem dá o verdadeiro pão do céu — porquanto o

pão de deus é aquele que desceu do céu e que dá vida ao mundo.”

 

disseram eles então: “senhor, dá-nos sempre desse pão.”

 

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Capítulo XV

 

Jesus lhes respondeu: “Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome

e aquele que em mim crê não terá sede. — mas eu já vos disse: vós me tendes

visto e não credes.

 

em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim tem a vida eterna.

— eu sou o pão da vida. — vossos pais comeram o maná do deserto e morre-

ram. — Aqui está o pão que desceu do céu, a fim de que quem dele comer não

morra.” (João, 6:22 a 36 e 47 a 50.)

 

51. na primeira passagem, lembrando o fato precedentemente

operado, Jesus dá claramente a entender que não se tratara de pães ma-

teriais, pois, a não ser assim, careceria de objeto a comparação por ele

estabelecida com o fermento dos fariseus: “Ainda não compreendeis, diz

ele, e não vos recordais de que cinco pães bastaram para cinco mil pes-

soas e que dois pães foram bastantes para quatro mil? como não com-

preendestes que não era de pão que eu vos falava, quando vos dizia que

vos preservásseis do fermento dos fariseus?” esse confronto nenhuma

razão de ser teria, na hipótese de uma multiplicação material. o fato

fora de si mesmo muito extraordinário para ter impressionado forte-

mente a imaginação dos discípulos, que, entretanto, pareciam não mais

lembrar-se dele.

é também o que não menos claramente ressalta, do que Jesus ex-

pendeu sobre o pão do céu, empenhado em fazer que seus ouvintes

compreendessem o verdadeiro sentido do alimento espiritual. “traba-

lhai, diz ele, não por conseguir o alimento que perece, mas pelo que se

conserva para a vida eterna e que o filho do Homem vos dará.” esse

alimento é a sua palavra, pão que desceu do céu e dá vida ao mundo.

“eu sou, declara ele, o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome

e aquele que em mim crê nunca terá sede.”

tais distinções, porém, eram por demais sutis para aquelas natu-

rezas rudes, que somente compreendiam as coisas tangíveis. para eles,

o maná, que alimentara o corpo de seus antepassados, era o verdadeiro

pão do céu; aí é que estava o milagre. se, portanto, houvesse ocorrido

materialmente o fato da multiplicação dos pães, como teria ele impres-

sionado tão fracamente aqueles mesmos homens, a cujo benefício essa

multiplicação se operara poucos dias antes, ao ponto de perguntarem

a Jesus: “Que milagre farás para que, vendo-o, te creiamos? Que farás

de extraordinário?” eles entendiam por milagres os prodígios que os

 

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