A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo

Os milagres do Evangelho

 

e com ele uma tropa de gente armada de espadas e varapaus, enviada pelos

príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. — ora, o que o traía lhes

dera um sinal para o reconhecerem, dizendo-lhes: “Aquele a quem eu beijar é

esse mesmo o que procurais; apoderai-vos dele.” — logo, pois, se aproximou

de Jesus e lhe disse: “mestre, eu te saúdo; e o beijou.” — Jesus lhe respondeu:

“meu amigo, que vieste fazer aqui?” Ao mesmo tempo, os outros, avançando,

se lançaram a Jesus e dele se apoderaram. (Mateus, 26:46 a 50.)

 

Pesca milagrosa

 

7. um dia, estando Jesus à margem do lago de genesaré, como a multidão o

comprimisse para ouvir a palavra de deus — viu ele duas barcas atracadas à

borda do lago e das quais os pescadores haviam desembarcado e lavavam suas

redes. — entrou numa dessas barcas, que era de simão, e lhe pediu que a afas-

tasse um pouco da margem; e, tendo-se sentado, ensinava ao povo de dentro

da barca.

 

Quando acabou de falar, disse a simão: “Avança para o mar e lança as tuas redes

de pescar.” — respondeu-lhe simão: “mestre, trabalhamos a noite toda e nada

apanhamos; contudo, pois que mandas, lançarei a rede.” — tendo-a lançado,

apanharam tão grande quantidade de peixes, que a rede se rompeu. — Acena-

ram para os companheiros que estavam na outra barca, a fim de que viessem

ajudá-los. eles vieram e encheram de tal modo as barcas, que por pouco estas

não se afundaram. (Lucas, 5:1 a 7.)

 

Vocação de Pedro, André, Tiago, João e Mateus

 

8. caminhando ao longo do mar da galileia, viu Jesus dois irmãos, simão,

chamado pedro, e André, seu irmão, que lançavam suas redes ao mar, pois que

eram pescadores; — e lhes disse: “segui-me e eu farei de vós pescadores de

homens.” — logo eles deixaram suas redes e o seguiram.

 

daí, continuando, viu dois outros irmãos, tiago, filho de zebedeu, e João, seu

irmão, que estavam numa barca com zebedeu, pai de ambos, os quais estavam

a consertar suas redes, e os chamou. — eles imediatamente deixaram as redes e

o pai e o seguiram. (Mateus, 4:18 a 22.)

 

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Capítulo XV

 

saindo dali, Jesus, ao passar, viu um homem sentado à banca dos impostos, cha-

mado mateus, ao qual disse: “segue-me; e o homem logo se levantou e o seguiu.”

(Mateus, 4:9.)

 

9. nada apresentam de surpreendentes estes fatos, desde que

se conheça o poder da dupla vista e a causa, muito natural, dessa

faculdade. Jesus a possuía em grau elevado e pode dizer-se que ela

constituía o seu estado normal, conforme o atesta grande número de

atos da sua vida, os quais, hoje, têm a explicá-los os fenômenos mag-

néticos e o espiritismo.

A pesca qualificada de miraculosa igualmente se explica pela dupla

vista. Jesus não produziu espontaneamente peixes onde não os havia;

ele viu, com a vista da alma, como teria podido fazê-lo um lúcido vígil,

o lugar onde se achavam os peixes e disse com segurança aos pescadores

que lançassem aí suas redes.

A acuidade do pensamento e, por conseguinte, certas previsões

decorrem da vista espiritual. Quando Jesus chama a si pedro, André,

tiago, João e mateus, é que lhes conhecia as disposições íntimas e sabia

que eles o acompanhariam e que eram capazes de desempenhar a missão

que tencionava confiar-lhes. e mister se fazia que eles próprios tivessem

intuição da missão que iriam desempenhar para, sem hesitação, atende-

rem ao chamamento de Jesus. o mesmo se deu quando, por ocasião da

ceia, ele anunciou que um dos doze o trairia e o apontou, dizendo ser

aquele que punha a mão no prato; e deu-se também, quando predisse

que pedro o negaria.

em muitos passos do Evangelho se lê: “mas Jesus, conhecendo-

-lhes os pensamentos, lhes diz...” ora, como poderia ele conhecer os

pensamentos dos seus interlocutores, senão pelas irradiações fluídicas

desses pensamentos e, ao mesmo tempo, pela vista espiritual que lhe

permitia ler-lhes no foro íntimo?

muitas vezes, supondo que um pensamento se acha sepultado nos

refolhos da alma, o homem não suspeita que traz em si um espelho

onde se reflete aquele pensamento, um revelador na sua própria irra-

diação fluídica, impregnada dele. se víssemos o mecanismo do mundo

invisível que nos cerca, as ramificações dos fios condutores do pensa-

mento, a ligarem todos os seres inteligentes, corporais e incorpóreos,

os eflúvios fluídicos carregados das marcas do mundo moral, os quais,

 

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