A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo
Antigos e modernos sistemas do mundo
pouco a pouco, chegaram a fazer uma ideia mais exata do sistema do
mundo.
pelo ano 600 a.c., Tales, de mileto (Ásia menor), descobriu a
esfericidade da terra, a obliquidade da eclíptica e a causa dos eclipses.
um século depois, Pitágoras, de samos, descobre o movimento
diurno da terra, sobre o próprio eixo, seu movimento anual em torno
do sol e incorpora os planetas e os cometas ao sistema solar.
Hiparco, de Alexandria (egito), em 160 a.c. inventa o astrolábio,
calcula e prediz os eclipses, observa as manchas do sol, determina o ano
trópico, a duração das revoluções da lua.
embora preciosíssimas para o progresso da ciência, essas desco-
bertas levaram perto de 2.000 anos a se popularizarem. não dispondo
senão de raros manuscritos para se propagarem, as ideias novas per-
maneciam como patrimônio de alguns filósofos, que as ensinavam a
discípulos privilegiados. As massas, que ninguém cuidava de esclarecer,
nenhum proveito tiravam das ideias novas e continuavam a nutrir-se das
velhas crenças.
11. cerca do ano 140 da era cristã, Ptolomeu, um dos homens
mais ilustres da escola de Alexandria, combinando suas próprias ideias
com as crenças vulgares e com algumas das mais recentes descobertas
astronômicas, compôs um sistema que se pode qualificar de misto, que
traz o seu nome e que, por perto de quinze séculos, foi o único que o
mundo civilizado adotou.
segundo o sistema de ptolomeu, a terra é uma esfera posta no
centro do universo, composta de quatro elementos: terra, água, ar e
fogo. essa a primeira região, dita elementar. A segunda região, dita eté-
rea, compreendia onze céus, ou esferas concêntricas, a girar em torno
da terra, a saber: o céu da lua, os de mercúrio, de vênus, do sol, de
marte, de Júpiter, de saturno, das estrelas fixas, do primeiro cristalino,
esfera sólida transparente; do segundo cristalino e, finalmente, do pri-
meiro móvel, que dava movimento a todos os céus inferiores e os obri-
gava a fazer uma revolução em vinte e quatro horas. para além dos onze
céus estava o Empíreo, habitação dos bem-aventurados, denominação
tirada do grego pyr ou pur, que significa fogo, porque se acreditava que
essa região resplandecia de luz, como o fogo.
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Capítulo V
longo tempo prevaleceu a crença em muitos céus superpostos, o
número deles, entretanto, variava. o sétimo era geralmente tido como
o mais elevado, donde a expressão: ser arrebatado ao sétimo céu. paulo
disse que fora elevado ao terceiro céu.
Afora o movimento comum, os astros, segundo ptolomeu, tinham
movimentos próprios, mais ou menos dilatados, conforme a distância
em que se achavam do centro. As estrelas fixas faziam uma revolução em
25.816 anos, avaliação esta que denota conhecimento da precessão dos
equinócios, que se realiza em 25.868 anos.
12. no começo do século Xvi, Copérnico, astrônomo célebre, nas-
cido em thorn (prússia), no ano de 1472 e morto no de 1543, recon-
siderou as ideias de pitágoras e concebeu um sistema que, confirmado
todos os dias por novas observações, teve acolhimento favorável e não
tardou a desbancar o de ptolomeu. segundo o sistema de copérnico, o
sol está no centro e ao seu derredor os astros descrevem órbitas circula-
res, sendo a lua um satélite da terra.
decorrido um século, em 1609, galileu, natural de florença
( itália), inventa o telescópio; em 1610, descobre os quatro satélites de 28
Júpiter e lhe calcula as revoluções; reconhece que os planetas não têm
luz própria como as estrelas, mas que são iluminados pelo sol; que são
esferas semelhantes à terra; galileu observa-lhes as fases e determina o
tempo que duram as rotações deles em torno de seus eixos, oferecendo
assim, por provas materiais, sanção definitiva ao sistema de copérnico.
ruiu então a construção dos céus superpostos; reconheceu-se que
os planetas são mundos semelhantes à terra e, sem dúvida, habitados;
que as estrelas são inumeráveis sóis, prováveis centros de outros tantos
sistemas planetários, sendo o próprio sol reconhecido como uma estre-
la, centro de um turbilhão de planetas que se lhe acham sujeitos.
As estrelas deixaram de estar confinadas numa zona da esfera ce-
leste, para estarem irregularmente disseminadas pelo espaço sem limites,
encontrando-se a distâncias incomensuráveis umas das outras mesmo as
que parecem tocar-se, sendo as aparentemente menores as mais afasta-
das de nós e as maiores as que nos estão mais perto, porém, ainda assim,
a centenas de bilhões de léguas.
28 N.E.: Atualmente, Júpiter possui 66 satélites conhecidos, quatro dos quais de dimensões planetárias.
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