A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo
Os milagres do Evangelho
o homem lhes respondeu: “é de espantar que não saibais donde ele é e que
me tenha aberto os olhos. — ora, sabemos que deus não exalça os pecadores;
mas, àquele que o honre e faça a sua vontade, a esse deus exalça. — desde
que o mundo existe, jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a
um cego de nascença. — se esse homem não fosse um enviado de deus, nada
poderia fazer de tudo o que tem feito.”
disseram-lhe os fariseus: “tu és todo pecado, desde o ventre de tua mãe, e
queres ensinar-nos a nós?” e o expulsaram. (João, 9:1 a 34.)
25. esta narrativa, tão simples e singela, traz em si evidente o
cunho da veracidade. nada aí há de fantasista, nem de maravilhoso. é
uma cena da vida real apanhada em flagrante. A linguagem do cego é
exatamente a desses homens simples, nos quais o bom senso supre a falta
de saber e que retrucam com bonomia aos argumentos de seus adversá-
rios, expendendo razões a que não faltam justeza, nem oportunidade. o
tom dos fariseus, por outro lado, é o dos orgulhosos que nada admitem
acima de suas inteligências e que se enchem de indignação à só ideia de
que um homem do povo lhes possa fazer observações. Afora a cor local
dos nomes, dir-se-ia ser do nosso tempo o fato.
ser expulso da sinagoga equivalia a ser posto fora da igreja. era
uma espécie de excomunhão. os espíritas, cuja doutrina é a do cristo
de acordo com o progresso das luzes atuais, são tratados como os judeus
que reconheciam em Jesus o messias. excomungando-os, a igreja os põe
fora de seu seio, como fizeram os escribas e os fariseus com os seguidores
do cristo. Assim, aí está um homem que é expulso porque não pode ad-
mitir seja um possesso do demônio aquele que o curara e porque rende
graças a deus pela sua cura!
não é o que fazem com os espíritas? obter dos espíritos salutares
conselhos, a reconciliação com deus e com o bem, curas, tudo isso é
obra do diabo e sobre os que isso conseguem lança-se anátema. não se
têm visto padres declararem, do alto do púlpito, que é melhor uma pessoa
conservar-se incrédula do que recobrar a fé por meio do Espiritismo? não
há os que dizem a doentes que estes não deviam ter procurado curar-se
com os espíritas que possuem esse dom, porque esse dom é satânico?
não há os que pregam que os necessitados não devem aceitar o pão
que os espíritas distribuem, por ser do diabo esse pão? Que outra coisa
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Capítulo XV
diziam ou faziam os padres judeus e os fariseus? Aliás, fomos avisados de
que tudo hoje tem que se passar como ao tempo do cristo.
A pergunta dos discípulos: “foi algum pecado deste homem que
deu causa a que ele nascesse cego?” revela que eles tinham a intuição
de uma existência anterior, pois, do contrário, ela careceria de sentido,
visto que um pecado somente pode ser causa de uma enfermidade de
nascença, se cometido antes do nascimento, portanto, numa existência
anterior. se Jesus considerasse falsa semelhante ideia, ter-lhes-ia dito:
“como houvera este homem podido pecar antes de ter nascido?” em
vez disso, porém, diz que aquele homem estava cego, não por ter peca-
do, mas para que nele se patenteasse o poder de deus, isto é, para que
servisse de instrumento a uma manifestação do poder de deus. se não
era uma expiação do passado, era uma provação apropriada ao progres-
so daquele espírito, porquanto deus, que é justo, não lhe imporia um
sofrimento sem utilidade.
Quanto ao meio empregado para a sua cura, evidentemente aque-
la espécie de lama feita de saliva e terra nenhuma virtude podia encerrar,
a não ser pela ação do fluido curativo de que fora impregnada. é as-
sim que as mais insignificantes substâncias, como a água, por exemplo,
podem adquirir qualidades poderosas e efetivas, sob a ação do fluido
espiritual ou magnético, ao qual elas servem de veículo, ou, se quiserem,
de reservatório.
Numerosas curas operadas por Jesus
26. Jesus ia por toda a galileia, ensinando nas sinagogas, pregando o evan-
gelho do reino e curando todos os langores e todas as enfermidades no meio
do povo. — tendo-se a sua reputação espalhado por toda a síria; traziam-lhe
os que estavam doentes e afligidos por dores e males diversos, os possessos,
os lunáticos, os paralíticos e ele a todos curava. — Acompanhava-o grande
multidão da galileia, de decápolis, de Jerusalém, da Judeia e de além Jordão.
(Mateus, 4:23 a 25.)
27. de todos os fatos que dão testemunho do poder de Jesus, os
mais numerosos são, não há contestar, as curas. Queria ele provar des-
sa forma que o verdadeiro poder é o daquele que faz o bem; que o seu
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