A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo

Deus

 

13. Deus é onipotente. se não possuísse o poder supremo, sempre

se poderia conceber uma entidade mais poderosa e assim por diante, até

chegar-se ao ser cuja potencialidade nenhum outro ultrapassasse. esse en-

tão é que seria deus.

14. Deus é soberanamente justo e bom. A providencial sabedoria

das leis divinas se revela nas mais pequeninas coisas, como nas maiores,

não permitindo essa sabedoria que se duvide da sua justiça, nem da sua

bondade.

o fato de ser infinita uma qualidade, exclui a possibilidade de

uma qualidade contrária, porque esta a apoucaria ou anularia. um ser

infinitamente bom não poderia conter a mais insignificante parcela de

malignidade, nem o ser infinitamente mau conter a mais insignificante

parcela de bondade, do mesmo modo que um objeto não pode ser de um

negro absoluto, com a mais ligeira nuança de branco, nem de um branco

absoluto com a menor mancha preta.

deus, pois, não poderia ser simultaneamente bom e mau, porque

então, não possuindo qualquer dessas duas qualidades no grau supre-

mo, não seria deus; todas as coisas estariam sujeitas ao seu capricho e

para nenhuma haveria estabilidade. não poderia ele, por conseguin-

te, deixar de ser ou infinitamente bom ou infinitamente mau. ora,

como suas obras dão testemunho da sua sabedoria, da sua bondade e

da sua solicitude, concluir-se-á que, não podendo ser ao mesmo tempo

bom e mau sem deixar de ser deus, ele necessariamente tem de ser

infinitamente bom.

A soberana bondade implica a soberana justiça, porquanto, se ele

procedesse injustamente ou com parcialidade numa só circunstância que

fosse, ou com relação a uma só de suas criaturas, já não seria soberanamente

justo e, em consequência, já não seria soberanamente bom.

15. Deus é infinitamente perfeito. é impossível conceber-se deus

sem o infinito das perfeições, sem o que não seria deus, pois sempre se

poderia conceber um ser que possuísse o que lhe faltasse. para que ne-

nhum ser possa ultrapassá-lo, faz-se mister que ele seja infinito em tudo.

sendo infinitos, os atributos de deus não são suscetíveis nem de

aumento, nem de diminuição, visto que do contrário não seriam infinitos

e deus não seria perfeito. se lhe tirassem a qualquer dos atributos a mais

 

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Capítulo II

 

mínima parcela, já não haveria deus, pois que poderia existir um ser mais

perfeito.

16. Deus é único. A unicidade de deus é consequência do fato de

serem infinitas as suas perfeições. não poderia existir outro deus, salvo

sob a condição de ser igualmente infinito em todas as coisas, visto que,

se houvesse entre eles a mais ligeira diferença, um seria inferior ao outro,

subordinado ao poder desse outro e, então, não seria deus. se houvesse

entre ambos igualdade absoluta, isso equivaleria a existir, por toda eterni-

dade, um mesmo pensamento, uma mesma vontade, um mesmo poder.

confundidos quanto à identidade, não haveria, em realidade, mais que

um único deus. se cada um tivesse atribuições especiais, um não faria o

que o outro fizesse; mas, então, não existiria igualdade perfeita entre eles,

pois que nenhum possuiria a autoridade soberana.

17. A ignorância do princípio de que são infinitas as perfeições de

deus foi que gerou o politeísmo, culto adotado por todos os povos pri-

mitivos, que davam o atributo de divindade a todo poder que lhes parecia

acima dos poderes inerentes à humanidade. mais tarde, a razão os levou

a reunir essas diversas potências numa só. depois, à proporção que os

homens foram compreendendo a essência dos atributos divinos, retiraram

dos símbolos, que haviam criado, a crença que implicava a negação desses

atributos.

18. em resumo, deus não pode ser deus, senão sob a condição de

que nenhum outro o ultrapasse, porquanto o ser que o excedesse no que

quer que fosse, ainda que apenas na grossura de um cabelo, é que seria o

verdadeiro deus. para que tal não se dê, indispensável se torna que ele

seja infinito em tudo.

é assim que, comprovada pelas suas obras a existência de deus,

por simples dedução lógica se chega a determinar os atributos que o

caracterizam.

19. deus é, pois, a inteligência suprema e soberana, é único, eterno,

imutável, imaterial, onipotente, soberanamente justo e bom, infinito em todas

as perfeições, e não pode ser diverso disso.

tal o eixo sobre que repousa o edifício universal. esse o farol cujos

raios se estendem por sobre o universo inteiro, única luz capaz de guiar o

homem na procura da verdade. orientando-se por essa luz, ele nunca se

 

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