A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo

Os milagres do Evangelho

 

objetivo era ser útil e não satisfazer à curiosidade dos indiferentes, por

meio de coisas extraordinárias.

Aliviando os sofrimentos, prendia a si as criaturas pelo coração e

fazia prosélitos mais numerosos e sinceros, do que se apenas os mara-

vilhasse com espetáculos para os olhos. daquele modo, fazia-se amado,

ao passo que se se limitasse a produzir surpreendentes fatos materiais,

conforme os fariseus reclamavam, a maioria das pessoas não teria visto

nele senão um feiticeiro, ou um mágico hábil, que os desocupados iriam

apreciar para se distraírem.

Assim, quando João batista manda, por seus discípulos, pergun-

tar-lhe se ele era o cristo, a sua resposta não foi: “eu o sou”, como qual-

quer impostor houvera podido dizer. tampouco lhes fala de prodígios,

nem de coisas maravilhosas; responde-lhes simplesmente: “ide dizer a

João: os cegos veem, os doentes são curados, os surdos ouvem, o evange-

lho é anunciado aos pobres.” o mesmo era que dizer: “reconhecei-me

pelas minhas obras; julgai da árvore pelo fruto”, porquanto era esse o

verdadeiro caráter da sua missão divina.

28. o espiritismo, igualmente, pelo bem que faz é que prova a sua

missão providencial. ele cura os males físicos, mas cura, sobretudo, as

doenças morais e são esses os maiores prodígios que lhe atestam a pro-

cedência. seus mais sinceros adeptos não são os que se sentem tocados

pela observação de fenômenos extraordinários, mas os que dele recebem

a consolação para suas almas; os a quem liberta das torturas da dúvida;

aqueles a quem levantou o ânimo na aflição, que hauriram forças na

certeza, que lhes trouxe, acerca do futuro, no conhecimento do seu ser

espiritual e de seus destinos. esses os de fé inabalável, porque sentem e

compreendem.

os que no espiritismo unicamente procuram efeitos materiais,

não lhe podem compreender a força moral. daí vem que os incrédulos,

que apenas o conhecem pelos fenômenos cuja causa primária não admi-

tem, consideram os espíritas meros prestidigitadores e charlatães. não

será, pois, por meio de prodígios que o espiritismo triunfará da incre-

dulidade será pela multiplicação dos seus benefícios morais, porquanto,

se é certo que os incrédulos não admitem os prodígios, não menos certo

é que conhecem, como toda gente, o sofrimento e as aflições e ninguém

recusa alívio e consolação.

 

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Capítulo XV

 

Possessos

 

29. vieram em seguida a cafarnaum e Jesus, entrando primeiramente, em dia de

sábado, na sinagoga, os instruía. — Admiravam-se da sua doutrina, porque ele os

instruía como tendo autoridade e não como os escribas.

 

ora, achava-se na sinagoga um homem possesso de um espírito impuro, que

exclamou: — “Que há entre ti e nós, Jesus de nazaré? vieste para nos perder? sei

quem és: és o santo de deus.” — Jesus, porém, falando-lhe ameaçadoramente,

disse: “cala-te e sai desse homem.” — então, o espírito impuro, agitando o ho-

mem em violentas convulsões, saiu dele.

 

ficaram todos tão surpreendidos que uns aos outros perguntavam: “Que é isto?

Que nova doutrina é esta? ele dá ordem com império, até os espíritos impuros, e

estes lhe obedecem.” (Marcos, 1:21 a 27.)

 

30. tendo eles saído, apresentaram-lhe um homem mudo, possesso do demônio.

— expulso o demônio, o mudo falou, e o povo tomado de admiração, dizia: “Ja-

mais se viu coisa semelhante em israel.”

 

mas os fariseus, ao contrário, diziam: “é pelo príncipe dos demônios que ele

expele os demônios.” (Mateus, 9:32 a 34.)

 

31. Quando ele foi vindo ao lugar onde estavam os outros discípulos, viu em

torno destes uma grande multidão e muitos escribas que com eles disputavam. —

logo que deu com Jesus, todo o povo se tomou de espanto e temor e correram

todos a saudá-lo.

 

perguntou ele então: “sobre que disputáveis em assembleia?” — um homem, do

meio do povo, tomando a palavra, disse: “mestre, trouxe-te meu filho, que está

possesso de um espírito mudo; — em todo lugar onde dele se apossa, atira-o por

terra e o menino espuma, rilha os dentes e se torna todo seco. pedi a teus discípu-

los que o expulsassem, mas eles não puderam.”

 

disse-lhes Jesus: “Ó gente incrédula, até quando estarei convosco? Até quando

vos suportarei? trazei-mo.” — trouxeram-lho e ainda não havia ele posto os olhos

em Jesus, e o espírito entrou a agitá-lo violentamente; ele caiu no chão e se pôs a

rolar espumando.

 

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