A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo
Os milagres do Evangelho
intermediário, um instrumento de que se servem os espíritos desen-
carnados e o cristo não precisava de assistência, pois que era ele quem
assistia os outros. Agia por si mesmo, em virtude do seu poder pessoal,
como o podem fazer, em certos casos, os encarnados, na medida de
suas forças. Que espírito, ao demais, ousaria insuflar-lhe seus próprios
pensamentos e encarregá-lo de os transmitir? se algum influxo estranho
recebia, esse só de deus lhe poderia vir. segundo definição dada por um
espírito, ele era médium de Deus.
Sonhos
3. José, diz o evangelho, foi avisado por um anjo, que lhe apareceu em sonho e
que lhe aconselhou fugisse para o egito com o menino. (Mateus, 2:19 a 23.)
os avisos por meio de sonhos desempenham grande papel nos
livros sagrados de todas as religiões. sem garantir a exatidão de todos
os fatos narrados e sem os discutir, o fenômeno em si mesmo nada tem
de anormal, sabendo-se, como se sabe, que, durante o sono, é quando
o espírito, desprendido dos laços da matéria, entra momentaneamente
na vida espiritual, onde se encontra com os que lhe são conhecidos. é
com frequência essa a ocasião que os espíritos protetores aproveitam
para se manifestar a seus protegidos e lhes dar conselhos mais diretos.
são numerosos os casos de avisos em sonho, porém, não se deve inferir
daí que todos os sonhos são avisos, nem, ainda menos, que tem uma
significação tudo o que se vê em sonho. cumpre se inclua entre as cren-
ças supersticiosas e absurdas a arte de interpretar os sonhos. (cap. Xiv,
itens 27 e 28.)
Estrela dos magos
4. diz-se que uma estrela apareceu aos magos que foram adorar a Jesus; que ela
lhes ia à frente indicando-lhes o caminho e que se deteve quando eles chegaram.
(Mateus, 2:1 a 12.)
não se trata de saber se o fato que mateus narra é real, ou se não
passa de uma figura indicativa de que os magos foram guiados de forma
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Capítulo XV
misteriosa ao lugar onde estava o menino, dado que não há meio algum
de verificação; trata-se de saber se é possível um fato de tal natureza.
o que é certo é que, naquela circunstância, a luz não podia ser
uma estrela. na época em que o fato ocorreu, era possível acreditassem
que fosse, porquanto então se cria serem as estrelas pontos luminosos
pregados no firmamento e suscetíveis de cair sobre a terra; não hoje,
quando se conhece a natureza das estrelas.
entretanto, por não ter como causa a que lhe atribuíram, não dei-
xa de ser possível o fato da aparição de uma luz com o aspecto de uma
estrela. um espírito pode aparecer sob forma luminosa, ou transformar
uma parte do seu fluido perispirítico em foco luminoso. muitos fatos
desse gênero, modernos e perfeitamente autênticos, não procedem de
outra causa, que nada apresenta de sobrenatural. (cap. Xiv, itens 13 e
seguintes.)
Dupla vista
Entrada de Jesus em Jerusalém
5. Quando eles se aproximaram de Jerusalém e chegaram a betfagé, perto do
monte das oliveiras, Jesus enviou dois de seus discípulos, dizendo-lhes: “ide
a essa aldeia que está à vossa frente e, lá chegando, encontrareis amarrada uma
jumenta e junto dela o seu jumentinho; desamarrai-a e trazei-mos. — se al-
guém vos disser qualquer coisa, respondei que o senhor precisa deles e logo
deixará que os conduzais.” — ora, tudo isso se deu, a fim de que se cumprisse
esta palavra do profeta: — dizei à filha de sião: “eis o teu rei, que vem a ti,
cheio de doçura, montado numa jumenta e com o jumentinho da que está sob
o jugo.” (Zacarias, 9:9 e 10.)
os discípulos então foram e fizeram o que Jesus lhes ordenara. — e, tendo tra-
zido a jumenta e o jumentinho, a cobriram com suas vestes e o fizeram montar.
(Mateus, 21:1 a 7.)
Beijo de Judas
6. “levantai-vos, vamos, que já está perto daqui aquele que me há de trair.” —
Ainda não acabara de dizer essas palavras e eis que Judas, um dos doze, chegou
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