A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo

Os fluidos

 

criadas pela imaginação, análogas às criações fluídicas do pensamento

(veja-se, acima, o item 14). estas criações se acham sempre em relação

com as disposições morais do espírito que as gera. é assim que o pensa-

mento de pessoas fortemente imbuídas de certas crenças religiosas e com

elas preocupadas lhes apresenta o inferno, suas fornalhas, suas torturas

e seus demônios, tais quais essas pessoas os imaginam. Às vezes, é toda

uma epopeia. os pagãos viam o olimpo e o tártaro, como os cristãos

veem o inferno e o paraíso. se, ao despertarem, ou ao saírem do êxtase,

conservam lembrança exata de suas visões, os que as tiveram tomam-nas

como realidades confirmativas de suas crenças, quando tudo não passa

de produto de seus próprios pensamentos.150 cumpre, pois, se faça uma

distinção muito rigorosa nas visões extáticas, antes que se lhes dê crédito.

A tal propósito, o remédio para a excessiva credulidade é o estudo das leis

que regem o mundo espiritual.

28. os sonhos propriamente ditos apresentam os três caracteres

das visões acima descritas. Às duas primeiras categorias dessas visões

pertencem os sonhos de previsões, pressentimentos e avisos.151 na ter-

ceira, isto é, nas criações fluídicas do pensamento, é que se pode deparar

com a causa de certas imagens fantásticas, que nada têm de real, com

relação à vida corpórea, mas que apresentam às vezes, para o espírito,

uma realidade tal, que o corpo lhe sente o contrachoque, havendo casos

em que os cabelos embranquecem sob a impressão de um sonho. podem

essas criações ser provocadas: pela exaltação das crenças; por lembran-

ças retrospectivas; por gostos, desejos, paixões, temor, remorsos; pelas

preocupações habituais; pelas necessidades do corpo, ou por um emba-

raço nas funções do organismo; finalmente, por outros espíritos, com

objetivo benévolo ou maléfico, conforme a sua natureza.152

 

Catalepsia. Ressurreições

 

29. A matéria inerte é insensível; o fluido perispirítico igualmen-

te o é, mas transmite a sensação ao centro sensitivo, que é o espírito.

 

150 Nota de Allan Kardec: Podem explicar-se assim as visões da irmã Elmerich que, reportando-se ao

tempo da paixão do Cristo, diz ter visto coisas materiais, que nunca existiram, senão nos livros que ela

leu; as da Sra. Cantanille (Revista espírita de agosto de 1866) e uma parte das de Swedenborg.

151 Nota de Allan Kardec: Veja-se, abaixo, o cap. XVI, Teoria da presciência, itens 1 a 3.

152 a Nota de Allan Kardec: Revista espírita, junho de 1866; setembro de 1866. O livro dos espíritos, Parte 2,

cap. VIII, questão 400.

 

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Capítulo XIV

 

As lesões dolorosas do corpo repercutem, pois, no espírito, qual cho-

que elétrico, por intermédio do fluido perispiritual, que parece ter nos

nervos os seus fios condutores. é o influxo nervoso dos fisiologistas

que, desconhecendo as relações desse fluido com o princípio espiritual,

ainda não puderam achar explicação para todos os efeitos.

A interrupção pode dar-se pela separação de um membro, ou pela

secção de um nervo, mas, também, parcialmente ou de maneira geral e

sem nenhuma lesão, nos momentos de emancipação, de grande sobre-ex-

citação ou preocupação do espírito. nesse estado, o espírito não pensa

no corpo e, em sua febril atividade, atrai a si, por assim dizer, o fluido pe-

rispiritual que, retirando-se da superfície, produz aí uma insensibilidade

momentânea. poder-se-ia também admitir que, em certas circunstâncias,

no próprio fluido perispiritual uma modificação molecular se opera, que

lhe tira temporariamente a propriedade de transmissão. é por isso que,

muitas vezes, no ardor do combate, um militar não percebe que está fe-

rido e que uma pessoa, cuja atenção se acha concentrada num trabalho,

não ouve o ruído que se lhe faz em torno. efeito análogo, porém mais

pronunciado, se verifica nalguns sonâmbulos, na letargia e na catalepsia.

finalmente, do mesmo modo também se pode explicar a insensibilidade

dos convulsionários e de muitos mártires. (Revista espírita, janeiro de

1868: “estudo sobre os Aïssaouas”.)

A paralisia já não tem absolutamente a mesma causa: aí o efeito

é todo orgânico; são os próprios nervos, os fios condutores que se tor-

nam inaptos à circulação fluídica; são as cordas do instrumento que se

alteraram.

30. em certos estados patológicos, quando o espírito há deixado o

corpo e o perispírito só por alguns pontos se lhe acha aderido, apresen-

ta ele, o corpo, todas as aparências da morte e enuncia-se uma verdade

absoluta, dizendo que a vida aí está por um fio. semelhante estado pode

durar mais ou menos tempo; podem mesmo algumas partes do corpo

entrar em decomposição, sem que, no entanto, a vida se ache definitiva-

mente extinta. enquanto não se haja rompido o último fio, pode o es-

pírito, quer por uma ação enérgica, da sua própria vontade, quer por um

influxo fluídico estranho, igualmente forte, ser chamado a volver ao corpo.

é como se explicam certos fatos de prolongamento da vida contra todas

as probabilidades e algumas supostas ressurreições. é a planta a renascer,

 

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