A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo

Nota Explicativa

 

com a reencarnação, desaparecem os preconceitos de raças e de castas, pois o

mesmo espírito pode tornar a nascer rico ou pobre, capitalista ou proletário, che-

fe ou subordinado, livre ou escravo, homem ou mulher. de todos os argumen-

tos invocados contra a injustiça da servidão e da escravidão, contra a sujeição da

mulher à lei do mais forte, nenhum há que prime, em lógica, ao fato material da

reencarnação. se, pois, a reencarnação funda numa lei da natureza o princípio

da fraternidade universal, também funda na mesma lei o da igualdade dos direitos

sociais e, por conseguinte, o da liberdade. (A Gênese, cap. i, item 36, p. 42-43.

Vide também Revista Espírita, 1867, p. 373.)

 

na época, Allan Kardec sabia apenas o que vários autores contavam

a respeito dos selvagens africanos, sempre reduzidos ao embrutecimento

quase total, quando não escravizados impiedosamente.

é baseado nesses informes “científicos” da época que o codificador

repete, com outras palavras, o que os pesquisadores europeus descreviam

quando de volta das viagens que faziam à África negra. todavia, é peremp-

tório ao abordar a questão do preconceito racial:

 

nós trabalhamos para dar a fé aos que em nada creem; para espalhar uma crença

que os torna melhores uns para os outros, que lhes ensina a perdoar aos inimigos,

a se olharem como irmãos, sem distinção de raça, casta, seita, cor, opinião política

ou religiosa; numa palavra, uma crença que faz nascer o verdadeiro sentimento de

caridade, de fraternidade e deveres sociais. (KArdec, Allan. Revista Espírita de

1863 — 1. ed. rio de Janeiro: feb, 2005. — janeiro de 1863.)

 

o homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção

de raças nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus. (O Evangelho

segundo o Espiritismo, cap. Xvii, item 3, p. 348.)

 

é importante compreender, também, que os textos publicados por

Allan Kardec na Revista Espírita tinham por finalidade submeter à ava-

liação geral as comunicações recebidas dos espíritos, bem como aferir a

correspondência desses ensinos com teorias e sistemas de pensamento vi-

gentes à época. em nota ao capítulo Xi, item 43, do livro A Gênese, o

codificador explica essa metodologia:

 

Quando, na Revista Espírita de janeiro de 1862, publicamos um artigo sobre a “in-

terpretação da doutrina dos anjos decaídos”, apresentamos essa teoria como sim-

ples hipótese, sem outra autoridade afora a de uma opinião pessoal controversível,

 

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