A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo
segundo o Espiritismo Os milagres
capítulo Xiii caracteres dos milagres
capítulo Xiv os fluidos
capítulo Xv os milagres do evangelho
cApítulo Xiii
M
caracteres dos milagres
• os milagres no sentido teológico • o espiritismo não faz
milagres • faz deus milagres? • o sobrenatural e as religiões
Os milagres no sentido teológico
1. na acepção etimológica, a palavra milagre (de mirac ŭlum, ad-
mirar) significa: prodígio, maravilha; coisa extraordinária. A Academia
definiu-a deste modo: Um ato do poder divino contrário às leis da nature-
za, conhecidas.
na acepção usual, essa palavra perdeu, como tantas outras, a signi-
ficação primitiva. de geral, que era, se tornou de aplicação restrita a uma
ordem particular de fatos. no entender das massas, um milagre implica
a ideia de um fato extranatural; no sentido teológico, é uma derrogação
das leis da natureza, por meio da qual deus manifesta o seu poder. tal,
com efeito, a acepção vulgar, que se tornou o sentido próprio, de modo
que só por comparação e por metáfora a palavra se aplica às circunstân-
cias ordinárias da vida.
um dos caracteres do milagre propriamente dito é o ser inexplicá-
vel, por isso mesmo que se realiza com exclusão das leis naturais. é tanto
essa a ideia que se lhe associa, que, se um fato milagroso vem a encon-
trar explicação, se diz que já não constitui milagre, por muito espantoso
que seja. o que, para a igreja, dá valor aos milagres é, precisamente, a
origem sobrenatural deles e a impossibilidade de serem explicados. ela
se firmou tão bem sobre esse ponto, que o assimilarem-se os milagres
Capítulo XIII
aos fenômenos da natureza constitui para ela uma heresia, um atentado
contra a fé, tanto assim que excomungou e até queimou muita gente por
não ter querido crer em certos milagres.
outro caráter do milagre é o ser insólito, isolado, excepcional.
logo que um fenômeno se reproduz, quer espontânea, quer voluntaria-
mente, é que está submetido a uma lei e, desde então, seja ou não seja
conhecida a lei, já não pode haver milagres.
2. Aos olhos dos ignorantes, a ciência faz milagres todos os dias.
se um homem, que se ache realmente morto, for chamado à vida por in-
tervenção divina, haverá verdadeiro milagre, por ser esse um fato contrá-
rio às leis da natureza. mas se em tal homem houver apenas aparências de
morte, se lhe restar uma vitalidade latente e a ciência, ou uma ação mag-
nética, conseguir reanimá-lo, para as pessoas esclarecidas ter-se-á dado
um fenômeno natural, mas, para o vulgo ignorante, o fato passará por
miraculoso. lance um físico, do meio de certas campinas, um papagaio
elétrico e faça que o raio caia sobre uma árvore e certamente esse novo
prometeu136 será tido por armado de diabólico poder. Houvesse, porém,
Josué137 detido o movimento do sol, ou, antes, da terra e teríamos aí o
verdadeiro milagre, porquanto nenhum magnetizador existe dotado de
bastante poder para operar semelhante prodígio.
foram fecundos em milagres os séculos de ignorância, porque se
considerava sobrenatural tudo aquilo cuja causa não se conhecia. À pro-
porção que a ciência revelou novas leis, o círculo do maravilhoso se
foi restringindo; mas como a ciência ainda não explorara todo o vasto
campo da natureza, larga parte dele ficou reservada para o maravilhoso.
3. expulso do domínio da materialidade, pela ciência, o maravi-
lhoso se encastelou no da espiritualidade, onde encontrou o seu último
refúgio. demonstrando que o elemento espiritual é uma das forças vivas
da natureza, força que incessantemente atua em concorrência com a for-
ça material, o espiritismo faz que voltem ao rol dos efeitos naturais os
136 N.E.: Na mitologia grega é um dos Titãs, roubou o fogo sagrado dos deuses e transmitiu-o aos ho-
mens. Zeus, para puni-lo, acorrentou-o ao Cáucaso, onde uma águia comia-lhe o fígado, que se rege-
nerava incessantemente. Foi libertado por Hércules.
137 N.E.: Também chamado de Oseias. Depois da morte de Moisés, Josué liderou o povo de Israel na con-
quista de Canaã e foi responsável por conduzir os israelitas à Terra Prometida. Sua liderança é narrada
no Livro de Josué, em que se destaca a tomada da cidade de Jericó entre outros fatos que contaram
com prodigiosa intervenção divina, como no dia em que o sol e a lua chegaram a parar durante a
batalha de Josué em defesa dos gibeonitas, contra o ataque de reis cananeus.
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