A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo

Os fluidos

 

sob o ponto de vista moral, trazem o cunho dos sentimentos de ódio,

de inveja, de ciúme, de orgulho, de egoísmo, de violência, de hipocri-

sia, de bondade, de benevolência, de amor, de caridade, de doçura etc.

sob o aspecto físico, são excitantes, calmantes, penetrantes, adstringen-

tes, irritantes, dulcificantes, soporíficos, narcóticos, tóxicos, reparadores,

expulsivos; tornam-se força de transmissão, de propulsão etc. o quadro

dos fluidos seria, pois, o de todas as paixões, das virtudes e dos vícios da

humanidade e das propriedades da matéria, correspondentes aos efeitos

que eles produzem.

18. sendo apenas espíritos encarnados, os homens têm uma par-

cela da vida espiritual, visto que vivem dessa vida tanto quanto da vida

corporal; primeiramente, durante o sono e, muitas vezes, no estado de

vigília. o espírito, encarnado, conserva, com as qualidades que lhe são

próprias, o seu perispírito que, como se sabe, não fica circunscrito pelo

corpo, mas irradia ao seu derredor e o envolve como que de uma atmos-

fera fluídica.

pela sua união íntima com o corpo, o perispírito desempenha pre-

ponderante papel no organismo. pela sua expansão, põe o espírito en-

carnado em relação mais direta com os espíritos livres e também com os

espíritos encarnados.

o pensamento do encarnado atua sobre os fluidos espirituais, como

o dos desencarnados, e se transmite de espírito a espírito pelas mesmas

vias e, conforme seja bom ou mau, saneia ou vicia os fluidos ambientes.

desde que estes se modificam pela projeção dos pensamentos do

espírito, seu invólucro perispirítico, que é parte constituinte do seu ser

e que recebe de modo direto e permanente a impressão de seus pensa-

mentos, há de, ainda mais, guardar a de suas qualidades boas ou más. os

fluidos viciados pelos eflúvios dos maus espíritos podem depurar-se pelo

afastamento destes, cujos perispíritos, porém, serão sempre os mesmos,

enquanto o espírito não se modificar por si próprio.

sendo o perispírito dos encarnados de natureza idêntica à dos flui-

dos espirituais, ele os assimila com facilidade, como uma esponja se em-

bebe de um líquido. esses fluidos exercem sobre o perispírito uma ação

tanto mais direta, quanto, por sua expansão e sua irradiação, o perispírito

com eles se confunde.

 

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Capítulo XIV

 

Atuando esses fluidos sobre o perispírito, este, a seu turno, reage

sobre o organismo material com que se acha em contato molecular. se

os eflúvios são de boa natureza, o corpo ressente uma impressão salutar;

se são maus, a impressão é penosa. se são permanentes e enérgicos, os

eflúvios maus podem ocasionar desordens físicas; não é outra a causa de

certas enfermidades.

os meios onde superabundam os maus espíritos são, pois, impreg-

nados de maus fluidos que o encarnado absorve pelos poros perispiríti-

cos, como absorve pelos poros do corpo os miasmas pestilenciais.

19. Assim se explicam os efeitos que se produzem nos lugares de

reunião. uma assembleia é um foco de irradiação de pensamentos di-

versos. é como uma orquestra, um coro de pensamentos, onde cada

um emite uma nota. resulta daí uma multiplicidade de correntes e de

eflúvios fluídicos cuja impressão cada um recebe pelo sentido espiritual,

como num coro musical cada um recebe a impressão dos sons pelo sen-

tido da audição.

mas, do mesmo modo que há radiações sonoras, harmoniosas ou

dissonantes, também há pensamentos harmônicos ou discordantes. se

o conjunto é harmonioso, agradável é a impressão; penosa, se aquele é

discordante. ora, para isso, não se faz mister que o pensamento se ex-

teriorize por palavras; quer ele se externe, quer não, a irradiação existe

sempre.

tal a causa da satisfação que se experimenta numa reunião simpá-

tica, animada de pensamentos bons e benévolos. envolve-a uma como

salubre atmosfera moral, onde se respira à vontade; sai-se reconfortado

dali, porque impregnado de salutares eflúvios fluídicos. basta, porém,

que se lhe misturem alguns pensamentos maus, para produzirem o efei-

to de uma corrente de ar gelado num meio tépido, ou o de uma nota

desafinada num concerto. desse modo também se explica a ansiedade, o

indefinível mal-estar que se experimenta numa reunião antipática, onde

malévolos pensamentos provocam correntes de fluido nauseabundo.

20. o pensamento, portanto, produz uma espécie de efeito físico

que reage sobre o moral, fato este que só o espiritismo podia tornar

compreensível. o homem o sente instintivamente, visto que procura

as reuniões homogêneas e simpáticas, onde sabe que pode haurir novas

forças morais, podendo-se dizer que, em tais reuniões, ele recupera as

 

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