A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo
Os fluidos
fluídica, e assumir outra aparência; ou, então, vistos através da camada
fluídica modificada, os traços primitivos podem tomar outra expressão.
se, saindo do terra a terra, o espírito encarnado se identifica com as
coisas do mundo espiritual, pode a expressão de um semblante feio tor-
nar-se bela, radiosa e até luminosa; se, ao contrário, o espírito é presa
de paixões más, um semblante belo pode tomar um aspecto horrendo.
Assim se operam as transfigurações, que refletem sempre qualidades
e sentimentos predominantes no espírito. o fenômeno resulta, portan-
to, de uma transformação fluídica; é uma espécie de aparição perispiríti-
ca, que se produz sobre o próprio corpo do vivo e, algumas vezes, no mo-
mento da morte, em lugar de se produzir ao longe, como nas aparições
propriamente ditas. o que distingue as aparições desse gênero é o serem,
geralmente, perceptíveis por todos os assistentes e com os olhos do cor-
po, precisamente por se basearem na matéria carnal visível, ao passo que,
nas aparições puramente fluídicas, não há matéria tangível.162
Manifestações físicas. Mediunidade
40. os fenômenos das mesas girantes e falantes, da suspensão
etérea de corpos pesados, da escrita mediúnica, tão antigos quanto o
mundo, porém vulgares hoje, facultam a explicação de alguns outros,
análogos e espontâneos, aos quais, pela ignorância da lei que os rege, se
atribuía caráter sobrenatural e miraculoso. tais fenômenos têm por base
as propriedades do fluido perispirítico, quer dos encarnados, quer dos
espíritos livres.
41. por meio do seu perispírito é que o espírito atuava sobre o seu
corpo vivo; ainda por intermédio desse mesmo fluido é que ele se mani-
festa; atuando sobre a matéria inerte, é que produz ruídos, movimentos
de mesa e outros objetos, que os levanta, derriba, ou transporta. nada
tem de surpreendente esse fenômeno, se considerarmos que, entre nós,
os mais possantes motores se encontram nos fluidos mais rarefeitos e
mesmo imponderáveis, como o ar, o vapor e a eletricidade.
é igualmente com o concurso do seu perispírito que o espírito faz
que os médiuns escrevam, falem, desenhem. Já não dispondo de corpo
tangível para agir ostensivamente quando quer manifestar-se, ele se serve
162 Nota de Allan Kardec: Exemplo e teoria da transfiguração: Revista espírita, março de 1859. (O livro dos
médiuns, 2a Parte, cap. VII.)
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Capítulo XIV
do corpo do médium, cujos órgãos toma de empréstimo, corpo ao qual
faz que atue como se fora o seu próprio, mediante o eflúvio fluídico que
verte sobre ele.
42. pelo mesmo processo atua o espírito sobre a mesa, quer para
que esta se mova, sem que o seu movimento tenha significação determi-
nada, quer para que dê pancadas inteligentes, indicativas das letras do
alfabeto, a fim de formarem palavras e frases, fenômeno esse denomina-
do tiptologia. A mesa não passa de um instrumento de que o espírito se
utiliza, como se utiliza do lápis para escrever. para esse efeito, dá-lhe ele
uma vitalidade momentânea, por meio do fluido que lhe inocula, porém
absolutamente não se identifica com ela.
praticam um ato ridículo as pessoas que, tomadas de emoção ao
manifestar-se um ser que lhes é caro, abraçam a mesa; é exatamente como
se abraçassem a bengala de que um amigo se sirva para bater no chão.
o mesmo fazem os que dirigem a palavra à mesa, como se o espírito se
achasse metido na madeira, ou como se a madeira se houvesse tornado
espírito.
Quando comunicações são transmitidas por esse meio, deve-se
imaginar que o espírito está, não na mesa, mas ao lado, tal qual estaria se
vivo se achasse e como seria visto, se no momento pudesse tornar-se visí-
vel. o mesmo ocorre nas comunicações pela escrita: ver-se-ia o espírito
ao lado do médium, dirigindo-lhe a mão ou transmitindo-lhe pensamen-
tos por meio de uma corrente fluídica.
43. Quando a mesa se destaca do solo e flutua no espaço sem
ponto de apoio, o espírito não a ergue com a força de um braço; envol-
ve-a e penetra-a de uma espécie de atmosfera fluídica que neutraliza o
efeito da gravitação, como faz o ar com os balões e papagaios. o fluido
que se infiltra na mesa dá-lhe momentaneamente maior leveza específi-
ca. Quando fica pregada ao solo, ela se acha numa situação análoga à da
campânula pneumática sob a qual se fez o vácuo. não há aqui mais que
simples comparações destinadas a mostrar a analogia dos efeitos e não a
semelhança absoluta das causas. (O livro dos médiuns, 2a parte, cap. iv.)
compreende-se, depois do que fica dito, que não há para o espírito,
maior dificuldade em arrebatar uma pessoa, do que em arrebatar uma mesa,
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