A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo

Os milagres do Evangelho

 

Jesus perguntou ao pai do menino: “desde quando isto lhe sucede?” — “desde

pequenino, diz o pai. — e o espírito o tem lançado, muitas vezes, ora à água, ora

ao fogo, para fazê-lo perecer; se alguma coisa puderes, tem compaixão de nós e

socorre-nos.”

 

respondeu-lhe Jesus: “se puderes crer, tudo é possível àquele que crê.” — logo

exclamou o pai do menino, banhado em lágrimas: “senhor, creio, ajuda-me na

minha incredulidade.”

 

Jesus, vendo que o povo acorria em multidão, falou em tom de ameaça ao espí-

rito impuro, dizendo-lhe: “espírito surdo e mudo sai desse menino e não entres

mais nele.” — então, o espírito, soltando grande grito e agitando o menino em

violentas convulsões, saiu, ficando como morto o menino, de sorte que muitos

diziam que ele morrera. — mas Jesus, tomando-lhe as mãos e amparando-o, fê-lo

levantar-se.

 

Quando Jesus voltou para casa, seus discípulos lhe perguntaram, em particular:

“por que não pudemos nós expulsar esse demônio?” — ele respondeu: “os de-

mônios desta espécie não podem ser expulsos senão pela prece e pelo jejum.”

( Marcos, 9:13 a 28.)

 

32. Apresentaram-lhe então um possesso cego e mudo e ele o curou, de modo

que o possesso começou a falar e a ver: — todo o povo ficou presa de admiração

e dizia: “não é esse o filho de davi?”

 

mas os fariseus, isso ouvindo, diziam: “este homem expulsa os demônios com o

auxílio de belzebu, príncipe dos demônios.”

 

Jesus, conhecendo-lhes os pensamentos, disse-lhes: “todo reino que se dividir

contra si mesmo será arruinado e toda cidade ou casa que se divide contra si

mesma não pode subsistir. — se satanás expulsa a satanás, ele está dividi-

do contra si mesmo, como, pois, o seu reino poderá subsistir? — e, se é por

belzebu que eu expulso os demônios, por quem os expulsarão vossos filhos? por

isso, eles próprios serão os vossos juízes. — se eu expulso os demônios pelo

espírito de deus, é que o reino de deus veio até vós.” (Mateus, 12:22 a 28.)

 

33. com as curas, as libertações de possessos figuram entre os

mais numerosos atos de Jesus. Alguns há, entre os fatos dessa natureza,

como os acima narrados, no item 30, em que a possessão não é evidente.

provavelmente, naquela época, como ainda hoje acontece, atribuía-se à

 

291

Capítulo XV

 

influência dos demônios todas as enfermidades cuja causa se não conhe-

cia, principalmente a mudez, a epilepsia e a catalepsia. outros há, toda-

via, em que nada tem de duvidosa a ação dos maus espíritos, casos esses

que guardam com os de que somos testemunhas tão frisante analogia,

que neles se reconhecem todos os sintomas de tal gênero de afecção. A

prova da participação de uma inteligência oculta, em tal caso, ressalta de

um fato material: são as múltiplas curas radicais obtidas, nalguns cen-

tros espíritas, pela só evocação e doutrinação dos espíritos obsessores,

sem magnetização, nem medicamentos e, muitas vezes, na ausência do

paciente e a grande distância deste. A imensa superioridade do cristo

lhe dava tal autoridade sobre os espíritos imperfeitos, chamados então

demônios, que lhe bastava ordenar se retirassem para que não pudessem

resistir a essa injunção. (cap. Xiv, item 46.)

34. o fato de serem alguns maus espíritos mandados meter-se em

corpos de porcos é o que pode haver de menos provável. Aliás, seria difícil

explicar a existência de tão numeroso rebanho de porcos num país onde

esse animal era tido em horror e nenhuma utilidade oferecia para a alimen-

tação. um espírito, porque mau, não deixa de ser um espírito humano,

embora tão imperfeito que continue a fazer mal, depois de desencarnar,

como o fazia antes, e é contra todas as leis da natureza que lhe seja possível

fazer morada no corpo de um animal. no fato, pois, a que nos referimos,

temos que reconhecer a existência de uma dessas ampliações tão comuns

nos tempos de ignorância e de superstição; ou, então, será uma alegoria

destinada a caracterizar os pendores imundos de certos espíritos.

35. parece que, ao tempo de Jesus, eram em grande número, na

Judeia, os obsidiados e os possessos, donde a oportunidade que ele teve

de curar a muitos. sem dúvida, os espíritos maus haviam invadido aquele

país e causado uma epidemia de possessões. (cap. Xiv, item 49.)

sem apresentarem caráter epidêmico, as obsessões individuais são

muitíssimo frequentes e se apresentam sob os mais variados aspectos que,

entretanto, por um conhecimento amplo do espiritismo, facilmente se

descobrem. podem, não raro, trazer consequências danosas à saúde, seja

agravando afecções orgânicas já existentes, seja ocasionando-as. um dia,

virão a ser, incontestavelmente, arroladas entre as causas patológicas que

requerem, pela sua natureza especial, especiais meios de tratamento. re-

velando a causa do mal, o espiritismo rasga nova senda à arte de curar e

 

292