A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo
Antigos e modernos sistemas do mundo
os grupos que tomaram o nome de constelações mais não são do
que agregados aparentes, causados pela distância; suas figuras não pas-
sam de efeitos de perspectiva, como as que as luzes espalhadas por uma
vasta planície ou as árvores de uma floresta formam, aos olhos de quem
as observa colocado num ponto fixo. na realidade, porém, tais agrupa-
mentos de estrela não existem. se nos pudéssemos transportar para a
reunião de uma dessas constelações, à medida que nos aproximássemos
dela, a sua forma se desmancharia e novos grupos se nos desenhariam à
vista.
ora, não existindo esses agrupamentos senão na aparência, é ilu-
sória a significação que uma supersticiosa crença vulgar lhe atribui e
somente na imaginação pode existir.
para se distinguirem as constelações, deram-se-lhes nomes como
estes: Leão, Touro, Gêmeos, Virgem, Balança ou Libra, Capricórnio, Cân-
cer ou Caranguejo, Órion, Hércules, Grande Ursa ou Ursa Maior ou Carro
de Davi, Pequena Ursa ou Ursa Menor, Lira etc., e, para representá-las,
atribuíram-se-lhes as formas aparentes que esses nomes lembram, fanta-
siosas em sua maioria e, em nenhum caso, guardando qualquer relação
com os grupos de estrelas assim chamados. fora, pois, inútil procurar
no céu tais formas.
A crença na influência das constelações, sobretudo das que consti-
tuem os doze signos do zodíaco, proveio da ideia ligada aos nomes que
elas trazem. se à que se chama leão fosse dado o nome de asno ou de
ovelha, certamente lhe teriam atribuído outra influência.
13. A partir de copérnico e galileu, as velhas cosmogonias jamais
foram destruídas. A Astronomia só podia avançar, não recuar. A Histó-
ria diz das lutas que esses homens de gênio tiveram de sustentar contra
os preconceitos e, sobretudo, contra o espírito de seita, interessado em
manter erros sobre os quais se haviam fundado crenças, supostamente
firmadas em bases inabaláveis. bastou a invenção de um instrumento de
óptica para derrocar uma construção de muitos milhares de anos. nada,
é claro, poderia prevalecer contra uma verdade reconhecida como tal.
graças à tipografia, o público, iniciado nas novas ideias, entrou a não
se deixar embalar com ilusões e tomou parte na luta. Já não era contra
indivíduos que os sustentadores das velhas ideias tinham de combater,
mas contra a opinião geral, que esposava a causa da verdade.
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Capítulo V
Quão grande é o universo em face das mesquinhas proporções
que nossos pais lhe assinavam! Quanto é sublime a obra de deus, desde
que a vemos realizar-se conformemente às eternas leis da natureza! mas,
também, quanto tempo, que de esforços do gênio, que de devotamentos
se fizeram necessários para descerrar os olhos às criaturas e arrancar-lhes,
afinal, a venda da ignorância!
14. estava desde então aberto o caminho em que ilustres e nu-
merosos sábios iam entrar, a fim de completarem a obra encetada. na
Alemanha, Kepler descobre as célebres leis que lhe conservam o nome e
por meio das quais se reconhece que as órbitas que os planetas descre-
vem não são circulares, mas elipses, das quais o sol ocupa um dos focos.
newton, na inglaterra, descobre a lei da gravitação universal. laplace,
na frança, cria a mecânica celeste. finalmente, a Astronomia deixa de
ser um sistema fundado em conjeturas ou probabilidades e torna-se uma
ciência assente nas mais rigorosas bases, as do cálculo e da geometria.
fica assim lançada uma das pedras fundamentais da gênese, cerca de
3.300 anos depois de moisés.
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cApítulo vi
M
uranografia geral29
• o espaço e o tempo • A matéria • As leis e as forças
• A criação primária • A criação universal • os sóis e os
planetas • os satélites • os cometas • A via láctea • As
estrelas fixas • os desertos do espaço • eterna sucessão dos
mundos • A vida universal • diversidade dos mundos
O espaço e o tempo
1. Já muitas definições de espaço foram dadas, sendo a principal
esta: o espaço é a extensão que separa dois corpos, na qual certos sofistas
deduziram que onde não haja corpos não haverá espaço. nisto foi que
se basearam alguns doutores em teologia para estabelecer que o espaço é
necessariamente finito, alegando que certo número de corpos finitos não
poderiam formar uma série infinita e que, onde acabassem os corpos,
igualmente o espaço acabaria.
também definiram o espaço como o lugar onde se movem os
mundos, o vazio onde a matéria atua etc. deixemos todas essas defini-
ções, que nada definem, nos tratados onde repousam.
espaço é uma dessas palavras que exprimem uma ideia primitiva e
axiomática, de si mesma evidente, e a respeito dela as diversas definições
que se possam dar nada mais fazem do que obscurecê-la. todos sabemos
29 Nota de Allan Kardec: Este capítulo é textualmente extraído de uma série de comunicações ditadas à
Sociedade Espírita de Paris, em 1862 e 1863, sob o título — Estudos uranográficos, e assinada GALILEU.
Médium: C. F. [Estas são as iniciais do nome de Camille Flammarion.]
Capítulo VI
o que é o espaço e eu apenas quero firmar que ele é infinito, a fim de que
os nossos estudos ulteriores não encontrem uma barreira opondo-se às
investigações do nosso olhar.
ora, digo que o espaço é infinito, pela razão de ser impossível
imaginar-se-lhe um limite qualquer e porque, apesar da dificuldade com
que topamos para conceber o infinito, mais fácil nos é avançar eterna-
mente pelo espaço, em pensamento, do que parar num ponto qualquer,
depois do qual não mais encontrássemos extensão a percorrer.
para figurarmos, quanto no-lo permitam as nossas limitadas fa-
culdades, a infinidade do espaço, suponhamos que, partindo da terra,
perdida no meio do infinito, para um ponto qualquer do universo, e isso
com a velocidade prodigiosa da centelha elétrica, que percorre milhares
de léguas por segundo, e que mal tendo deixado este globo já tenhamos
percorrido milhões de léguas, nos achamos num lugar donde apenas
divisamos a terra sob o aspecto de pálida estrela. passado um instante,
seguindo sempre a mesma direção, chegamos a essas estrelas longínquas
que mal percebeis da vossa estação terrestre. daí, não só a terra nos de-
saparece inteiramente do olhar nas profundezas do céu, como também o
próprio sol, com todo o seu esplendor, se há eclipsado pela extensão que
dele nos separa. Animados sempre da mesma velocidade do relâmpago,
a cada passo que avançamos na extensão, transpomos sistemas de mun-
dos, ilhas de luz etérea, estradas estelíferas, paragens suntuosas onde
deus semeou mundos na mesma profusão com que semeou as plantas
nas pradarias terrenas.
ora, há apenas poucos minutos que caminhamos e já centenas de
milhões e milhões de léguas nos separam da terra, bilhões de mundos
nos passaram sob as vistas e, entretanto, escutai! em realidade, não avan-
çamos um só passo que seja no universo.
se continuarmos durante anos, séculos, milhares de séculos, mi-
lhões de períodos cem vezes seculares e sempre com a mesma velocidade
do relâmpago, nem um passo teremos avançado, qualquer que seja o lado
para onde nos dirijamos e qualquer que seja o ponto para onde nos en-
caminhemos, a partir desse grãozinho invisível donde saímos e a que
chamamos terra.
eis aí o que é o espaço!
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