A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo

Os milagres do Evangelho

 

Jesus, notando-lhe a fé, disse ao paralítico: “meu filho, tem confiança; perdoa-

dos te são os teus pecados.”

 

logo alguns escribas disseram entre si: “este homem blasfema.” — Jesus, tendo

percebido o que eles pensavam, perguntou-lhes: “por que alimentais maus pensa-

mentos em vossos corações? — pois, que é mais fácil dizer: — teus pecados te

são perdoados, ou dizer: levanta-te e anda?

 

ora, para que saibais que o filho do Homem tem na terra o poder de remitir

os pecados: levanta-te, disse então ao paralítico, toma o teu leito e vai para tua

casa.”

 

o paralítico se levantou imediatamente e foi para sua casa. vendo aquele mi-

lagre, o povo se encheu de temor e rendeu graças a deus, por haver concedido

tal poder aos homens. (Mateus, 9:1 a 8.)

 

15. Que significariam aquelas palavras: “teus pecados te são re-

mitidos” e em que podiam elas influir para a cura? o espiritismo lhes

dá a explicação, como a uma infinidade de outras palavras incompreen-

didas até hoje. por meio da pluralidade das existências, ele ensina que

os males e aflições da vida são muitas vezes expiações do passado, bem

como que sofremos na vida presente as consequências das faltas que

cometemos em existência anterior e, assim, até que tenhamos pago a

dívida de nossas imperfeições, pois que as existências são solidárias umas

com as outras.

se, portanto, a enfermidade daquele homem era uma expiação do

mal que ele praticara, o dizer-lhe Jesus: “teus pecados te são remitidos”

equivalia a dizer-lhe: “pagaste a tua dívida; a fé que agora possuis elidiu

a causa da tua enfermidade; conseguintemente, mereces ficar livre dela.”

daí o haver dito aos escribas: “tão fácil é dizer: teus pecados te são

perdoados, como: levanta-te e anda.” cessada a causa, o efeito tem que

cessar. é precisamente o caso do encarcerado a quem se declara: “teu

crime está expiado e perdoado”, o que equivaleria a se lhe dizer: “podes

sair da prisão.”

 

Os dez leprosos

 

16. um dia, indo ele para Jerusalém, passava pelos confins da samaria e da

galileia — e, estando prestes a entrar numa aldeia, dez leprosos vieram ao seu

 

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Capítulo XV

 

encontro e, conservando-se afastados, clamaram em altas vozes: “Jesus, senhor

nosso, tem piedade de nós.” — dando com eles, disse-lhes Jesus: “ide mostrar-

-vos aos sacerdotes.” Quando iam a caminho, ficaram curados.

 

um deles, vendo-se curado, voltou sobre seus passos, glorificando a deus em

altas vozes; — e foi lançar-se aos pés de Jesus, com o rosto em terra, a lhe render

graças. esse era samaritano.

 

disse então Jesus: “não foram curados todos dez? onde estão os outros nove? —

nenhum deles houve que voltasse e glorificasse a deus, a não ser este estrangeiro?”

— e disse a esse: “levanta-te; vai; tua fé te salvou.” (Lucas, 17:11 a 19.)

 

17. os samaritanos eram cismáticos,168 mais ou menos como os

protestantes com relação aos católicos, e os judeus os tinham em despre-

zo, como heréticos. curando indistintamente os judeus e os samaritanos,

dava Jesus, ao mesmo tempo, uma lição e um exemplo de tolerância; e

fazendo ressaltar que só o samaritano voltara a glorificar a deus, mostra-

va que havia nele maior soma de verdadeira fé e de reconhecimento, do

que nos que se diziam ortodoxos. Acrescentando: “tua fé te salvou”, fez

ver que deus considera o que há no âmago do coração e não a forma ex-

terior da adoração. entretanto, também os outros tinham sido curados.

fora mister que tal se verificasse, para que ele pudesse dar a lição que

tinha em vista e tornar-lhes evidente a ingratidão. Quem sabe, porém,

o que daí lhes haja resultado; quem sabe se eles terão se beneficiado da

graça que lhes foi concedida? dizendo ao samaritano: “tua fé te salvou”,

dá Jesus a entender que o mesmo não aconteceu aos outros.

 

Mão seca

 

18. de outra vez entrou Jesus no templo e aí encontrou um homem que tinha

seca uma das mãos. — e eles o observavam para ver se ele o curaria em dia de

sábado, para terem um motivo de o acusar. — então, disse ele ao homem que

tinha a mão seca: “levanta-te e coloca-te ali no meio.” — depois, disse-lhes:

“é permitido em dia de sábado fazer o bem ou mal, salvar a vida ou tirá-la?”

eles permaneceram em silêncio. — ele, porém, encarando-os com indignação,

tanto o afligia a dureza de seus corações, disse ao homem: “estende a tua mão.”

ele a estendeu e ela se tornou sã.

 

168 N.E.: Aqueles que se separaram do corpo ou da comunhão de uma religião.

 

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