A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo
Os milagres do Evangelho
logo os fariseus saíram e se reuniram contra ele em conciliábulo com os he-
rodianos, sobre o meio de o perderem. — mas Jesus se retirou com seus dis-
cípulos para o mar, acompanhando-o grande multidão de povo da galileia e
da Judeia — de Jerusalém, da idumeia e de além Jordão; e os das cercanias de
tiro e de sídon, tendo ouvido falar das coisas que ele fazia, vieram em grande
número ao seu encontro. (Marcos, 3:1 a 8.)
A mulher curvada
19. todos os dias de sábado Jesus ensinava numa sinagoga. — um dia, viu ali
uma mulher possuída de um espírito que a punha doente, havia dezoito anos;
era tão curvada, que não podia olhar para cima. — vendo-a, Jesus a chamou
e lhe disse: “mulher, estás livre da tua enfermidade.” — impôs-lhe ao mesmo
tempo as mãos e ela, endireitando-se, rendeu graças a deus.
mas o chefe da sinagoga, indignado por haver Jesus feito uma cura em dia de
sábado, disse ao povo: “Há seis dias destinados ao trabalho; vinde nesses dias
para serdes curados e não nos dias de sábado.”
o senhor, tomando a palavra, disse-lhe: “Hipócrita, qual de vós não solta da
carga o seu boi ou seu jumento em dia de sábado e não o leva a beber? — por
que então não se deveria libertar, em dia de sábado, dos laços que a prendiam,
esta filha de Abraão, que satanás conservara atada durante dezoito anos?”
A estas palavras, todos os seus adversários ficaram confusos e todo o povo
encantado de vê-lo praticar tantas ações gloriosas. (Lucas, 13:10 a 17.)
20. este fato prova que naquela época a maior parte das enfermi-
dades era atribuída ao demônio e que todos confundiam, como ainda
hoje, os possessos com os doentes, mas em sentido inverso, isto é, hoje,
os que não acreditam nos maus espíritos confundem as obsessões com
as moléstias patológicas.
O paralítico da piscina
21. depois disso, tendo chegado a festa dos judeus, Jesus foi a Jerusalém. — ora,
havia em Jerusalém a piscina das ovelhas, que se chama em hebreu Betesda, a qual
tinha cinco galerias — onde, em grande número, se achavam deitados doentes, ce-
gos, coxos e os que tinham ressecados os membros, todos à espera de que as águas
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Capítulo XV
fossem agitadas — porque, o anjo do senhor, em certa época, descia àquela pis-
cina e lhe movimentava a água e aquele que fosse o primeiro a entrar nela, depois
de ter sido movimentada a água, ficava curado, qualquer que fosse a sua doença.
ora, estava lá um homem que se achava doente havia trinta e oito anos. — Jesus,
tendo-o visto deitado e sabendo-o doente desde longo tempo, perguntou-lhe:
“Queres ficar curado?” — o doente respondeu: “senhor, não tenho ninguém que
me lance na piscina depois que a água for movimentada; e, durante o tempo que
levo para chegar lá, outro desce antes de mim.” — disse-lhe Jesus: “levanta-te,
toma o teu leito e vai-te.” — no mesmo instante o homem se achou curado e,
tomando de seu leito, pôs-se a andar. ora, aquele dia era um sábado.
disseram então os judeus ao que fora curado: “não te é permitido levares o teu
leito.” — respondeu o homem: “Aquele que me curou disse: toma o teu leito
e anda.” — perguntaram-lhe eles então: “Quem foi esse que te disse: ‘toma o
teu leito e anda?’” — mas nem mesmo o que fora curado sabia quem o curara,
porquanto Jesus se retirara do meio da multidão que lá estava.
depois, encontrando aquele homem no templo, Jesus lhe disse: “vês que foste
curado; não tornes de futuro a pecar, para que te não aconteça coisa pior.”
o homem foi ter com os judeus e lhes disse que fora Jesus quem o curara. —
era por isso que os judeus perseguiam a Jesus, porque ele fazia essas coisas em
dia de sábado. — então, Jesus lhes disse: “meu pai não cessa de trabalhar até ao
presente e eu também trabalho incessantemente.” (João, 5:1 a 17.)
22. “piscina” (da palavra latina piscis, peixe), entre os romanos,
eram chamados os reservatórios ou viveiros onde se criavam peixes.
mais tarde, o termo se tornou extensivo aos tanques destinados a ba-
nhos em comum.
A piscina de betesda, em Jerusalém, era uma cisterna, próxima ao
templo, alimentada por uma fonte natural, cuja água parece ter tido
propriedades curativas. era, sem dúvida, uma fonte intermitente que,
em certas épocas, jorrava com força, agitando a água. segundo a crença
vulgar, esse era o momento mais propício às curas. talvez que, na reali-
dade, ao brotar da fonte a água, mais ativas fossem as suas propriedades,
ou que a agitação que o jorro produzia na água fizesse vir à tona a vasa169
169 N.E.: Espécie de lama, fina e inconsistente, característica de certos fundos oceânicos, constituída por
carapaças microscópicas de animais ou elementos minerais.
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