A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo
Deus
transviará. se, portanto, o homem há errado tantas vezes, é unicamente
por não ter seguido o roteiro que lhe estava indicado.
tal também o critério infalível de todas as doutrinas filosóficas e re-
ligiosas. para apreciá-las, dispõe o homem de uma medida rigorosamente
exata nos atributos de deus e pode afirmar a si mesmo que toda teoria,
todo princípio, todo dogma, toda crença, toda prática que estiver em contradi-
ção com um só que seja desses atributos, que tenda não tanto a anulá-lo, mas
simplesmente a diminuí-lo, não pode estar com a verdade.
Em Filosofia, em Psicologia, em Moral, em Religião, só há de verdadei-
ro o que não se afaste, nem um til, das qualidades essenciais da Divindade.
A religião perfeita será aquela de cujos artigos de fé nenhum esteja em
oposição àquelas qualidades; aquela cujos dogmas todos suportem a prova
dessa verificação sem nada sofrerem.
A Providência
20. A providência é a solicitude de deus para com as suas criaturas.
ele está em toda parte, tudo vê, a tudo preside, mesmo às menores coisas.
é nisto que consiste a ação providencial.
“como pode deus, tão grande, tão poderoso, tão superior a tudo,
imiscuir-se em pormenores ínfimos, preocupar-se com os menores atos e
os menores pensamentos de cada indivíduo?” esta a interrogação que a
si mesmo dirige o incrédulo, concluindo por dizer que, admitida a exis-
tência de deus, só se pode admitir, quanto à sua ação, que ela se exerça
sobre as leis gerais do universo; que o universo funcione de toda a eterni-
dade em virtude dessas leis, às quais toda criatura se acha submetida na
esfera de suas atividades, sem que haja mister a intervenção incessante da
providência.
21. no estado de inferioridade em que ainda se encontram, só mui-
to dificilmente podem os homens compreender que deus seja infinito,
pois, vendo-se limitados e circunscritos, eles o imaginam também cir-
cunscrito e limitado. imaginando-o circunscrito, figuram-no quais eles
são, à imagem e semelhança deles. os quadros em que o vemos com tra-
ços humanos não contribuem pouco para entreter esse erro no espírito das
massas, que nele adoram mais a forma que o pensamento. para a maioria,
é ele um soberano poderoso, sentado num trono inacessível e perdido na
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Capítulo II
imensidade dos céus. tendo restritas suas faculdades e percepções, não
compreendem que deus possa e se digne de intervir diretamente nas
pequeninas coisas.
22. impotente para compreender a essência mesma da divindade, o
homem não pode fazer dela mais do que uma ideia aproximativa, median-
te comparações necessariamente muito imperfeitas, mas que, ao menos,
servem para lhe mostrar a possibilidade daquilo que, à primeira vista, lhe
parece impossível.
suponhamos um fluido bastante sutil para penetrar todos os cor-
pos. sendo ininteligente, esse fluido atua mecanicamente, por meio tão
só das forças materiais. se, porém, o supusermos dotado de inteligência,
de faculdades perceptivas e sensitivas, ele já não atuará às cegas, mas com
discernimento, com vontade e liberdade: verá, ouvirá e sentirá.
23. As propriedades do fluido perispirítico podem nos dar uma
ideia. ele não é de si mesmo inteligente, pois que é matéria, mas é o
veículo do pensamento, das sensações e percepções do espírito. o flui-
do perispiritual não é o pensamento do espírito; é, porém, o agente e o
intermediário desse pensamento. sendo ele que o transmite, fica, de certo
modo, impregnado do pensamento transmitido, e na impossibilidade em
que nos achamos de isolar o pensamento, a nós parece que ele faz corpo
com o fluido, dando a entender que são uma coisa só, como sucede com
o som e o ar, de maneira que podemos, a bem dizer, materializá-lo. Assim
como dizemos que o ar se torna sonoro, poderíamos, tomando o efeito
pela causa, dizer que o fluido se torna inteligente.
24. seja ou não assim no que concerne ao pensamento de deus, isto
é, que o pensamento de deus atue diretamente ou por intermédio de um
fluido, para facilitar a nossa inteligência, figuremo-lo sob a forma concre-
ta de um fluido inteligente que enche o universo infinito e penetra todas
as partes da criação: a natureza inteira está mergulhada no fluido divino.
ora, em virtude do princípio de que as partes de um todo são da mesma
natureza e têm as mesmas propriedades que ele, cada átomo desse fluido,
se assim nos podemos exprimir, possuindo o pensamento, isto é, os atri-
butos essenciais da divindade e estando o mesmo fluido em toda parte,
tudo está submetido à sua ação inteligente, à sua previdência, à sua soli-
citude. nenhum ser haverá, por mais ínfimo que o suponhamos, que não
esteja saturado dele. Achamo-nos então, constantemente, em presença da
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