A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo
Uranografia geral
às modificações de forma, que o seu movimento de rotação sucessiva-
mente lhe imprime.
ela, pois, não terá dado nascimento a um só astro, mas a centenas
de mundos destacados do foco central, saídos dela pelo modo de forma-
ção mencionado acima. ora, cada um de seus mundos, revestido, como
o mundo primitivo, das forças naturais que presidem à criação dos uni-
versos gerará sucessivamente novos globos que desde então lhe gravita-
rão em torno, como ele, juntamente com seus irmãos, gravita em torno
do foco que lhes deu existência e vida. cada um desses mundos será
um sol, centro de um turbilhão de planetas sucessivamente destacados
do seu equador. esses planetas receberão uma vida especial, particular,
embora dependente do astro que os gerou.
23. os planetas são, assim, formados de massas de matéria con-
densada, porém, ainda não solidificada, destacadas da massa central pela
ação de força centrífuga e que tomam, em virtude das leis do movi-
mento, a forma esferoidal, mais ou menos elíptica, conforme o grau de
fluidez que conservaram. um desses planetas será a terra que, antes de
se resfriar e revestir de uma crosta sólida, dará nascimento à lua, pelo
mesmo processo de formação astral a que ela própria deveu a sua exis-
tência. A terra, doravante inscrita no livro da vida, berço de criaturas
cuja fraqueza as asas da divina providência protege, nova corda colocada
na harpa infinita e que, no lugar que ocupa, tem de vibrar no concerto
universal dos mundos.
Os satélites
24. Antes que as massas planetárias houvessem atingido um grau
de resfriamento, bastante a lhes operar a solidificação, massas menores,
verdadeiros glóbulos líquidos, se desprenderam de algumas no plano
equatorial, plano em que é maior a força centrífuga, e, por efeito das
mesmas leis, adquiriram um movimento de translação em torno do pla-
neta que as gerou, como sucedeu a estes com relação ao astro central que
lhes deu origem.
foi assim que a terra deu nascimento à lua, cuja massa, menos
considerável, teve que sofrer um resfriamento mais rápido. ora, as leis e
as forças que presidiram ao fato de ela se destacar do equador terreno, e
105
Capítulo VI
o seu movimento de translação no mesmo plano, agiram de tal sorte que
esse mundo, em vez de revestir a forma esferoidal, tomou a de um globo
ovoide, isto é, a forma alongada de um ovo, com o centro de gravidade
fixado na parte inferior.
25. As condições em que se efetuou a desagregação da lua pou-
co lhe permitiram afastar-se da terra e a constrangeram a conservar-se
perpetuamente suspensa no seu firmamento, como uma figura ovoide,
cujas partes mais pesadas formaram a face inferior voltada para a terra
e as partes menos densas lhe constituíram o vértice, se com essa pala-
vra se designar a face que, do lado oposto à terra, se eleva para o céu.
é o que faz que esse astro nos apresente sempre a mesma face. para
melhor compreender-se o seu estado geológico, pode ele ser compa-
rado a um globo de cortiça, tendo formada de chumbo a face voltada
para a terra.
daí, duas naturezas essencialmente distintas na superfície do
mundo lunar: uma, sem qualquer analogia com o nosso, porquanto
lhe são desconhecidos os corpos fluidos e etéreos; a outra, leve, rela-
tivamente à terra, pois que todas as substâncias menos densas se en-
caminharam para esse hemisfério. A primeira, perpetuamente voltada
para a terra, sem águas e sem atmosfera, a não ser, aqui e ali, nos limi-
tes desse hemisfério terrestre; a outra, rica de fluidos, perpetuamente
oposta ao nosso mundo.38, 39
38 Nota de Allan Kardec: Esta teoria da Lua, nova inteiramente, explica, pela lei da gravitação, o motivo
por que esse astro apresenta sempre a mesma face para a Terra. Tendo o centro de gravidade num
dos pontos de sua superfície, em vez de estar no centro da esfera, e sendo, em consequência, atraído
para a Terra por uma força maior do que a que atrai as partes mais leves, a Lua pode ser tida como
uma dessas figuras chamadas vulgarmente joão-teimoso, que se levantam constantemente sobre a
sua base, ao passo que os planetas, cujo centro de gravidade está a distâncias iguais da superfície,
giram regularmente sobre o próprio eixo. Os fluidos vivificantes, gasosos ou líquidos, por virtude da
sua leveza específica, se encontrariam acumulados no hemisfério superior, perenemente oposto à
Terra. O hemisfério inferior, o único que vemos, seria desprovido de tais fluidos e, por isso, impróprio
à vida que, entretanto, reinaria no outro. Se, pois, o hemisfério superior é habitado, seus habitantes
jamais viram a Terra, a menos que excursionem pelo outro hemisfério, o que lhes seria impossível,
desde que este carece das condições indispensáveis à vitalidade.
Por muito racional e científica que seja essa teoria, como ainda não foi confirmada por nenhuma
observação direta, somente a título de hipótese pode ser aceita e como ideia capaz de servir de
baliza à Ciência. Não se pode, porém, deixar de convir em que é a única, até o presente, que dá uma
explicação satisfatória das particularidades que apresenta o globo lunar.
39 N.E.: A Lua é o único satélite natural da Terra. Atualmente, a teoria mais aceita para a origem da Lua
surgiu em 1975, a teoria do Grande Impacto, proposta pelo Instituto de Ciências Planetárias de
Tucson e pelo Instituto Harvard-Smithsonian de Astrofísica. Após a análise de amostras de solo e
rochas lunares coletadas pelas missões Apollo, os cientistas chegaram à conclusão que há cerca de
106