Complexo de Cinderela

Colette Dowling · Capítulo 9 de 60

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Complexo de Cinderela

A menininha dentro de cada mulher

 

É m uito difícil para m im fazer qualquer coisa sozinha. Sem pre senti que m eu lugar era 'por trás' de alguém . Eu tinha um irm ão m ais velho que era perfeito. Em m uitos aspectos eu m e sentia feliz por crescer à sua som bra. Isso m e proporcionava um a sensação de segurança. Freqüentem ente sinto-m e inadequada por não ser casada nem ter filhos, apesar de saber que isso é considerado legal e m oderno, especialm ente aqui em San Francisco. Mas não foi assim que fui criada, e não é assim que quero ser. Nunca senti querer realm ente ser independente.

Essa adm issão de dependência foi extraída de um a entrevista gravada com um a bem -sucedida psicoterapeuta solteira de trinta e dois anos, com doutorado em psicologia. Fem inista, ela pratica a profissão na Califórnia; é irônico notar, contudo, com o está confusa em relação a seu papel no m undo — a aguda contradição entre sua necessidade básica de estar seguram ente "por trás" de alguém e sua am bição de êxito, de progredir, de viver por sua própria conta. "Sem pre que a vida fica m uito difícil, a possibilidade de desistir e refugiar-se sob a proteção m asculina faz-se presente, num golpe m ortal à determ inação de sobreviver independentem ente", escreve Judith Coburn em Mademoiselle. "Nas ocasiões em que deixo as contas atrasadas se am ontoarem , o carro praticam ente cair aos pedaços e coisas desse tipo, o que estou anunciando é: vej a, sozinha não dá, preciso que alguém venha m e salvar."

Outra m ulher, um a talentosa com positora que se diz "fem inista m ilitante", está tentando entender por que não consegue reunir energias para se lançar na indústria da m úsica. "Talvez eu sim plesm ente estej a querendo que um hom em tom e conta de m im ", conclui.

Basta ouvir conversas de m ulheres hoj e e logo fica claro que a "nova m ulher" na realidade não é nada nova; ela é um a m utante. Ela vive num a espécie de Terra do Nunca, num a gangorra entre dois conj untos de valores, o velho e o novo. Em ocionalm ente, ela não está em paz com nenhum dos dois, nem acha m eios de integrá-los. "Todas as portas estão abertas", escreve Anne Flem ing Tay lor na Vogue; a questão, porém , é decidir qual porta adentrar: "Se som os boas m ães, podem os trabalhar? Se trabalham os bem , podem os am ar? Devem os com petir lá fora ou não? Podem os ficar em casa e não nos sentirm os culpadas, inúteis e estranham ente feridas?"

Confusas e ansiosas, as m ulheres recuam frente à possibilidade de vivência total de suas potencialidades. Um a agente turística que conheci no verão passado disse: "Ainda não som os capazes de firm ar-nos em nossos próprios pés e dizerm os 'Sim ! Posso fazer isso. Sou com petente'. O m edo ainda im pera entre nós".