Complexo de Cinderela

Colette Dowling · Capítulo 32 de 60

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Complexo de Cinderela

A traição da mãe

Cônscia da conexão entre sua dependência dos pais e o enorm e abalo sentido quando da perda do em prego, Meredith diz: "Eu tinha m edo de não poder existir sem a em presa. Eu não tinha quaisquer econom ias. Nada de caderneta de poupança, pois a com panhia sem pre m e proporcionara 'm ordom ias' — igualzinho a papai. De repente, a influência que m eu pai tivera sobre m inha vida tornou-se dolorosam ente clara. Vi que, se quisesse m odificar esse estado de coisas, teria de esquecer o que ele desej ava e ir em frente, fazer o que eu desej ava".

Pela prim eira vez em sua vida, Meredith se tornou realista e dona de si. Concluiu que, naquela altura, a situação econôm ica geral era instável dem ais para favorecer um a m udança de carreira. Assim , abriu um a firm a de consultoria editorial. Alugou um pequeno escritório num a ótim a localização em Manhattan, contratou um a equipe pequena, m as com petente, e foi à caça de clientes im portantes — e obteve êxito. Hoj e, dois anos m ais tarde, ela está bem , tanto profissional com o financeiram ente. "Agora", diz ela, "tenho o dinheiro e a confiança necessários para m udar de área de atuação, se o desej ar. Pela prim eira vez na vida, sei o que sou capaz de fazer por m inha conta, porque pus os pés no chão e agi!"

 

A traição da mãe

 

Em geral as filhas encaram os problem as de suas vidas com o sendo originados na relação com seus pais, hom ens altivos e dom inadores. Na realidade, contudo, am bos os pais contribuem para a dificuldade fem inina em crescer e libertar-se. A m ãe indefinida tende a ser quase tão dependente da filha quanto o é do m arido. Ela peca por om issão, por não apoiar os esforços da filha no sentido de viver por sua conta.

A Dra. Moulton relata o caso de um a profissional brilhante que durante anos sofreu fortes conflitos por causa das exigências da m ãe, m ulher dependente. De qualquer m odo, essa m ulher foi obstinadam ente levando sua vida, chegando a com pletar o doutorado. Casou-se, teve filhos e continuou a trabalhar em regim e de período parcial. Apesar de ter passado por um longo e penoso trabalho terapêutico com o fim de libertar-se das garras opressivas de um a m ãe dependente, agora que estava confortavelm ente aj ustada a um a vida em que casa e trabalho se harm onizavam , quanta m ágoa sentia dos atos vingativos da m ãe! E pudera! A m ãe atacava a filha com todo tipo de reprovação: ela não deveria estar trabalhando; coisas terríveis aconteceriam às crianças; seu lugar era no lar; e assim por diante. O coup de grâce, no caso, foi que a m ãe causou um tum ulto fam iliar de tais proporções que o pai da m ulher em questão ofereceu-se para pagar-lhe um salário se ela acedesse em ficar em casa com os filhos e "descansar". Dessa form a, disse a m ulher à Dra. Moulton, "m inha m ãe não m ais se preocuparia e pararia de encher a paciência dele". "Desde pequena, sem pre m e preocupei vagam ente com m inha m ãe", contou-m e outra filhinha de papai. "Eu sem pre tinha a im pressão de que ela não estava obtendo tanta atenção de m eu pai quanto eu. Durante o café da m anhã, era sem pre com igo que ele discutia os editoriais do j ornal. Minha m ãe estava sem pre lavando a louça ou tirando biscoitos recém -preparados do forno." Nesses triângulos, por vezes as m ães disputam abertam ente com as filhas a atenção de seus m aridos. Em geral o que com unicam é um a esperança lentam ente deteriorante em relação a seu próprio futuro, m esclada com invej a. Sentem -se ansiosas e ignoram a razão disso. Ficam desapontadas com o m ovim ento de avanço (das filhas) para o m undo m aior; no íntim o experim entam esse m ovim ento com o um a rej eição.