Complexo de Cinderela

Colette Dowling · Capítulo 34 de 60

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Complexo de Cinderela

Inveja e competitividade: o círculo vicioso

Com parativam ente aos hom ens, as m ulheres têm m enos confiança em sua capacidade de j ulgam ento; em seus relacionam entos, com um ente outorgam a tarefa de tom ada de decisões aos parceiros — situação que, com o passar do tem po, apenas faz com que se tornem m enos confiantes em seu poder de j ulgam ento.

O que m ais im pressiona é verificar que as m ulheres são m enos capazes do que os hom ens de realizar seu potencial intelectual. Num im portante estudo sobre diferenças sexuais no tocante ao funcionam ento intelectual, a Dra. Eleanor Maccoby, de Stanford, concluiu: "Na idade adulta... os hom ens realizam substancialm ente m ais do que as m ulheres em quase todos os aspectos da atividade intelectual onde é possível a com paração: livros e artigos publicados, produções artísticas e feitos científicos". De fato, à m edida que avançam em idade (a partir da adolescência), as m ulheres obtêm resultados gradativam ente decrescentes quanto ao item "inteligência total", devido à sua tendência em utilizar a inteligência cada vez m enos, a partir do m om ento em que se form am . Outros estudos revelam que a capacidade intelectual pode m esm o chegar a se debilitar por traços de um a personalidade dependente. O tipo de personalidade dependente ou conform ista apóia-se fortem ente nas "dicas externas" — ou dicas dos outros —, e isso pode enfraquecer o processo interno de análise seqüencial.

 

Inveja e competitividade: o círculo vicioso

 

Um estudo levado a cabo há vários anos revelou algo m uito interessante sobre o que acontece às m ulheres quando trabalham em colaboração com outrem . A som a de auto-confiança possuída pelas m ulheres acha-se em proporção inversa ao nível de desem penho de seus cooperadores. Incrível, m as quanto m aior o desem penho do colaborador, m enor a atribuição dada péla m ulher à sua própria com petência.

A confiança e auto-estim a são pontos em prim eiro plano no panoram a das dificuldades fem ininas quanto à realização. A falta de confiança subm erge-nos nas águas turvas da invej a. Crem os que os hom ens funcionam sem problem as — e, com o garotinhas invej osas da liberdade incondicional dos irm ãos m ais velhos, acham os m ais fácil enfocar a "sorte" m asculina e o "azar" fem inino. Isoladas num a situação inj usta, nada tem os que fazer para prom over a com petência e a auto-estim a que tanto adm iram os nos outros.

Ao m esm o tem po, sentim o-nos com petitivas. Há trinta anos atrás, a psiquiatra Clara Thom pson assinalava que as m ulheres realm ente se encontram desprivilegiadas vivendo num a cultura com petitiva cuj a atm osfera favorece em nós o surgim ento do sentim ento da m enos-valia. Em tal circunstância, atitudes com petitivas para com os hom ens são inevitáveis. Entretanto, com o advertia a Dra. Thom pson, a invej a deve ser reconhecida, vista e com pletam ente com preendida; ela pode ser m uito facilm ente usada com o um m eio de acobertar algo m uito m ais fatal à independência fem inina: nossos sentim entos m ais íntim os de incom petência. Estes devem ser trabalhados, de form a direta, se querem os algum dia conseguir confiança e força.