Complexo de Cinderela
Adolescência: a primeira crise na feminilidade
Esse tipo de reforço, diz Jacklin, faz com que as m eninas experim entem o fracasso no trabalho escolar, ainda que estej am se saindo bem nos estudos. E é notório que as m eninas são m al equipadas para o m anej o de situações onde pensam que fracassaram ou podem vir a fracassar. "Todos nós j á passam os por situações que ao m enos parecem m arcadas pelo fracasso. A questão é: você persevera, você se esforça m ais ou desiste? A conclusão, e acho que é um a conclusão triste", prossegue Jacklin, "é que as m eninas desistem ." Um a vez criada, a dependência da garotinha é sistem aticam ente apoiada por todo o período de sua infância. Por ser "boazinha" — não-desafiante, não-provocadora, não-queixosa —, ela é recom pensada com boas notas, com a aprovação dos pais e professores e com a afeição de seus colegas. Que razões ela tem para se tornar rebelde? Tudo vai bem , de m odo que ela segue conform ando-se às expectativas externas. Reforçada por pouco m ais que um bom com portam ento e um a m em orização com petente, a m enina vai acum ulando êxitos. A vida é boa — e essencialm ente fácil. Até a puberdade. É aí que as coisas com eçam a m udar de figura para a m édia das m eninas am ericanas.
Adolescência: a primeira crise na feminilidade
No j argão dos psicólogos do desenvolvim ento, um a "crise" é um período de tensões e rupturas, m arcado pela instabilidade, durante o qual a ansiedade relativa às próprias capacidades e/ou à própria identidade aum enta. No processo de resolução de nossas crises desenvolvim entistas, crescem os em m aturidade e saúde psicológica.
A adolescência reserva às m eninas um estágio desenvolvim entista particular — aquilo a que Bardwick e Douvan se referem com o sendo "a prim eira crise na fem inilidade". Até os doze ou treze anos, as m eninas se acham m ais ou m enos livres para se com portarem com o bem entenderem . Com a puberdade, contudo, a porta da arm adilha com eça a fechar-se. Agora espera-se da j ovem um repertório com portam ental novo e bastante específico. De m aneira sutil (m as m uitas vezes não tão sutil) ela passa a obter reforço por seu "sucesso" com rapazes. Independentem ente do quanto a filha possa estar realizando em outras áreas da vida, a m ãe de um a m enina de quinze anos que não estej a nam orando com eça a se preocupar. Gentil m as firm em ente, pressiona a filha a arranj ar um nam orado. E inevitavelm ente isso se faz acom panhar de um a m ensagem inequívoca: não é bom ser dem asiadam ente com petitiva com os hom ens. Bom é agradar-lhes, "dar-se bem " com eles.