Complexo de Cinderela
O resultado
Não é apenas a passividade da m ãe que fere a filha. De m odo sim ilar funciona a enorm e inquietação m aterna pelo "bem -estar" da filha — o que constitui um instrum ento de redução de seus esforços pela independência. A m ãe tenta restringir as atividades da filha, a fim de que esta não "passe das m edidas". Pede, pois, ao pai m aior severidade na observação do horário de chegar em casa. Em purra a m oça para o nam orado "certo" (o filho da vizinha), para a faculdade "certa". Em sum a, diz a Dra. Moulton, a m ãe "m uitas vezes fica claram ente encium ada do im pulso para a liberdade e a individuação exibido pela filha; tem e revelar-se inadequada e ser sobrepuj ada pela filha; e necessita defender seu próprio estilo de vida lim itado, ainda que ele não lhe tenha sido satisfatório ou gratificante".
O resultado
Com todo este treinam ento em dependência, com o se encontram as m ulheres adultas atualm ente? Não m uito bem , com o você pode im aginar. Na últim a década, psiquiatras, psicanalistas e cientistas sociais devotaram grande atenção ao estudo da m ulher: a fase de bebê, a infância, a adolescência, a fase de j ovem adulta, a transição para a m eia-idade. Em erge daí um quadro psicossocial totalm ente novo no tocante ao significado de ser m ulher. Certos estudos m ostraram , por exem plo, que as m ulheres não aceitam facilm ente outras m ulheres com o líderes. Pelo contrário. Vej a: pesquisadores da University of Delaware apresentaram a um grupo m isto de pessoas um slide onde aparecem hom ens e m ulheres sentados a um a m esa de conferências, com um hom em à cabeceira. Seguiu-se um slide com a m esm a com posição, salvo o fato de ser um a m ulher a ocupar a cabeceira da m esa. Nessa segunda exposição, tanto as pessoas do sexo m asculino quanto as do fem inino apontaram um hom em com o líder do grupo. (Apenas num slide com um grupo com posto unicam ente de m ulheres é que a m ulher foi apontada com o líder. Com petição é um tem a que tende a apresentar m aiores dificuldades às m ulheres que aos hom ens. Basta nos verm os num a situação com petitiva e nossa confiança cai. Reforços positivos aum entam a confiança das m ulheres, m as, retirado o apoio verbal, som os zero à esquerda. Inclusive em tarefas ditas "fem ininas", com o criar filhos, vê-se que as m ulheres se sentem inadequadas, a m enos que saibam exatam ente o que fazer. Devido ao m edo de se com portarem incorretam ente, tornam -se rígidas dem ais para se sentirem à vontade em circunstâncias não totalm ente dom inadas e im provisarem um a solução. Executou-se um estudo com o propósito de averiguar com o hom ens e m ulheres reagem num a situação de em ergência (no caso, quando achavam que alguém sofrera um ataque epiléptico). As m ulheres m ostraram m uito m ais incerteza sobre o que fazer do que os hom ens. Elas se preocupavam em estar ou não fazendo "a coisa certa". Mesm o durante a situação, essas m ulheres ficavam obcecadas com a idéia de não conseguirem responder à altura. Um a am iga m inha ilustrou este m esm o fenôm eno com um a vívida anedota relativa à m orte do m arido. "Desde o m om ento em que ele m orreu até o final do enterro", contou, "tudo em que eu pensava era se estaria agindo certo — avisando as pessoas 'certas', escolhendo os salm os 'certos'. Preocupava-m e m orbidam ente com saber se as pessoas iriam ou não gostar do velório, com o se existisse um j uízo de certo ou errado com relação à decisão de com o velar e enterrar o hom em a quem se am ou e com quem se viveu durante vinte e cinco anos." No que tange às m ulheres, m esm o o êxito concreto nem sem pre fom enta ulteriores êxitos. Pesquisas revelam que tendem os a não tirar proveito dos benefícios psicológicos de nossas realizações porque um a peculiar ruptura interna nos im pede de assim ilar o sucesso. Quando, por exem plo, um a m ulher soluciona um problem a de m atem ática, ela tem a opção de atribuir seu sucesso à sua capacidade, ou à sorte, ou ao fato de ter "se esforçado", ou à "facilidade" do problem a. Segundo a "teoria da atribuição" — que analisa os efeitos, sobre as vidas das pessoas, daquilo que elas vêem com o causa das coisas —, as m ulheres tendem a atribuir o êxito a fontes externas. A "sorte" é um a de suas favoritas. Se é certo que evitam os assum ir o sucesso, não é m enos verdadeiro que, dada a oportunidade, nos sentim os responsáveis pelo fracasso. Os hom ens tendem a colocar fora de si as razões do fracasso, j ogando-o sobre algo ou alguém . As m ulheres, porém , absorvem a culpa, com o se nascessem para ser os capachos da sociedade. (Algum as m ulheres gostam de anunciar sua disposição para assum ir culpas com o se se tratasse de algum a form a de altruísm o. Não é. As m ulheres assum em as culpas porque receiam enfrentar aqueles que, na realidade, são os verdadeiros culpados.)
Dada nossa socialização para a dependência, não é de adm irar que nos arrisquem os tão pouco. Desgosta-nos estar na posição em que o risco se apresenta, ainda que sej a com o m era possibilidade. Detestam os testes precisam ente porque constituem um a situação de risco. Evitam os novas situações, m udanças de em prego, m udanças para outras partes do país. As m ulheres tem em ser punidas se com eterem algum engano ou fizerem "a coisa errada".