Complexo de Cinderela

Colette Dowling · Capítulo 40 de 60

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Complexo de Cinderela

Dedicação cega

 

A história m ais pungente que j á ouvi sobre o tem a da dedicação cega refere-se a um a m ulher a quem cham arei Madeleine Boroff. Pela natureza da história, precisei m odificar grande núm ero de detalhes a fim de proteger a privacidade daqueles nela envolvidos. Mas o que você lerá aqui é verdadeiro em seus aspectos m ais im portantes: os sonhos, as ilusões, o auto-logro. Madeleine é um a m ulher cuj o poder específico de atração reside em sua aparente com petência, sua capacidade de perm anecer calm a em situações de crise. Foi para ela um a sorte possuir essa qualidade, dada a reviravolta havida em sua vida quase desde o dia em que se casou. Brilhante e cheia de energia, Madeleine deixara de ser um a m enina para se casar e tornar-se um a m ulher quando tinha dezoito anos. Um ano e m eio m ais tarde, deu à luz o prim eiro filho; foi quando com eçou a delinear-se todo o cenário de sua vida adulta — um a luta quase picaresca contra a adversidade.

"Toda aquela confusão com a Previdência em que Manny e eu nos m etem os há alguns anos de repente voltou", disse ela ao telefone a um a am iga, num a chuvosa m anhã de inverno. Isso ocorreu logo após seu quadragésim o aniversário. "Você acredita que recebi um a intim ação j udicial? Meu advogado m e disse que posso inclusive acabar na cadeia."

Para todos os que a conheciam , a idéia de Madeleine Boroff ser presa parecia absurda. Com quatro filhos e um m arido longe de ser estável em ocionalm ente, ela sem pre fora o esteio da fam ília. Durante anos de conflitos, ela fora a com petente, um a m ulher não-im pulsiva com a responsabilidade de m anter a fam ília bem e em paz. Espalhara-se o boato de que os Boroffs estavam vivendo do auxílio-desem prego

(Manny perdera o em prego de novo), e m eses m ais tarde todos com entavam se eles não estariam vivendo m uito m ais às custas dos favores previdenciários do que suas inteligências e form ações acadêm icas podiam j ustificar... Mas, a cadeia! A prisão era um a instituição para crim inosos, não para batalhadores, não para m em bros da classe m édia, tão esforçados, tão em ocionalm ente subj ugados! E não para m ães.

Entre as m ulheres suas conhecidas, a reação im ediata foi de raiva. Madeleine dera duro para m anter as coisas funcionando e garantir a educação das crianças? Agora, depois de vinte e dois anos, ela estava só, tentando reconstruir a vida trabalhando com o recepcionista e estudando à noite para term inar o curso abandonado havia tanto tem po, quando fugir para Rom a com Manny parecera um a aventura em ocionante.