Complexo de Cinderela

Colette Dowling · Capítulo 46 de 60

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Complexo de Cinderela

A crise relativa ao sucesso

Um a possível resposta ao fato de as m ulheres serem tão inibidas no exercício de seu talento veio de Ann Arbor, Michigan, no fim da década de 60. Atônita frente ao estranho pânico que a invadira durante seu longo rastej ar até o doutorado em psicologia, Matina Horner com eçou a suspeitar de que o sucesso — a idéia do sucesso — tem um significado bem diferente para as m ulheres do que para os hom ens. As m ulheres não parecem perseguir o sucesso com o fazem os hom ens. Delim itam para si m esm as, obj etivos m ais restritos. Quando as coisas vão bem , elas se sentem tão ansiosas quanto diante da im inência de um a rej eição ou de um fracasso. Sair-se bem — tornar-se realm ente experiente em algo, vencer — são itens que aparentem ente am eaçam excessivam ente um im enso núm ero de m ulheres que possuem as características exigidas para a produção de algo substancial no curso de suas vidas.

Horner concluiu ser este um fenôm eno digno de um a investigação científica. Conduzindo estudos que acabaram por colocá-la à frente de um novo cam po (a psicologia fem inina), ela com eçou por testar noventa m ulheres e oitenta hom ens da University of Michigan. Ao final, identificou um dado totalm ente novo, m esm o em term os de conceituação: a tendência fem inina de apavorar-se com a m era possibilidade de obter êxito causa o estrangulam ento do próprio desej o de obtê-lo. A esse fenôm eno ela deu o nom e de m edo do sucesso. Os dados de sua pesquisa evidenciaram de form a inequívoca a alta porcentagem de m ulheres vítim as desse m edo; aliás, o núm ero delas era tão superior ao de hom ens com a m esm a problem ática que, em alguns aspectos, poder-se-ia enquadrar essa característica no âm bito da psique fem inina. Não era sim plesm ente um a questão de insegurança quanto às habilidades necessárias para vencer. Quanto m ais tinham a oferecer, m aior sua ansiedade. "Exatam ente as m ulheres que m ais am bicionam e m ais capacitadas são para realizar coisas", afirm a a Dra. Horner, são aquelas que m ais sofrem do m edo do sucesso. Isso pode ter causado controvérsia no m eio acadêm ico, m as indubitavelm ente m uitas de nós, lendo sobre o m edo do sucesso, sentiram um instantâneo aperto no coração — pelo reconhecim ento de sua veracidade. Mas será m esm o possível que as m ulheres prom ovam , para si próprias, o insucesso? Será que aquela preocupação com os hom ens, com o am or e a segurança em ocional, associados sob o term o "fem inilidade", constitui um fato significativo, se não prim ário, do que nos prende?

 

A crise relativa ao sucesso

 

A técnica utilizada pela Dra. Horner para desvelar esse estranho e previam ente não-identificado m edo é denom inada "com pletar histórias", e pertence à categoria das cham adas técnicas proj etivas. Usando esse instrum ento, ela pôde verificar as atitudes inconscientes dos suj eitos da pesquisa (estudantes). Ela tencionava descobrir o que eles sentiam realm ente, m ais do que o que j ulgavam sentir ou prefeririam sentir. Os estudantes (de am bos os sexos) eram solicitados a com por histórias com base num a frase proposta de m odo a delim itar o cam po que se desej ava estudar. Às m ulheres ofereceu-se esta frase: "Após os exam es do prim eiro sem estre, Anne descobre ser a prim eira aluna de sua turm a de m edicina". (Para os hom ens, a frase era idêntica, salvo ser "John" quem encabeçava a lista de m elhores alunos.)