Complexo de Cinderela

Colette Dowling · Capítulo 18 de 60

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Complexo de Cinderela

Tocando o medo

 

Os sintom as fóbicos de Jill chegaram precisam ente no m om ento em que ela se deu conta de que j am ais conseguiria o que realm ente desej ava — fazer com que outra pessoa assum isse os riscos de sua vida. "Ela agora se encontra no ponto em que tem que tom ar decisões realm ente cruciais e m aduras", prossegue sua terapeuta, "tendo que renunciar à figura do pai que resolveria toda a sua vida. Ela talvez tenha de voltar a estudar, a fim de aprender algo que lhe sej a intelectualm ente m ais satisfatório do que sua loj inha de cerâm icas — algo que tam bém a sustente com o na verdade desej a ser sustentada. Agora, aos vinte e sete anos, ela possivelm ente terá que resolver essas coisas por si m esm a, sem esperar que o com panheiro lhe proporcione tudo. Ela está com eçando a enfrentar tudo isso, e o que está em ergindo é puro m edo. Ela está em pânico." Se conseguir olhar-se através desse puro m edo, Jill poderá se encam inhar para um a vida m ais livre, m enos tensa e m ais gratificante. Antes da "quebra", ela estava fazendo tudo o que podia para evitar experim entar esse m edo. Sua principal estratégia foi tentar reproduzir o m esm o am biente protetor que tivera quando criança, m anipulando o am ante na esperança de levá-lo a agir com o o pai. Em parte, foi a recusa do nam orado em desem penhar o papel de pai que precipitou sua crise com relação ao tem a da dependência. Conquanto essa crise possa ser dolorosa e assustadora, ela agora tem chance de se libertar de seus velhos hábitos e am adurecer. Ela enxergou — m ais: ela viveu a experiência — sua m áscara contrafóbica, e dispôs-se a tentar seguir por si, sem a concha, sem escudo, desprotegida, vulnerável.

Não tão afortunadas são. as m ulheres cuj os padrões contrafóbicos passam despercebidos ou não são reconhecidos. Estas provavelm ente passarão a vida inteira construindo defesas cada vez m ais im penetráveis. São as m ulheres que fariam qualquer coisa, privar-se-iam de qualquer coisa — am or, satisfação, felicidade —, a fim de j am ais terem que experim entar aquilo por que Jill passou: pânico, confusão, raiva.