Complexo de Cinderela
O aprendizado
Desde tem pos im em oriais os hom ens vêm dem onstrando que, na grande ordem das coisas, as m ulheres realizam m uito pouco. Onde, perguntam eles, estão as físicas que revolucionaram o conhecim ento científico? Com o é que inexistem Bartoks do gênero fem inino? ("Tais questões são geralm ente levantadas no intento de se abafar quaisquer sugestões no sentido de as m ulheres serem tão inteligentes quanto os hom ens.) Novos estudos evidenciam cada vez m ais que as mulheres se impedem de progredir. Nós sabotam os nossa própria originalidade. Andam os em segunda — evitando as m archas m ais altas, que possibilitam m aior velocidade —, com o se tivéssem os sido program adas para fazê-lo. E na realidade o fom os.
A psicologia vem investigando de perto com o as m ulheres agem e se sentem com relação ao m odo com o foram ensinadas a se com portar e forçadas a se sentir quando crianças. É chocante saber que o quadro m udou bem pouco nos últim os vinte anos? A form a pela qual as m eninas são socializadas continua a predeterm inar um doloroso conflito quanto à independência psicológica necessária para que as m ulheres se libertem e assum am seu lugar ao sol.
O aprendizado
Gostam os de pensar que, com o pais, estam os fazendo tudo diversam ente — que nossas filhas não sofrerão os efeitos da criação discrim inatória e super-protetora a que fom os suj eitas. Contudo, pesquisas indicam que a m aioria das crianças de hoj e estão sendo desvirtuadas pelos m esm os tipos de papéis fixos (e artificiais) com que você e eu nos identificam os.
A dom inação m asculina — e seu equivalente fem inino — podem ser observados j á nas crianças das escolas m aternais.
"Você fica aqui com as m am ães e os bebês. Eu vou pescar", diz o pequeno Gerald à pequena Judy, e afasta-se correndo.
"Eu quero ir tam bém ", grita Judy, correndo atrás dele. Gerald vira-se e repete: "Não, você fica aqui com as m am ães e os bebês". "Mas eu quero ir pescar!", grita Judy.
"Não", insiste Gerald. "Mas quando eu voltar eu levo você a um restaurante chinês."
Esta cena foi observada entre duas crianças de quatro anos de idade, na sala de brinquedos de um j ardim de infância, e relatada na revista Harper's pela supervisora do grupo de crianças, Laura Carpenter. "Outra cena que observo de vez em quando é m ais ou m enos a seguinte", escreveu ela. "Três ou quatro m eninos pequenos se sentam em volta de um a m esinha na cozinha de brinquedo. Os m eninos com eçam a requisitar coisas: 'Me dá um a xícara de café!', ou 'Me passa a m anteiga!', ou ainda: 'Mais torrada!', enquanto as m eninas se põem a correr freneticam ente entre o fogão e a m esa, cozinhando e servindo. Num a dessas situações os m eninos se m ostraram im possíveis de contentar, pedindo um café atrás do outro, levando a única m enina da brincadeira a correr desvairadam ente pela cozinha para atendê-los. Finalm ente ela ganhou o controle da situação, anunciando que não havia m ais café. Aparentem ente não lhe ocorreu sentar-se à m esa e pedir café a um dos m eninos."