O Leopardo

Jo Nesbo · Capítulo 4 de 96

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O Leopardo

Capítulo 4

SEX PISTOLS

 

O dono do albergue, um senhor de idade, pôs um dedo na testa abaixo do turbante, pensativo, e olhou por um bom tempo para ela de modo avaliador. Então, pegou o telefone e discou um número. Ele disse algumas palavras em árabe e desligou.

— Esperar — disse ele. — Talvez, talvez não.

Kaja sorriu e fez que sim com a cabeça.

Ficaram se olhando sobre a mesa estreita que funcionava como balcão da recepção.

Então, o telefone tocou. Ele atendeu, prestou atenção e desligou sem dizer nada.

— Cento e cinquenta mil dólares — emendou ele.

— Cento e cinquenta? — repetiu ela, incrédula.

— Dólares de Hong Kong, dona.

Kaja fez o cálculo de cabeça. Seria em torno de cento e trinta mil coroas norueguesas. Quase o dobro do que estava autorizada a pagar.

 

Já era mais de meia-noite e quase quarenta horas tinham se passado desde a última vez que havia dormido, quando o localizou. Ela investigou a torre H de alto a baixo por três horas. Havia desenhado um mapa do interior ao passar pelos albergues, cafés, lanchonetes, clubes de massagem e salas de preces até chegar aos quartos e dormitórios mais baratos onde ficava a força de trabalho importada da África e do Paquistão; aqueles que não tinham quartos, apenas cubículos sem porta, sem TV, sem ar-condicionado e sem vida privada. O porteiro noturno negro que tinha deixado Kaja entrar olhou demoradamente para a foto e mais ainda para a nota de 100 dólares na mão dela, antes de apanhá-la e apontar para um dos cubículos.

Harry Hole, ela pensou. Te peguei.

Ele estava deitado de costas num colchão, respirando quase inaudivelmente. Tinha uma ruga profunda na testa, e a saliência no queixo sob a orelha direita estava mais visível agora que estava dormindo. Dos outros cubículos ela ouviu homens tossindo e roncando. Água pingava do teto, caindo no piso com suspiros profundos e tristes. A abertura para o cubículo deixava entrar uma faixa de luz azul e fria da iluminação de neon na recepção. Ela viu um guarda-roupa na frente da janela, uma cadeira e uma garrafa pet d’água ao lado do colchão. Havia um cheiro agridoce que lembrava borracha queimada. Subia fumaça de uma guimba no cinzeiro ao lado da mamadeira no chão. Ela sentou-se na cadeira e percebeu que ele estava segurando algo na mão. Um pequeno bloco seboso marrom-amarelado. Kaja vira blocos de haxixe suficientes no ano em que fazia patrulha para saber que aquilo não era haxixe.

Eram quase duas horas quando ele acordou.

Ela ouviu uma ligeira mudança no ritmo da respiração dele, e então o branco dos seus olhos brilhou no escuro.

— Rakel? — sussurrou ele. E caiu no sono outra vez.

Meia hora depois, ele abriu de repente os olhos, teve um sobressalto, jogou-se de lado e tentou agarrar algo debaixo do colchão.

— Sou eu — sussurrou Kaja. — Kaja Solness.

O corpo na sua frente parou no meio do movimento. Depois caiu no colchão de novo.

— Que merda você está fazendo aqui? — gemeu ele com a voz cheia de sono.

— Buscando você — respondeu ela.

Ele riu baixinho, de olhos fechados.

— Me buscando? Ainda nessa?

Ela retirou um envelope, inclinou-se para a frente e segurou-o na direção dele, que logo abriu um olho.

— Uma passagem — emendou ela. — Para Oslo.

Os olhos voltaram a se fechar.

— Obrigado, mas vou ficar aqui.

— Se eu consegui te achar, é só uma questão de tempo até eles fazerem o mesmo.

Ele não respondeu. Ela esperou, ouvindo a respiração dele e o barulho da água pingando. Então ele voltou a abrir os olhos, coçou o rosto logo abaixo da orelha direita e apoiou-se nos cotovelos:

— Tem cigarro?

Ela fez que não. Ele jogou o lençol de lado, levantou-se e foi até o guarda-roupa. Estava espantosamente pálido apesar de ter passado mais de seis meses num clima subtropical, e tão magro que as costelas estavam à mostra. Seu físico indicava que já havia sido uma pessoa atlética, mas agora os músculos enfraquecidos pareciam sombras sob a pele branca. Ele abriu o guarda-roupa. Ela se surpreendeu ao ver que as roupas estavam dobradas em pilhas arrumadas. Ele vestiu uma camiseta e uma calça jeans, as mesmas do dia anterior, e tirou com certa dificuldade um maço de cigarros amassado do bolso.

Meteu os pés num par de chinelos e passou por ela com um clique do isqueiro.

— Vem — murmurou ele ao passar. — Hora de jantar.

 

Eram quase três horas da madrugada. As portas sanfonadas de ferro das lojas e dos restaurantes em Chungking já haviam sido abaixadas. Exceto as do restaurante de Li Yuan.

— Então, como foi que você chegou a Hong Kong? — perguntou Kaja, olhando para Harry, que de forma pouco elegante, mas eficaz, sorvia macarrão celofane da cumbuca de sopa branca.

— De avião. Está com frio?

Imediatamente, Kaja retirou as mãos de baixo das coxas.

— Mas por que veio para cá?

— Eu estava a caminho de Manila. Ia só fazer uma escala em Hong Kong.

— As Filipinas. O que ia fazer lá?

— Me jogar num vulcão.

— Qual deles?

— Bem. Qual deles você consegue nomear?

— Nenhum. Apenas li que são muitos. Alguns deles não ficam em… é, Luzon?

— Nada mal. Ao todo há dezoito vulcões, e três deles ficam em Luzon. Eu queria subir o monte Mayon. Dois mil e quinhentos metros. Um estratovulcão.

— Um vulcão com lados íngremes, formado por camadas e mais camadas de lava depois de uma erupção.

Harry parou de comer e olhou para ela.

— Erupções em tempos modernos?

— Muitas. Trinta?

— Os registros dizem quarenta e sete desde 1616. A última em 2002. É culpada por no mínimo três mil mortes.

— O que houve?

— A pressão foi aumentando.

— Eu quis dizer, com você.

— Estou falando de mim. — Ela pensou entrever o esboço de um sorriso. — Tive uma recaída e comecei a beber no avião. Fui forçado a descer em Hong Kong.

— Há vários voos para Manila.

— Percebi que, além de vulcões, Manila não tem nada que você não pode achar em Hong Kong.

— Como o que, por exemplo?

— Como, por exemplo, a distância da Noruega.

Kaja fez que sim. Tinha lido os relatórios do caso do Boneco de Neve.

— E o mais importante — disse ele, apontando com um hashi. — Tem o macarrão celofane de Li Yuan. Experimente. Já é motivo suficiente para pedir a cidadania.

— Isso e ópio?

Não era do estilo dela ser tão direta, mas sabia que tinha de engolir sua típica timidez. Era a única chance de realizar o que fora fazer.

Ele deu de ombros e concentrou-se no macarrão.

— Fuma ópio regularmente?

— Irregularmente.

— E por que faz isso?

Ele respondeu com comida na boca.

— Para não beber. Sou alcoólico. Essa é outra vantagem de Hong Kong em comparação a Manila. Penas mais brandas por porte de droga. E cadeias mais limpas.

— Eu sabia sobre a bebida, mas é viciado em drogas?

— Defina viciado.

— Você precisa se drogar?

— Não, mas quero.

— Por quê?

— Para aliviar meus sentidos, ficar em estado letárgico. Está parecendo uma entrevista de emprego para um emprego que não quero, Solness. Já fumou ópio?

Kaja fez que não. Tinha experimentado maconha algumas vezes fazendo mochilão pela América do Sul, mas não tinha gostado muito.

— Mas os chineses já. Duzentos anos atrás, os britânicos importaram ópio da Índia para melhorar a balança comercial. Assim fizeram metade da China se viciar. — Ele estalou os dedos. — E, então, quando as autoridades chinesas, com razão, proibiram o ópio, os britânicos começaram uma guerra por seu direito de dopar a China até se tornar submissa. Imagina a Colômbia bombardeando Nova York porque os americanos confiscaram um pouco de cocaína na fronteira.

— Aonde quer chegar?

— Eu vejo como um dever que tenho que cumprir, como europeu que sou, fumar um pouco da porcaria que introduzimos no país.

Kaja ouviu o próprio riso. Estava mesmo precisando dormir um pouco.

— Eu te segui enquanto você comprava a droga — comentou ela. — Vi como se faz aqui. Havia dinheiro na mamadeira quando você a deixou. E ópio depois, certo?

— Humm — disse Harry com a boca cheia de macarrão. — Já trabalhou na Divisão de Narcóticos?

Ela fez que não.

— Por que a mamadeira?

Harry esticou os braços por cima da cabeça. A cumbuca de sopa estava vazia.

— Ópio tem um fedor horrível. Se você colocar um pouco no bolso ou em papel-alumínio, os cães farejadores sentem o cheiro mesmo no meio de uma multidão. Não tem como lucrar com mamadeiras, então você não corre o risco de que seja roubada por um adolescente ou um bêbado durante a transação. Já aconteceu.

Kaja fez que sim, lentamente. Ele estava começando a relaxar; era só persistir. Pessoas que passam meio ano sem falar a própria língua ficam tagarelas quando encontram um conterrâneo. É natural. É só seguir em frente.

— Gosta de cavalos?

Ele mordia um palito de dente.

— Na verdade, não. São muito mal-humorados.

— Mas você gosta de apostar neles?

— Gosto, mas a jogatina não é um dos meus vícios.

Ele sorriu, e ela notou de novo como o sorriso o transformou, fazendo com que se tornasse mais humano, acessível, e até juvenil. E ela se lembrou do vislumbre de céu azul na Melden Row.

— A longo prazo, jogos de azar são uma péssima estratégia para ganhar alguma coisa. Mas se você não tiver mais o que perder, é a única estratégia. Eu apostei tudo o que tinha, além de boa parte do que não tinha, numa única corrida.

— Apostou tudo que tinha num único cavalo?

— Dois. Uma aposta chamada quinella. Você escolhe os dois cavalos que vão chegar em primeiro e em segundo lugar, independente de qual dos dois for ganhar.

— E você tomou dinheiro emprestado da Tríade?

Pela primeira vez ela viu surpresa no olhar de Harry.

— O que faz um sério cartel de criminosos chineses emprestar dinheiro a um estrangeiro que fuma ópio e não tem nada a perder?

— Bem — disse Harry, e pegou um cigarro. — Como estrangeiro você tem acesso ao camarote VIP no hipódromo de Happy Valley durante as três primeiras semanas depois de ter o passaporte carimbado. — Ele acendeu o cigarro e soprou fumaça para o ventilador de teto, que girava tão devagar que as moscas conseguiam voar em volta dele. — Há um código de vestimenta lá, por isso mandei fazer um terno. As duas primeiras semanas foram o suficiente para pegar gosto. Conheci Herman Kluit, um sul-africano que fez uma fortuna em minerais na África nos anos 1990. Ele me ensinou como perder consideráveis somas de dinheiro com estilo. Gostei da ideia. Na terceira semana, na véspera da corrida, fui jantar na casa de Kluit, onde ele entreteu os convidados mostrando sua coleção de instrumentos de tortura de Goma. E, lá, o chofer de Kluit me deu uma dica de aposta. O favorito de uma das corridas estava machucado, mas essa informação foi mantida em sigilo porque mesmo assim ele ia ser colocado para correr. A ideia era de que esse cavalo era um favorito tão óbvio que poderia ocorrer o chamado minus pool; isto é, seria impossível ganhar qualquer dinheiro apostando nele. Por outro lado, havia dinheiro a ser ganho apostando em todos os outros cavalos. Por exemplo, com quinellas. Mas, para ter um bom ganho, era preciso ter certo capital. Kluit me emprestou o dinheiro por causa da minha cara de honesto. E pelo terno feito sob medida. — Harry estudou a brasa do cigarro, e parecia que a lembrança o fez sorrir.

— E? — perguntou Kaja.

— E o favorito ganhou por seis corpos — Harry deu de ombros. — Quando expliquei que eu só tinha a roupa do corpo, ele ficou sinceramente triste e explicou de modo educado que ele, como homem de negócios, era obrigado a se ater aos seus princípios comerciais. Me assegurou que estes de modo algum incluíam o uso dos objetos de tortura do Congo, mas simplesmente vender a dívida à Tríade, com desconto. O que, ele admitiu, não era muito melhor. Mas, no meu caso, iria esperar trinta e seis horas antes de vender, para eu ter tempo para me mandar de Hong Kong.

— Mas você não foi?

— Às vezes sou meio lento para entender as coisas.

— E depois?

Harry abriu as mãos.

— Isso. Chungking.

— E os planos para o futuro?

Harry deu de ombros e apagou o cigarro. E Kaja lembrou-se da capa do disco que Even lhe mostrou com a foto de Sid Vicious, do Sex Pistols. E a música tocando no fundo: — “No fu-ture, no fu-ture.”

— Agora já sabe o que precisa, Kaja Solness.

— Preciso? — Ela franziu a testa. — Não estou entendendo.

— Não? — Ele se levantou. — Você acha que fico tagarelando sobre ópio e dívidas só por ser um norueguês solitário que encontrou um conterrâneo?

Ela não respondeu.

— É para você entender que não sou o tipo de homem que vocês estão precisando. Para você poder voltar sem a impressão de não ter cumprido o seu dever. Para você não se meter em encrenca nas escadarias, e para eu poder dormir em paz sem ficar pensando que você pode trazer meus credores diretamente até mim.

Ela olhou para ele. Tinha um aspecto severo, ascético, que ao mesmo tempo era contradito pela gozação que dançava no seu olhar, dizendo para não levar tudo tão a sério. Ou melhor: que ele não estava nem aí.

— Espere. — Kaja abriu a bolsa e tirou um livrinho vermelho que lhe entregou, e observou o efeito. Viu a surpresa se espalhar pelo rosto dele quando começou a folhear.

— Droga, parece meu passaporte.

— E é.

— Duvido que a Divisão de Homicídios tenha orçamento para isso.

— Os juros de sua dívida baixaram — mentiu ela. — Consegui um desconto.

— Por você, espero que sim, porque não tenho planos nenhum de ir para Oslo.

Kaja o encarou por um tempo. Receava esse momento. Porque já não havia como evitar. Ela teria que jogar a última carta, aquela que Gunnar Hagen havia orientado que tinha que deixar por último, se o desgraçado se mostrasse obstinado.

— Tem mais uma coisa — disse Kaja, preparando-se para o pior.

Uma das sobrancelhas de Harry deu um salto para cima, talvez tivesse percebido algo pelo tom de voz dela.

— É sobre seu pai, Harry. — Ela percebeu como instintivamente havia usado o primeiro nome dele. Disse a si mesma que a intenção era sincera e não só pelo efeito.

— Meu pai? — perguntou ele, como se fosse uma surpresa que tivesse um pai.

— Sim. Entramos em contato com ele para saber se sabia o seu paradeiro. Descobrimos que ele está doente.

Ela fitou a mesa.

Ouviu a respiração dele. A rouquidão havia voltado a sua voz.

— Seriamente doente?

— Sim. E sinto muito por ter que ser eu a te contar.

Ela ainda não tinha coragem para levantar o olhar. Sentiu vergonha. Esperou. Ouviu o som metralhador de um homem falando cantonês na TV atrás do balcão de Li Yuan. Engoliu em seco e esperou. Ela precisava dormir urgentemente.

— A que horas é o voo?

— Às oito — respondeu. — Eu pego você aqui na frente daqui a três horas.

— Vou por conta própria. Tenho algumas coisas a acertar primeiro.

Ele estendeu uma mão aberta. Ela o olhou, indagadora.

— Para isso, preciso do passaporte. E você devia comer. Botar um pouco de carne nesses ossos.

Ela hesitou. Depois estendeu o passaporte a ele.

— Confio em você — disse.

Ele olhou para ela, inexpressivo.

E foi embora.

 

***

O relógio em cima do portão C4 no Chek Lap Kok mostrava quinze para as oito, e Kaja tinha desistido. Claro que ele não viria. É um reflexo natural, em animais e seres humanos, esconder-se quando se está ferido. E Harry Hole definitivamente estava. Os relatórios do caso do Boneco de Neve traziam a descrição minuciosa dos assassinatos de todas as mulheres. Mas Gunnar Hagen também havia contado o que não estava escrito ali. Como a ex-namorada, Rakel e seu filho Oleg haviam acabado nas mãos do assassino maluco. E que ela e o filho tinham se mudado para o exterior assim que tudo terminou. E sobre Harry, que havia anunciado sua demissão e sumido. Ele estava mais ferido do que ela havia imaginado.

Kaja já havia entregado o cartão de embarque e subia a rampa, começando a pensar em como escrever o relatório sobre a missão malsucedida, quando o viu chegar a passos largos ao sol que entrava enviesado no prédio do terminal. Ele carregava uma mochila sobre os ombros e uma sacola do duty-free e tragava furiosamente um cigarro. Harry parou em frente ao balcão de embarque. Mas, em vez de entregar seu cartão de embarque ao pessoal que estava aguardando, ele colocou a mochila no chão e lançou um olhar desesperado a Kaja.

Ela voltou ao balcão.

— Problemas? — perguntou.

— Sinto muito — disse ele. — Não vou poder ir.

— Por que não?

Ele apontou para a sacola do duty-free.

— Acabei de lembrar que na Noruega é permitido apenas um pacote de cigarros por pessoa. Tenho dois. Então, a não ser que… — Ele nem piscou.

Ela levou os olhos aos céus e tentou não parecer aliviada.

— Passe para cá.

— Muito obrigado — respondeu ele, depois abriu a sacola, que ela percebeu que não continha garrafas, e entregou a ela um pacote aberto de cigarros Camel com um maço faltando.

Ela foi andando na frente dele até o avião, para que ele não visse o sorriso em seu rosto.

Kaja se manteve acordada tempo suficiente após a decolagem para ver Hong Kong desaparecer embaixo deles e o olhar de Harry seguir o carrinho de bebidas que estava se aproximando, aos trancos, fazendo um alegre tilintar de garrafas. E viu como ele fechou os olhos e respondeu à aeromoça, com um inglês quase inaudível:

— Não, obrigado.

Ela se perguntou se Gunnar Hagen tinha razão, se o homem ao seu lado de fato era quem poderia ajudá-los.

Então ela apagou, desmaiada, e sonhou que estava diante de uma porta fechada, ouvindo um frio e solitário pio de pássaro da floresta, o que soava tão esquisito porque o sol estava alto no céu. Ela abriu a porta…

Acordou com a cabeça encostada no ombro dele e com saliva ressecada nos cantos da boca. A voz do capitão anunciou que estavam se aproximando do aeroporto de Londres.