O Leopardo
Capítulo 73
DETENÇÃO
Eram seis e cinco quando o Volvo Amazon de Bjørn Holm parou em frente ao Hospital Central, no lado oposto da estação de trem. Sigurd Altman esperava com as mãos nos bolsos do casaco. Harry acenou do banco de trás para ele se sentar na frente. Sigurd e Bjørn se cumprimentaram e seguiram pela Ringveien, indo em direção leste à interseção de Sinsen.
Harry se inclinou para a frente entre os assentos.
— Foi como um dos experimentos químicos que fizemos na escola. Você tem todos os ingredientes que precisa para conseguir uma reação, mas falta o catalisador, o componente exterior, a faísca necessária para engatilhar tudo. Eu tinha a informação, só precisava de algo que me ajudasse a montar tudo corretamente. Meu catalisador foi um homem doente, um assassino chamado Boneco de Neve. E uma garrafa na prateleira de um bar. Tudo bem se eu fumar?
Silêncio.
— Entendo. Então…
Atravessaram o túnel de Bryn, subiram para a interseção de Ryen e Manglerud.
Truls Berntsen estava no velho terreno olhando para cima da encosta, em direção à casa de Bellman.
Era estranho que ele, que tantas vezes havia jantado, brincado e passado a noite lá durante a juventude, não estivera lá sequer uma única vez depois de Mikael e Ulla assumirem a casa.
O motivo era simples: não tinha sido convidado.
Às vezes ficava ali onde estava agora, na escuridão do fim da tarde, olhando para a casa para tentar captar um vislumbre dela. Inatingível, aquela que não era para ninguém. Ninguém além dele, o príncipe, Mikael. Às vezes ele se perguntava se Mikael sabia. Se ele sabia, e se era por isso que não o convidavam. Ou será que era ela que sabia? Deixando Mikael entender, sem ser explícita, que esse Beavis, com quem ele havia crescido junto, talvez não fosse um cara que precisavam ter no círculo de amizades. Pelo menos não agora que a carreira dele finalmente decolava, e seria mais importante andar nos círculos sociais certos, encontrar as pessoas certas, emitir os sinais certos. Nesse momento não seria taticamente inteligente ser rodeado por um fantasma do passado que merecia ser mantido no esquecimento.
Ah, ele sabia disso. Só não sabia por que ela não podia entender: que ele nunca iria machucá-la. Pelo contrário, ele não havia protegido tanto ela quanto Mikael durante todos esses anos, afinal? Tinha, sim. Ele ficava vigiando, estava sempre presente, limpava o terreno. Cuidava da felicidade deles. Era assim seu amor.
Essa noite havia luz nas janelas lá em cima. Estavam dando uma festa? Estavam comendo e rindo, bebendo vinhos que as lojas em Manglerud nunca teriam em estoque, falando daquele jeito diferente? Estaria ela sorrindo, seus olhos faiscando, tão belos que doía quando olhavam para você? Será que iria reparar melhor nele se ele tivesse dinheiro, se ficasse rico? Seria possível? Algo tão simples?
Ele ficou mais um tempinho ali, no fundo do terreno dinamitado. Depois pegou o caminho para casa.
O Amazon de Bjørn Holm se inclinou majestosamente na rotatória de Ryen.
Uma placa mostrava a saída para Manglerud.
— Aonde vamos? — perguntou Sigurd Altman, encostado à porta.
— Vamos para onde o Boneco de Neve indicou — respondeu Harry. — Voltando a um passado remoto.
Passaram a saída.
— Aqui — indicou Harry, e Bjørn entrou à direita.
— A autoestrada E6?
— Isso mesmo, vamos para o leste. Para o lago Lyseren. Conhece a área, Sigurd?
— Bastante, mas…
— É aqui que começa a história — explicou Harry. — Há muitos anos, em frente a um salão de baile. Tony Leike, o dono do dedo que eu te mostrei nas fotos mais cedo hoje, está na beira da floresta beijando Mia, a filha do delegado Skai. Ole, que está apaixonado por Mia, sai para procurá-la e pega os dois no flagra. Zangado e derrotado, Ole se lança por cima do intruso, o charmoso Tony. Mas agora, outro lado de Tony se revela. O sorridente, charmoso paquerador de quem todos gostam desaparece. E em seu lugar surge um animal feroz. E, como todas as feras que se sentem ameaçadas, ele ataca com uma fúria e brutalidade que paralisa Ole, Mia e os outros em volta. Uma névoa sangrenta baixa sobre ele. Tony tira uma faca e corta fora metade da língua de Ole antes de conseguirem arrancá-lo de cima do garoto. E, mesmo que Ole seja inocente no caso, é sobre ele que fica a vergonha. A vergonha da paixão não correspondida foi exposta, ele foi humilhado no duelo de acasalamento ritual da Noruega rural e seu discurso tolhido será para sempre a testemunha da derrota. Então, ele foge, se muda para outro lugar. Está me acompanhando?
Altman fez que sim.
— Muitos anos se passam. Ole se estabeleceu em outro lugar, tem um emprego onde é apreciado e respeitado por sua competência. Tem amigos, não muitos, mas o suficiente. O mais importante é que eles não conhecem seu passado. O que falta em sua vida é uma mulher. Ele já encontrou algumas, pelos sites de relacionamentos, anúncios em jornais, raramente num restaurante. Mas elas desaparecem rápido. Não por causa da língua, mas porque carrega a derrota consigo como um saco cheio de merda. Por sua maneira arraigada de falar se autodepreciando, antecipando a rejeição e suspeitando de mulheres que se comportam como se de fato o quisessem. O de sempre. O fedor da derrota, da qual todos fogem. Então, um dia algo ocorre. Ele encontra uma mulher que não foge e que já viveu suas aventuras. Ela até o deixa viver suas fantasias sexuais; eles transam numa fábrica fechada. Ele a convida para ir esquiar na montanha, como um primeiro sinal de que está levando o caso a sério. Ela se chama Adele Vetlesen e o acompanha, mesmo que com certa relutância.
Bjørn Holm virou perto de Grønmo, onde a fumaça de lixo incendiado subia ao céu.
— Eles fazem um belo passeio na montanha. Talvez. Ou talvez Adele esteja entediada; ela é uma alma inquieta. Eles se hospedam na cabana de Håvass, onde já estão cinco hóspedes; Marit Olsen, Elias Skog, Borgny Stem-Myhre, Charlotte Lolles e Iska Peller, que está doente e dorme num quarto só para ela. Depois do jantar, acendem a lareira e algumas pessoas abrem uma garrafa de vinho tinto, enquanto outras vão se deitar. Como Charlotte Lolles. E Ole, que se deita num saco de dormir no quarto, esperando sua Adele. Mas Adele prefere ficar acordada. Talvez esteja começando a sentir o fedor. E então algo acontece. Tarde da noite chega uma última pessoa. As paredes são finas, e Ole escuta a voz do recém-chegado. Ele se enrijece. É a voz do seu pior pesadelo, das suas mais doces fantasias de vingança. Mas não pode ser ele, não pode ser. Ole presta atenção. A voz fala com Marit Olsen por algum tempo. Depois fala com Adele. Ele escuta o riso dela. Mas aos poucos suas vozes ficam mais baixas. Ele escuta os outros irem se deitar nos quartos ao lado. Mas Adele não. Nem esse homem com a voz familiar. Daí não escuta mais nada. Até ouvir algo vindo de fora. Ele se arrasta até a janela, olha para fora, vê os dois, vê o rosto dela, animado, reconhece seus gemidos de prazer. E sabe que o impossível está acontecendo; a história está se repetindo. Porque ele reconhece o homem que está atrás de Adele, que a está pegando. É ele. É Tony Leike.
Bjørn Holm aumentou o aquecedor. Harry se inclinou no banco.
— Quando os outros se levantam na manhã seguinte, Tony já não está. Ole faz de conta que nada aconteceu. Porque agora está mais forte; os anos de ódio o endureceram. Ele sabe que os outros viram Adele e Tony; viram sua humilhação, como no passado. Mas ele está calmo. Sabe o que vai fazer. Talvez tenha ansiado por isso, a última cutucada, a queda livre. Dois dias depois, seu plano está pronto. Ele volta para a cabana de Håvass, talvez tenha pegado uma carona de motoneve até lá, e remove a página do livro de hóspedes onde constam os nomes. Porque dessa vez não vai ser ele a fugir envergonhado das testemunhas, elas é que sofrerão. E Adele. Porém quem vai sofrer mais é Tony. Ele vai ter que carregar toda a vergonha que Ole já carregou, seu nome vai ser arrastado na sarjeta, sua vida vai ser destruída, ele vai ser atingido pelo mesmo Deus injusto que permite que as línguas dos perdidamente apaixonados sejam decepadas.
Sigurd Altman baixou um pouco a janela e um som suave e assobiante encheu o carro.
— A primeira coisa que Ole precisa fazer é arranjar uma sala, um quartel-general onde possa trabalhar em paz, sem medo de ser descoberto. E o que seria mais apropriado que aquela fábrica fechada onde uma noite ele viveu o momento mais feliz da sua vida? É lá que começa o mapeamento das vítimas e o planejamento minucioso. Claro, tem que matar Adele Vetlesen primeiro, já que era a única pessoa na cabana que conhecia sua verdadeira identidade. Os nomes que eventualmente foram trocados entre eles lá seriam rapidamente esquecidos, e não havia cópia daquela página do livro de hóspedes. Estão certos a respeito daquele cigarro, pessoal?
Sem resposta. Harry suspirou.
— Então, marca um novo encontro com ela. Vai buscá-la de carro. Ele já cobriu o interior com plástico. Vão até um local tranquilo, provavelmente à fábrica Kadok. Lá, ele retira uma faca grande com cabo amarelo. Ele a força a escrever um cartão-postal ditado por ele, endereçado ao amigo com quem divide o apartamento em Drammen. Em seguida, ele a mata. Bjørn?
Bjørn Holm pigarreou e diminuiu o ritmo.
— A necropsia mostra que ele furou a artéria carótida.
— Ele desce do carro. Tira uma foto dela sentada no banco do passageiro com a faca na garganta. A foto: a confirmação da vingança, do triunfo. É a primeira foto a ser fixada à parede na sua sala da fábrica Kadok.
Um carro na contramão saiu da pista, mas entrou de novo e buzinou ao passar.
— Talvez tivesse sido fácil matá-la. Talvez não. De qualquer maneira, ele sabe que essa é a vítima mais perigosa. Não se encontraram muitas vezes, mas não pode saber ao certo o quanto ela contou sobre ele a seus amigos. Só sabe que, se ela for encontrada e sua morte puder ser ligada a ele, um amante abandonado seria o suspeito número um da polícia. Se for encontrada. Entretanto, se ela aparentemente desaparece, por exemplo, durante uma viagem à África, ele estará seguro.
“Então, Ole afunda o corpo num lugar que conhece bem, onde a água é profunda e onde as pessoas não chegam perto. O lugar com a noiva abandonada na janela. A fábrica de cordas perto do lago Lyseren. Então, ele viaja a Leipzig e paga a prostituta Juliana Verni para levar o cartão escrito por Adele para Ruanda, para se hospedar num hotel em nome de Adele Vetlesen e enviar o cartão de lá. Além disso, ela compra algo para Ole no Congo. Uma arma mortal. A maçã de Leopoldo. Evidentemente, a arma especial não foi escolhida por acaso, é para apontar em direção ao Congo e fazer a polícia suspeitar de Tony Leike, que sempre viaja ao país. Quando Juliana volta para Leipzig, Ole paga a ela. E talvez seja ali, de pé sobre a trêmula Juliana, vendo-a abocanhar a torturante maçã com lágrimas escorrendo, que ele começa a sentir o prazer, o sádico êxtase, um prazer quase sexual que desenvolveu e alimentou durante anos com sonhos solitários de vingança. Depois, ele a joga no rio, mas o corpo vem à superfície e é encontrado.”
Harry respirou fundo. A estrada estava mais estreita, e a floresta se adensava nos dois lados do caminho.
— Durante as semanas seguintes, ele mata Borgny Stem-Myhre e Charlotte Lolles. Diferentemente do que fez com Adele e Juliana, não tenta esconder os corpos, muito pelo contrário. Mesmo assim, a investigação da polícia não leva a Tony Leike como Ole havia esperado. Por isso, precisa continuar a matar, continuar a deixar pistas e a pressioná-los. Ele mata Marit Olsen, um membro do Parlamento, e a exibe na piscina de Frogner. Agora, a polícia precisa ver a conexão entre as mulheres e encontrar o homem com a maçã de Leopoldo. Mas não acontece. E ele entende que tem que interferir, dar uma mãozinha, correr o risco. Ele vigia a casa de Tony em Holmenveien até vê-lo sair de casa. Então, entra pelo porão, vai até a sala e faz uma ligação do telefone fixo na mesa de Tony para Elias Skog, a vítima seguinte. Ao sair, leva uma bicicleta para fazer parecer um roubo comum. Deixar impressões digitais na sala não preocupa Ole, todos sabem que a polícia não investiga roubos comuns. Então, ele vai a Stavanger. A essa altura seu sadismo está no auge. Ele mata Elias, colando-o ao fundo da banheira, deixando a torneira pingando. Ali, um posto de gasolina! Alguém está com fome?
Bjørn Holm nem diminuiu a velocidade.
— Ok. Então, algo de fato acontece. Ole recebe uma carta. É de um chantagista. Ele escreve que sabe que Ole matou alguém, que ele quer dinheiro, senão a polícia o pegará. O primeiro pensamento de Ole é que deve ser de alguém que esteve na cabana de Håvass, portanto, uma das duas pessoas ainda vivas. Iska Peller. Ou Tony Leike. Ele logo exclui Iska Peller. Ela é australiana, já voltou para casa e nem deve saber escrever norueguês. Tony Leike, que ironia! Eles nunca se encontraram na cabana, mas, obviamente, Adele pode ter mencionado o nome de Ole enquanto flertavam. Ou Tony pode ter visto o nome de Ole no livro de hóspedes. De qualquer maneira, Tony deve ter adivinhado a ligação, já que os assassinatos foram noticiados nos jornais. A tentativa de chantagem confere bem com o que a imprensa financeira está escrevendo sobre Tony; que ele está desesperado atrás de dinheiro para seu projeto no Congo. Ole toma uma decisão. Mesmo que ele preferisse que Tony vivesse com a vergonha, precisa optar pelo plano B, antes que as coisas saiam do seu controle. Tony precisa morrer. Ele segue Tony. Vai atrás dele no trem, que o leva para onde Tony sempre viaja: Ustaoset. Segue a pista da motoneve que aponta para uma cabana de turistas fechada que fica no meio de penhascos e despenhadeiros. E é lá que Ole o encontra. E Tony reconhece o fantasma, o rapaz do baile, cuja língua ele cortou fora. E sabe o que o espera. E Ole se vinga. Ele tortura Tony, o queima. Talvez para fazê-lo entregar eventuais parceiros da história de chantagem. Talvez apenas por bel-prazer.
Altman fechou a janela com força.
— Frio — explicou.
— Enquanto isso, chega a notícia de que Iska Peller está na cabana de Håvass. Ole entende que a solução final pode estar próxima, mas desconfia que seja uma armadilha. Ele se lembra do amontoado de neve mais acima da cabana, que o pessoal local disse ser perigoso. Ele toma uma decisão. Talvez leve Tony como guia e vai em direção à cabana de Håvass, provocando a avalanche com dinamite. Volta depois de motoneve e empurra Tony, vivo ou morto, do penhasco, jogando a motoneve atrás dele. Se o corpo algum dia for encontrado, parecerá um acidente. Um homem que se queimou e caiu no precipício quando foi buscar ajuda, talvez.
A paisagem se abriu. Eles passaram por um lago refletindo o luar.
— Ole está triunfante, ele venceu. Enganou a todos, fazendo todo mundo de idiota. E começou a gostar da brincadeira, da sensação de estar no comando, de sentir todos seguindo suas indicações. Daí, o mestre que teceu oito destinos num grande drama decide deixar uma mensagem de despedida. Deixar para mim uma mensagem de despedida.
Um grupo de casas, um posto de gasolina e um supermercado. Pegaram a saída à esquerda numa rotatória.
— Ole cortou o dedo médio da mão direita de Tony. E ele tem o celular de Leike. É aquele que usou quando me ligou do centro de Ustaoset. Meu número não está registrado em lugar nenhum, mas Tony Leike o adicionou na lista de contatos. Ole não deixou nenhuma mensagem, talvez fosse apenas um capricho.
— Ou para nos confundir — comentou Bjørn Holm.
— Ou para nos mostrar sua superioridade — concluiu Harry. — Como quando ele literalmente nos mostra o dedo ao deixar o dedo de Tony na frente da minha porta, dentro da delegacia, bem embaixo do nosso nariz. Porque ele é capaz disso. Ele é o Cavalheiro, ele se ergueu da vergonha, rebateu, se vingou contra todos que zombaram dele e o elenco de apoio. As testemunhas. A puta. O mulherengo. Então, de novo acontece um imprevisto. O quartel-general da fábrica Kadok é descoberto. Com certeza a polícia não tem nenhuma pista que leva diretamente a Ole, mas o perigo está se aproximando. Então, Ole vai a seu chefe e diz que quer tirar férias e descontar as folgas acumuladas. Que vai ficar longe por um bom tempo. Aliás, seu voo é depois de amanhã.
— Às nove e quinze da noite para Bangkok via Estocolmo — afirmou Bjørn Holm.
— Ok, muitos detalhes dessa história são suposições, mas estamos quase lá. Chegamos. É aqui.
Bjørn saiu da estrada e subiu no cascalho diante do grande prédio vermelho. Parou e desligou o motor.
As janelas estavam escuras, mas havia cartazes nas paredes do térreo anunciando que outrora num canto do prédio existia uma mercearia. No outro lado da praça, 50 metros adiante e por baixo da luz de um poste, havia um jipe Cherokee.
Estava parado. Sem som, sem tempo, sem vento. Por cima da janela do Cherokee, uma fumaça de cigarro subia à luz.
— Esse é lugar onde tudo começou — explicou Harry. — O salão de baile.
— Quem é aquele? — perguntou Altman e indicou o Cherokee com a cabeça.
— Você não o reconhece? — Harry pegou o maço, enfiou um cigarro apagado entre os lábios e olhou avidamente para a fumaça do Cherokee.
— Pode se enganar na luz do poste, é claro. A maioria das lâmpadas de rua tem luz amarela, o que faz um carro azul parecer verde.
— Já vi esse filme — disse Altman. — No vale das Sombras.
— Hum. Bom filme. Quase no nível de Altman.
— Quase.
— No nível de Sigurd Altman.
Sigurd não respondeu.
— Então — disse Harry. — Está contente? Foi a obra-prima que você tinha imaginado, Sigurd? Ou posso te chamar de Ole Sigurd?