Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

Stephen R. Covey · Capítulo 10 de 99

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Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

Paradigma dos Sete Hábitos

Se eu tivesse investido em CP - manutenção e conservação do bem, ainda desfrutaria de sua P - a grama aparada. Como não cuidei dele, precisei gastar muito mais tempo e dinheiro para comprar um cortador de grama novo do que teria gastado na manutenção adequada da máquina original. A eficácia, no caso, foi nenhuma.

Em nossa busca frenética por resultados ou vantagens a curto prazo, freqüentemente destruímos um bem físico precioso - seja ele um carro, computador, máquina de lavar ou até nosso corpo e meio ambiente.

Manter P e CP em equilíbrio representam uma enorme diferença na utilização eficaz dos bens físicos.

Esta visão também prejudica o uso eficaz dos meios financeiros. As pessoas não confundem freqüentemente o capital com o lucro? Você já lançou mão do capital para melhorar seu padrão de vida, para obter mais ovos de ouro? O capital reduzido tem um poder reduzido em termos de produção de renda ou lucro. E o

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capital em processo de redução encolhe mais e mais, até que se torna incapaz até mesmo de suprir as necessidades mais básicas da pessoa.

Nosso meio financeiro mais importante é a capacidade de ganhar. Se não investimos continuamente na melhoria de nossa própria CP, limitamos drasticamente nossas opções. Ficamos presos a nossa situação atual, morrendo de medo do chefe, da opinião que tenham de nós na empresa, dependentes economicamente e sempre na defensiva. Mais um exemplo de ineficiência.

No meio humano o equilíbrio P/CP é igualmente fundamental, até mais importante, pois as pessoas controlam os ativos físicos e financeiros.

Quando duas pessoas, em um casamento, estão mais preocupadas em conseguir os ovos de ouro, os benefícios, do que em preservar o relacionamento que torna tais benefícios possíveis, com freqüência agem de forma insensível, sem consideração pelo outro, negligenciando a boa vontade e a cortesia, tão importantes em um relacionamento profundo.

Passam a lançar mão de estratagemas para manipular o outro, concentram-se em suas necessidades para justificar a atitude tomada e ficam procurando provas de que o outro está sempre errado. O amor, a delicadeza, o enriquecimento mútuo e a espontaneidade começam a se deteriorar. A galinha dos ovos de ouro mostra-se mais enferma a cada dia.

E o que dizer do relacionamento entre pai e filho? Quando as crianças são pequenas sua vulnerabilidade e dependência é enorme. Torna-se muito fácil negligenciar o esforço exigido pela CP- treinamento, comunicação, relacionamento e atenção fundamentais. É mais fácil aproveitar as vantagens, manipular, conseguir o que você quer do jeito que você quer - já! Você é maior e mais esperto, e está sempre certo! Então por que não dizer a eles o que fazer e pronto? Se for preciso, grite com eles, lance mão da intimidação, insista até que façam as coisas do seu jeito.

Ou então seja indulgente. Agarre-se ao ovo de ouro da popularidade, tente agradar seus filhos, deixe que façam tudo como quiserem. Assim eles crescerão sem parâmetros ou expectativas, sem um compromisso pessoal interno com a disciplina e a responsabilidade. Qualquer um dos caminhos - autoritário ou permissivo - revela a existência de uma mentalidade tipo ovo de ouro. Você quer ver as coisas feitas do seu jeito, ou prefere ser adorado.

Mas o que acontece com a galinha dos ovos de ouro, enquanto isso? Qual a disciplina, a confiança na capacidade de fazer as escolhas certas e de atingir metas importantes que uma criança assim terá, após alguns anos? E quanto ao seu relacionamento? Quando seu filho chegar aos anos críticos da adolescência, e tiver a crise da identidade, será que ele saberá, a partir das experiências que teve, que você é capaz de ouvi-lo sem julgar, que realmente se importa com ele enquanto pessoa e que é digno de confiança, não importa o que aconteça? O relacionamento será forte o suficiente para que você consiga ficar próximo dele, comunicar-se com ele e influenciá-lo?

Suponha que você queira que o quarto de sua filha esteja sempre em ordem -

isso é P, produção, o ovo de ouro. E suponha que você deseje que ela o limpe - isso é CP, capacidade de produção. Sua filha é a galinha dos ovos de ouro, o meio de produção.

Se houver um equilíbrio entre P e CP, ela vai limpar o quarto com prazer, sem que seja necessário ordenar, pois ela é responsável e tem a disciplina para arcar com as responsabilidades. Ela é um bem precioso, a galinha que produz ovos de ouro.

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Entretanto, se o seu paradigma está focalizado na produção, ou seja, na limpeza do quarto, vai acabar atormentando sua filha para que ela faça isso. Quem sabe seus esforços o levem a fazer ameaças ou a gritar, de modo que, no afã de conseguir os ovos de ouro, prejudique a saúde e o bem-estar da galinha?

Vou relatar uma experiência interessante de CP, ocorrida com uma de minhas filhas. Estávamos planejando um passeio a dois, algo que gosto de fazer regularmente, com cada um de meus filhos. Sabemos que programar o passeio é tão gostoso quanto sua realização.

Sendo assim, falei para minha filha:

- Querida, hoje é a nossa noite. O que você quer fazer?

- Qualquer coisa, papai. - Foi a resposta.

- Nada disso - falei. - Sei que você quer ir a algum lugar especial.

- Sabe o que é... - Ela finalmente se abriu. - Acho que você não ia gostar do que eu tenho vontade de fazer.

- De jeito nenhum - retruquei veemente. - Estou disposto a fazer o que você quiser. Qualquer coisa. A escolha é sua.

- Quero assistir a Guerra nas Estrelas - ela falou. Mas sei que você não gosta de Guerra nas Estrelas. Na última vez dormiu o filme inteiro. Você não gosta deste tipo de fita. Mas não faz mal, papai.

- Tudo bem, querida. Se for isso que você quer fazer, então vamos fazer, eu vou gostar.

- Ora, papai, não se preocupe com isso. Não temos a obrigação de sair. - Ela fez uma pausa e acrescentou: - Sabe por que você não gosta de Guerra nas Estrelas? Porque não compreende a filosofia e o treinamento de um cavaleiro Jedi.

- Como?

- Sabe estas coisas que você ensina, papai? São iguais às coisas que fazem parte do treinamento de um cavaleiro Jedi.

- É mesmo? Então vamos ver Guerra nas Estrelas!

E foi o que fizemos. Ela sentou-se a meu lado e me explicou o paradigma.

Tornei-me o estudante, o aprendiz. Foi absolutamente fascinante. Consegui ver, com este novo paradigma, a maneira como a filosofia básica presente no treinamento de um cavaleiro Jedi se manifesta nas mais diversas circunstâncias.

A experiência não foi um evento P planejado. Ela resultou de um investimento CP, foi um fruto inesperado e benéfico deste investimento.

Foi muito interessante e satisfatório. Mostra que nós aproveitamos melhor os ovos de ouro quando a galinha - a qualidade do relacionamento - recebe a alimentação apropriada.