Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

Stephen R. Covey · Capítulo 6 de 99

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Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

Um Novo Nível de Pensamento

Albert Einstein disse: "Os problemas significativos com os quais nos deparamos não podem ser resolvidos no mesmo nível de pensamento em que estávamos quando eles foram propostos".

Conforme olhamos a nossa volta, e para nosso íntimo, identificamos os problemas criados pela convivência e interação com a Ética da Personalidade.

Então começamos a perceber que temos problemas sérios, fundamentais, impossíveis de serem resolvidos no nível superficial em que foram criados.

Precisamos de um novo estágio do pensamento, um nível mais profundo, um paradigma baseado nos princípios que descrevem exatamente o território efetivo da existência e das interações humanas. Assim poderemos resolver as preocupações mais sérias.

Os Sete Hábitos das Pessoas Muito Eficazes tratam precisamente deste novo nível de pensamento, de uma abordagem centrada nos princípios e baseada no caráter, "que vem de dentro para fora" e se volta para a eficácia pessoal e interpessoal.

"De dentro para fora" significa começar pela personalidade, ou, melhor ainda, começar pelo íntimo - os paradigmas, o caráter e as razões.

Desta forma, se você pretende ter um casamento feliz, seja uma pessoa capaz de gerar energia positiva, afastando as más vibrações em vez de atraí-las. Se você pretende ter um filho adolescente que coopere mais, seja um pai mais compreensivo, solidário, coerente e amoroso. Se pretende ter mais liberdade, mais atitude em seu trabalho, seja um empregador mais responsável, generoso e envolvido com sua atividade. Se pretende conquistar a confiança das pessoas, seja confiável. Se busca a grandeza secundária do reconhecimento de seu talento, concentre-se inicialmente na grandeza primária do caráter.

A abordagem de dentro para fora mostra que as vitórias particulares precedem as vitórias públicas, que cumprir as promessas feitas a nós mesmos vem

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antes do cumprimento de promessas feitas a terceiros. Reza que é fútil colocar a personalidade acima do caráter e tentar melhorar as relações com os outros sem dar atenção ao próprio crescimento.

A abordagem de dentro para fora privilegia um processo contínuo de renovação baseada nas leis naturais que governam o crescimento e o progresso humanos. Manifesta-se como uma espiral ascendente de amadurecimento, que leva a formas progressivamente mais elevadas de independência responsável e interdependência proveitosa.

Eu já tive a oportunidade de trabalhar com muitos tipos de pessoas -gente maravilhosa, talentosa, ansiosa para atingir o sucesso e conquistar a felicidade, gente que deseja mudar e gente que causa danos aos outros. Trabalhei com executivos de empresas, estudantes universitários, grupos ligados a igrejas e organizações cívicas, famílias e casais. E, em todas as minhas experiências, não vi, nem uma única vez, soluções duradouras ou felicidade e sucesso sólidos que viessem de fora para dentro.

Como resultado do paradigma de fora para dentro só vi pessoas infelizes, que se sentiam perseguidas e imobilizadas, concentrando-se nas fraquezas dos outros e nas circunstâncias que, na opinião delas, eram responsáveis por sua estagnação.

Já observei casamentos infelizes, onde um cônjuge quer que o outro mude seu jeito de ser, onde só fala dos defeitos do outro, onde cada um quer moldar o outro conforme um modelo preestabelecido. Acompanhei disputas sobre política de pessoal onde se gastava bastante tempo e energia na tentativa de se criar regras para forçar as pessoas a agir como se a mais pura verdade estivesse contida nestas regras.

Alguns membros de minha família moraram em três dos locais mais "quentes"

do planeta: África do Sul, Israel e Irlanda. Acredito que a fonte dos problemas permanentes destes três países tem sido o paradigma social dominante das coisas feitas de fora para dentro. Cada um dos

grupos envolvidos está plenamente convencido de que o problema está "nos outros", e, se "eles" (ou seja, os outros) pudessem repentinamente "entrar na linha" ou desaparecer da face da Terra, a questão estaria solucionada.

Buscar soluções de dentro para fora constitui uma mudança dramática de paradigma para a maioria das pessoas, em grande parte por causa do imenso impacto do condicionamento e do paradigma social em vigor explicitado pela Ética da Personalidade.

Contudo, a partir de minha própria experiência - tanto pessoal quanto no contato profissional com milhares de outros seres humanos - e a partir do estudo cuidadoso dos indivíduos e sociedades bem-sucedidos no decorrer da História, estou convencido de que a maioria dos princípios contidos nos Sete Hábitos fazem parte de nossa natureza íntima, de nossa consciência e de nosso senso comum.

Para identificá-los, desenvolvê-los e utilizá-los para resolver nossos problemas mais graves, precisamos modificar os nossos paradigmas, passando a um nível diferente, novo, no qual adotamos uma atitude "de dentro para fora".

À medida que buscarmos sinceramente compreender e integrar estes princípios em nossas vidas, tenho a certeza de que poderemos descobrir ou redescobrir a importância e a verdade desta observação de T S.Eliot:

“Não devemos parar nossas explorações, e o final de todas as explorações será a chegada ao ponto onde começamos a ver o lugar pela primeira vez”.

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OS SETE HÁBITOS - UMA VISAO GERAL

“Somos o que repetidamente fazemos. A excelência, portanto, não é um feito, mas um hábito”.

ARISTÓTELES

Nosso caráter, basicamente, é composto pelos hábitos que desenvolvemos.

"Plante uma idéia, colha um feito; plante um feito, colha um hábito; plante um hábito, colha um caráter; plante um caráter, colha um destino", diz o ditado.

Os hábitos constituem fatores poderosos em nossas vidas. Uma vez que representam padrões coerentes, e muitas vezes inconscientes, eles servem para exprimir nosso caráter no dia-a-dia, sendo responsável por nossa eficácia...

Horace Mann, um grande educador, um dia disse: "Os hábitos são como cordas. Se acrescentarmos um fio por dia, em pouco tempo não podem mais ser rompidos". Pessoalmente não acredito na última parte de seu pensamento. Sei que os hábitos podem ser rompidos. Os hábitos podem ser aprendidos e desaprendidos.

Sei, por outro lado, que não é nada fácil. Implica um processo que exige dedicação total.

As pessoas que viram a viagem da Apolo-11 à Lua ficaram deslumbradas quando o primeiro homem pisou na superfície lunar e retornou à Terra. Adjetivos bombásticos como "fantástico" e "incrível" foram inadequados para descrever aqueles dias movimentados. Os astronautas, para chegarem lá, precisaram romper literalmente com a tremenda força da gravidade da Terra. Gastou-se mais energia nos primeiros minutos da subida, durante a decolagem e os quilômetros iniciais da jornada, do que nos dias que se seguiram, quando foram percorridos mais de 750 mil quilômetros.

Os hábitos, da mesma forma, possuem uma força de gravidade terrível -

maior do que a maioria das pessoas percebe ou admite. Romper com tendências profundamente arraigadas como as de procrastinar, criticar, ser impaciente e egoísta, tendências que violam princípios básicos da eficiência humana exigem muito mais do que um pouquinho de força de vontade e mudanças diminutas em nossas vidas.

A "decolagem" demanda um esforço tremendo, mas assim que superamos a força da gravidade, toda liberdade assume um novo sentido.

Como qualquer força natural, a gravidade pode trabalhar para nós ou contra nós. A força da gravidade de certos hábitos pode nos impedir de ir aonde desejamos. Mas é também a força da gravidade que mantém nosso mundo no lugar, os planetas em suas órbitas e o universo em ordem. Trata-se de uma força poderosa, e, se a usarmos eficazmente, esta força da gravidade do hábito servirá para criar a ordem e a coerência necessárias para introduzir a eficácia em nossas vidas.

Definição dos "Hábitos"

Para nossos objetivos, definiremos um hábito como a interseção entre o conhecimento, a capacidade e a vontade.

0 conhecimento é o paradigma teórico, o que fazer e o porquê. A capacidade é o como fazer. E a vontade é a motivação, o desejo de fazer.

Para tornar algo um hábito em nossas vidas, precisa reunir estes três elementos.

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O motivo de minha ineficácia no relacionamento com meus colegas de trabalho, com minha esposa e com meus filhos podem ser a repetição constante do que eu acho, sem nunca parar para realmente ouvir o que eles têm a dizer. A não ser que eu busque os princípios corretos para a interação humana, corro o risco de nem sequer saber que preciso ouvi-los.

Mesmo sabendo que preciso ouvir realmente o que as pessoas dizem, para interagir com elas, posso não ter a capacidade para tanto. Pode ser que eu não saiba como ouvir sinceramente o que outra pessoa está dizendo.

Mas saber que preciso ouvir e saber como ouvir não é o bastante.

A não ser que eu queira ouvir, que eu tenha a vontade necessária, isso não se tornará um hábito em minha vida. Formar um hábito exige esforço nestas três direções.

A mudança ser / ver é um processo ascendente. O ser altera o ver, que por sua vez muda o ser, e assim por diante, quando nos movemos em uma espiral ascendente de amadurecimento. Através do trabalho com o conhecimento, a capacidade e a vontade, conseguimos atingir novos níveis de eficácia pessoal e interpessoal, rompendo com os antigos paradigmas que representaram a fonte da pseudo-segurança por tantos anos.

Trata-se, por vezes, de um processo doloroso. Uma mudança precisa ter como motivação um objetivo nobre, acrescida da disposição para subordinar o que você pensa que quer no momento ao que realmente quer para o futuro. Este processo, contudo, produz felicidade, "o objetivo e função de nossa existência". A felicidade pode ser definida, pelo menos em parte, como o fruto da capacidade e do desejo de sacrificar o que queremos agora em função do que queremos futuramente.