Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes
Em Busca da Terceira Alternativa
Para termos uma idéia melhor de como nosso nível de comunicação afeta a eficácia interdependente, pensem no seguinte cenário: Chegaram as férias, e o marido deseja levar a família para a beira de um lago, onde podem acampar e pescar. Isso é importante para ele, faz um ano que planeja a viagem. Já reservou um chalé perto do lago e alugou um barco. Seus filhos estão superexcitados com a idéia.
Sua esposa, contudo, quer usar as férias para visitar a mãe doente, a 400
quilômetros de distância. Como não tem chance de vê-la com freqüência, isso é muito importante para ela.
Estas diferenças podem dar origem a uma experiência altamente negativa.
- Os planos já estão feitos. Os meninos estão superanimados. Vamos pescar
- diz o marido.
- Mas eu não sei por quanto tempo ainda mamãe vai estar conosco, e quero ficar um pouco a seu lado - a esposa retruca.
- E esta é a única oportunidade de fazer isso.
- Esperamos o ano inteiro para tirar esta semana de férias. Os meninos vão se sentir péssimos, sentados na sala da casa da avó a semana inteira. Além disso, sua mãe não está tão doente assim. E sua irmã mora a pouco mais de um quilômetro de distância, e cuida bem dela.
- Ela é minha mãe, sabia? Quero ficar um pouco com ela.- Pode ligar para sua mãe todas as noites. E estamos pensando em ficar com ela na época do Natal, lembra?
- Daqui a cinco meses. Nem sabemos se ela ainda vai estar viva no Natal.
Além disso, ela precisa de mim, e quer ficar um pouco comigo.
- Ela está sendo bem-cuidada. Além disso, eu e os meninos também precisamos de você.
- Minha mãe é mais importante do que uma pescaria.
- Seu marido e seus filhos são mais importantes do que sua mãe.
Conforme eles discutem, podem se aproximar de algum tipo de compromisso.
Talvez resolvam tirar férias separados - ele vai pescar com os filhos, ela visita a mãe. E ambos sentem-se culpados e infelizes. Os meninos percebem isso, o que prejudica as férias deles também.
O marido pode ceder aos desejos da esposa, mas vai fazer isso de má vontade. E, consciente ou inconscientemente, ele ajuda a tornar a semana horrível para todos, como previa. A esposa pode ceder ao marido, mas ela vai ficar ressentida e se afastar, preocupada com o possível agravamento do estado de saúde da mãe. Se esta ficar seriamente doente e morrer, o marido nunca vai se perdoar, nem será perdoado pela mulher.
Qualquer que seja a solução de compromisso que encontrem, pode ficar registrada, para os anos futuros, como um momento de insensibilidade, negligência ou decisão sobre prioridades erradas, de ambas as partes. Pode se tornar uma fonte de desentendimentos por anos a fio, talvez até levando à polarização da família.
Muitos casamentos que eram belos, carinhosos, suaves e espontâneos se
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deterioraram até chegar à hostilidade, por causa de uma série de incidentes deste tipo.
O marido e a esposa vêem a situação de modo diferente. E esta diferença pode polarizar os dois, separá-los, criar barreiras para o relacionamento. Ou então pode aproximá-los, em um nível mais elevado. Se eles cultivarem os hábitos da interdependência eficaz, eles abordam as diferenças a partir de um paradigma inteiramente diferente. Sua comunicação se dá em um nível superior.
Uma vez que possuem uma Conta Bancária Emocional, eles contam com a confiança e a comunicação tranqüila em seu casamento. Como pensam em Vencer/Vencer, acreditam em uma terceira alternativa, uma solução que seja mutuamente benéfica e melhor do que as propostas originais de cada um. Como eles ouvem com empatia, e procuram primeiro entender, criam dentro de si e entre eles um quadro abrangente de valores e preocupações que precisam ser levadas em conta na hora de tomar uma decisão.
E a combinação destes ingredientes - a Conta Bancária Emocional alta, o pensamento em Vencer/Vencer, a procura da compreensão em primeiro lugar - cria o ambiente ideal para a sinergia.
O budismo chama isso de "o caminho do meio". Meio, neste sentido, não significa compromisso. Significa algo mais alto, como o ápice de um triângulo.
Procurar o "meio", em um sentido mais elevado, leva tanto o marido quanto a esposa, neste caso, a perceber que o seu amor, seu relacionamento, faz parte de sua sinergia.
Conforme eles se comunicam, o marido sente profundamente o desejo e a necessidade de sua esposa estar junto à mãe. Ele compreende que ela deseja aliviar o trabalho da irmã, que tem cuidado mais da mãe.
Ele compreende que eles não sabem realmente quanto tempo ela ainda estará com eles, e que certamente isso é mais importante do que ir pescar.
E a esposa compreende profundamente o desejo de seu marido sair com a família toda, e dar a oportunidade para que os filhos se divirtam. Ela recorda o quanto investiram em lições e equipamentos para preparar a expedição de pesca, e reconhece a importância de gerar boas lembranças ao lado deles.
Sendo assim, eles somam seus desejos. Não estão mais em lados opostos do problema. Estão juntos, em um dos lados, olhando para o problema, compreendendo as necessidades, trabalhando para criar uma terceira alternativa que satisfaça a ambos.
- Talvez possamos arranjar algum tempo para visitar sua mãe este mês - ele sugere. - Posso ficar com as responsabilidades da casa durante o final de semana, e arranjar uma empregada por uma semana, de modo que você possa ir. Sei que é importante para você fazer isso.
"Ou talvez possamos encontrar um local para pescar e acampar que seja perto da casa da sua mãe. Talvez não seja um lugar tão bom, mas ainda seria legal, e estaríamos resolvendo o problema. Evitaria também que os meninos ficassem trancados dentro de casa. Talvez até possamos planejar atividades recreativas com os primos, tios e tias, o que seria um benefício adicional”.
Eles estão sinergizando. Comunicando-se um com o outro, até encontrar uma solução que satisfaça aos dois. É melhor do que adotar qualquer uma das soluções propostas originalmente por eles. Melhor do que o compromisso. Trata-se de uma solução sinérgica que aumenta P e CP. Em vez de ser uma transação, é uma transformação. Eles conseguem o que os dois pretendem, e melhoram o relacionamento no decorrer do processo.
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Sinergia Negativa
Buscar uma terceira alternativa é uma mudança de paradigma importante, representa o abandono da mentalidade do ou você ou eu. Mas veja a diferença nos resultados!
Quanta energia negativa se despende normalmente quando as pessoas tentam resolver seus problemas ou tomar decisões em uma realidade interdependente? Quanto tempo se perde em apontar os pecados alheios, em politicagem, rivalidades, conflitos interpessoais, medidas preventivas de proteção, maquinações e adivinhações? Equivale a tentar dirigir em uma estrada com um pé no acelerador e outro no freio!
Em vez de tirar o pé do freio, a maior parte das pessoas pisa mais fundo no acelerador Tentam aplicar mais pressão, mais eloqüência, mais informações lógicas para reforçar sua posição.
O problema é que pessoas altamente dependentes estão querendo obter sucesso em uma realidade interdependente. Ou elas são dependentes da força obtida em uma posição de poder, e adotam uma postura do tipo Vencer/Vencer.
Elas podem usar verbalmente as técnicas de Vencer/Vencer, mas não querem, no fundo, escutar os outros. Só querem manipular. E a sinergia não floresce neste ambiente.
As pessoas inseguras acreditam que toda a realidade pode ser entendida a partir de seus paradigmas. Elas têm uma imensa necessidade de transformarem os outros em clones, de moldá-los para que adotem sua maneira de pensar. Elas não se dão conta de que a verdadeira força do relacionamento é ter um outro ponto de vista. Ser igual não significa proximidade. A proximidade, ou unidade é a capacidade de complementar, não de tornar o outro igual. Isso é pouco criativo... e cansa.
A essência da sinergia é valorizar a diferença.
Hoje em dia acredito que a chave para a sinergia interpessoal está na sinergia intrapessoal, ou seja, na sinergia existente dentro de nós.
O centro da sinergia intrapessoal encontra-se nos princípios dos três primeiros hábitos, que dão a segurança interna suficiente para lidar com os riscos de ser aberto e vulnerável. Ao interiorizar estes princípios, desenvolvemos a mentalidade da abundância de Vencer/Vencer, e a autenticidade do Hábito 5.
Um dos resultados práticos de adotar o centro nos princípios é que nos tornamos inteiros - verdadeiramente integrados. As pessoas acostumadas profundamente com o pensamento lógico, verbal, do cérebro esquerdo, descobrem o quanto é inadequado este tipo de pensamento para a solução de problemas que exigem uma grande dose de criatividade. Elas tomam consciência e começam a criar um novo modelo dentro de seu cérebro direito. Não que o cérebro direito estivesse ausente, encontrava-se apenas adormecido. Seus músculos não haviam sido desenvolvidos, ou quem sabe se atrofiaram depois da infância, por causa da ênfase no cérebro esquerdo da educação formal e do meio social.
Quando uma pessoa tem acesso tanto ao cérebro direito, intuitivo, criativo e visual, quanto ao esquerdo, analítico, lógico e verbal, aí sim o cérebro inteiro está trabalhando. Em outras palavras, a sinergia psíquica está acontecendo dentro de sua cabeça. E este instrumento está mais de acordo com a realidade da vida, porque não é só lógico - também é emocional.
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Certo dia eu estava apresentando um seminário intitulado "Administração com o Direito, Liderança com o Esquerdo" para uma empresa de Orlando, na Flórida.
Durante o intervalo o presidente da companhia aproximou-se de mim e falou:
- Stephen, isso é intrigante. Mas andei pensando a respeito deste material, e aplicando os conceitos mais em meu casamento do que nos negócios. Minha mulher e eu temos um problema sério de comunicação. Gostaria que almoçasse conosco e visse o modo como conversamos.
- Vamos fazer isso - falei.
Sentamos os três para almoçar, falamos sobre amenidades um pouco.
Depois ele se dirigiu à esposa, dizendo:
- Bem, querida, convidei Stephen para almoçar conosco e ver se ele pode dar uma ajuda para melhorar nossa comunicação. Sei que você acha que eu deveria ser um marido mais sensível, compreensivo. Você poderia dizer algo específico que gostaria que eu fizesse? Seu cérebro esquerdo dominante queria fatos, cifras, dados específicos, exemplos.
- Bem, como eu já disse antes, não é nada específico. Tem mais a ver com as prioridades, de um modo genérico. - Seu cérebro direito dominante estava lidando com a sensibilidade e a gestalt, o todo, a relação entre o todo e as partes.
- O que você quer dizer com "prioridades de um modo genérico?” O que quer que eu faça? Fale algo específico, para que eu possa mudar.
- Bem, é só um sentimento. - O cérebro direito dela estava lidando com imagens, sentimentos e intuições. - Creio que o casamento não é tão importante para você quanto diz.
- Sei. E o que posso fazer para torná-lo mais importante? Diga algo específico e concreto, para que eu possa agir.- É difícil colocar isso em palavras.
A essa altura, ele simplesmente virou os olhos para cima e olhou para mim, como se dissesse:
- Stephen, você agüentaria este tipo de idiotice em seu casamento?
- É só um sentimento - ela falou. - Um sentimento muito forte.
- Querida - ele disse -, este é o seu problema. Sua mãe tem o mesmo problema. Na verdade, é um problema de todas as mulheres que conheço.
Depois ele começou a interrogá-la como se fosse uma espécie de transação entre advogados.
- Você mora onde quer morar?
- Não é nada disso - ela suspirou. - Não tem nada a ver com isso.
- Eu sei - ele disse com paciência forçada. - Mas como você não me diz exatamente o que é, acho que a melhor maneira de descobrir o que a incomoda é eliminar o resto. Você mora onde quer morar?
- Acho que sim.
- Querida, Stephen, vai ficar aqui apenas alguns minutos, e está tentando nos ajudar. Dê uma resposta objetiva, um simples "sim" ou "não". Você mora onde quer morar?
- Sim.
- Certo. Isso está resolvido. Você tem tudo que deseja?
- Sim.
- Ótimo. Faz as coisas que tem vontade de fazer?
Isso prosseguiu por algum tempo ainda, e pude ver que não estava ajudando em nada. De forma que interrompi e disse:
- É assim que vocês se relacionam?
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- Todos os dias - ele retrucou.
- É a história do nosso casamento - ela disse suspirando.
Olhei para os dois e um pensamento me passou pela cabeça. Eles eram como duas pessoas só com meio cérebro vivendo juntas.
- Vocês têm filhos? - perguntei.
- Sim, dois.
- É mesmo? - comentei, incrédulo. - Como conseguiram?
- O que quer dizer, como conseguimos?
- Vocês foram sinérgicos! - exclamei. - Um mais um normalmente dá dois.
Mas vocês fizeram com que um mais um desse quatro. Bem, isso ê sinergia. O todo é maior do que a soma das partes. Então, como vocês conseguiram?
- Você sabe muito bem como conseguimos - ele retrucou.
- Vocês devem ter valorizado as diferenças! - falei.