Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

Stephen R. Covey · Capítulo 2 de 99

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Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes

Primeira Parte

PARADIGMAS E PRINCÍPIOS

DE DENTRO PARA FORA

“Não existe, neste mundo todo, uma superioridade real que possa ser separada da vida correta”.

DAVID STARR JORDAN

Depois de mais de 25 anos trabalhando com pessoas em empresas, universidades e ambientes conjugais e familiares, estive em contato com diversos indivíduos que atingiram uma posição social de sucesso invejável, mas se encontravam em conflito, sentindo uma profunda necessidade de conquistar mais coerência e eficácia pessoal, bem como relacionamentos mais satisfatórios com os outros.

Suponho que muito dos problemas que foram discutidos comigo lhe sejam familiares:

# Defini e atingi meus objetivos profissionais e desfruto de um tremendo sucesso em minha carreira. Mas isso me custou a vida pessoal e familiar. Parece que eu não conheço mais minha mulher e filhos. Nem mesmo sei mais se conheço a mim mesmo, ou se sei o que realmente importa para mim. Fico me perguntando: Valeu a pena?

# Comecei um novo regime - o quinto só neste ano. Sei que estou gordo, e desejo sinceramente mudar isso. Estudei todas as informações novas, estabeleci metas e assumi uma atitude mental positiva, dizendo "eu posso conseguir". Mas não consegui. Depois de algumas semanas, eu relaxei. Pelo jeito sou incapaz de manter uma promessa feita a mim mesmo.

#Fiz vários cursos para aumentar a eficácia dos meus métodos de treinamento de pessoal. Eu espero um bocado de meus funcionários, e faço o possível para ser cordial e justo com todos. Mas não percebo nenhuma lealdade da parte deles. Se eu ficasse em casa um dia, doente, acho que passariam todo o tempo batendo papo e tomando café. Por que não consigo treiná-los para que sejam independentes e responsáveis - nem encontrar outros que o sejam?

#Meu filho adolescente rebelde toma drogas. Por mais que eu tente, ele não me dá ouvidos. O que posso fazer?

#Tenho tanta coisa para fazer. Nunca dá tempo. Eu me sinto pressionado e tenso o dia inteiro, sete dias por semana. Compareci a seminários sobre organização do tempo e tentei meia dúzia de sistemas de planejamento diferentes.

Eles ajudaram um pouco, mas ainda assim eu percebo que não estou levando a vida feliz, produtiva e pacífica que pretendia.

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#Gostaria de ensinar a meus filhos o valor do trabalho. Mas sou obrigado a supervisionar cada movimento, se quiser que eles façam alguma coisa...e agüentar reclamações o tempo todo. Acabo fazendo tudo sozinho, é mais fácil. Por que as crianças não conseguem fazer suas tarefas com alegria, sem serem forçadas?

#Vivo ocupado. Muito ocupado. Mas de vez em quando penso se minhas atividades atuais farão alguma diferença a longo prazo. Gostaria muito de pensar que minha vida tem algum sentido, que as coisas são de certo modo diferentes, por causa da minha presença.

#Quando meus parentes e amigos conseguem um certo sucesso ou reconhecimento, eu os congratulo com entusiasmo. Mas no fundo fico remoendo o despeito. Por que me sinto assim?

#Tenho uma personalidade forte. Sei que em praticamente todas as interações posso controlar o desfecho. Na maior parte do tempo consigo até influenciar as pessoas para que apresentem a solução que eu desejo. Reflito sobre a situação, e realmente sinto que as idéias que me ocorrem são as melhores para todos. Mas fico constrangido. Sempre imagino o que os outros acham de mim e de minhas idéias.

#Meu casamento empacou. A gente não briga nem discute. Simplesmente não nos amamos mais. Fizemos terapia de casal. Tentamos inúmeras outras coisas, mas não conseguimos mais ressuscitar os sentimentos antigos.

Estes são problemas sérios, dolorosos - problemas que não pode ser resolvidos por paliativos imediatos.

Minha esposa Sandra e eu há alguns anos, enfrentamos este tipo de situação. Um de nossos filhos passava por um período difícil na escola.

Ia mal nos estudos, não sabia nem mesmo seguir as instruções para fazer uma prova, como poderia ir bem nela? Socialmente era imaturo, com freqüência criando constrangimentos para a família.

Nos esportes, era fraco - pequeno, magro e sem coordenação -, por exemplo, dava tacada, no beisebol, antes mesmo de a bola ser jogada. Os outros riam dele.

Sandra e eu vivíamos atormentados pela vontade de ajudá-lo. Pensávamos que o "sucesso" era importante em todos os setores da vida, principalmente em nosso papel de progenitores. De forma que nos dedicamos a melhorar nossas atitudes e comportamentos em relação a ele, estimulando-o a fazer o mesmo.

Tentamos estimulá-lo através de uma postura mental positiva:

- Vamos lá, filho! Você vai conseguir! Sei que vai. Ponha as mãos um pouco mais para cima, no taco, e mantenha os olhos fixos na bola.Não bata antes de ela chegar perto.

Se ele conseguia melhorar um pouco, procurávamos valorizar isso ao máximo:

- Parabéns, filho. Continue tentando.

Quando as outras pessoas riam, nós reagíamos:

- Deixem o menino em paz. Parem de amolar. Ele está aprendendo.

Mas nosso filho chorava, teimava, dizia que nunca aprenderia e que não gostava mesmo de beisebol.

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Nenhuma das nossas atitudes funcionava, pelo jeito. Estávamos muito preocupados. O efeito geral da situação em seu amor-próprio era patente. Tentamos estimular, ajudar, encorajar, mas, depois de repetidos fracassos paramos e procuramos analisar o problema em outro nível.

Nesta época, em minhas atividades profissionais, eu estava lidando com o desenvolvimento de lideranças para vários clientes por todo país.

Em função disso, preparava programas bimestrais sobre comunicação e percepção para os participantes do Programa de Desenvolvimento para Executivos da IBM.

Enquanto pesquisava e preparava este material, interessei-me especialmente pelo modo como a percepção se forma e como ela determina a maneira como vemos as coisas, e, portanto nosso comportamento, conseqüência do modo como observamos o mundo. Isso me levou ao estudo da teoria da expectativa e das profecias auto-realizadas, ou seja, do "efeito Pigmalião", o que comprovou o quanto nossa percepção se encontra profundamente arraigada. Aprendi que precisamos olhar para as lentes que usamos para ver o mundo, bem como para o mundo propriamente dito, e que estas lentes influenciam nossa interpretação do que vemos.

Depois que Sandra e eu conversamos sobre os conceitos que eu estava ensinando na IBM e sobre nossa própria situação, começamos a perceber que as coisas que estávamos fazendo para ajudar nosso filho não se harmonizavam com a maneira como realmente o víamos.

Quando examinamos honestamente nossos sentimentos mais profundos, demos conta de que nossa percepção da situação nos levava a crer que ele era basicamente incapaz, de certo modo "atrasado". Por mais que insistíssemos em atitudes e comportamentos, nossos esforços eram ineficazes.

Apesar de nossas ações e palavras, a mensagem real que emitíamos era:

"Você é um incapaz. Precisa ser protegido".

Começamos a perceber que precisávamos primeiro mudar a nós mesmos, se quiséssemos alterar a situação. E, para mudar efetivamente nosso modo de ser, precisávamos primeiro alterar nossa percepção.

A Ética da Personalidade e a Ética do Caráter

Na mesma época, além de estudar a percepção, eu também estava profundamente envolvido em um estudo abrangente da literatura sobre sucesso publicada nos Estados Unidos desde 1776. Estava lendo ou conferindo literalmente centenas de livros, artigos e ensaios sobre temas como auto-estímulo, psicologia popular e motivação própria. Ao alcance de minha mão encontrava-se a essência e o conjunto daquilo que um povo livre e democrático considerava a chave para uma vida bem sucedida.

Conforme meu estudo conduzia ao passado, através de duzentos anos de escritos sobre o sucesso, eu notei que um padrão surpreendente emergia do conteúdo desta literatura. Em função de minhas dificuldades, e em função de dificuldades similares de muitas pessoas com as quais eu havia trabalhado por muitos anos, comecei a sentir mais e mais que grande parte da literatura de motivação e sucesso dos últimos cinqüenta anos era superficial.

Estava repleta de consciência das aparências sociais, técnicas e soluções rápidas – band aids e aspirinas sociais que serviam para os problemas agudos e que de vez em quando até davam a impressão de resolvê-los temporariamente, mas

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que deixavam intocados os problemas crônicos. Estes reapareciam e voltavam periodicamente.

Em um contraste marcante, a literatura dos primeiros 150 anos, mais ou menos, era focalizada no que se poderia chamar de Ética do Caráter, considerada a base do sucesso - coisas como a integridade, humildade, fidelidade, persistência, coragem, justiça, paciência, diligência, modéstia e a regra do ouro (fazer aos outros o que desejamos que nos façam).

A biografia de Benjamin Franklin é representativa desta literatura. Trata, basicamente, do esforço de um homem para interiorizar certos princípios e hábitos.

A Ética do Caráter ensina que existem princípios básicos para uma vida proveitosa, e que as pessoas só podem conquistar o verdadeiro sucesso e a felicidade duradoura quando aprendem a integrar estes princípios a seu caráter básico.

Pouco depois da Primeira Guerra Mundial, a visão básica do sucesso deslocou-se da Ética do Caráter para o que se poderia chamar de Ética da Personalidade.

O sucesso tornou-se mais uma decorrência da personalidade, da imagem pública, atitudes e comportamentos, habilidade e técnicas que lubrificam o processo de interação humana.

Esta Ética da Personalidade trilha dois caminhos básicos: um deles é o das técnicas nas relações públicas e humanas e o outro uma atitude mental positiva (AMP). Parte desta filosofia se exprime através de máximas por vezes válidas, como

"Sua atitude determina sua altitude", "Sorrisos conquistam mais amigos do que caras feias" e "A mente humana pode conquistar qualquer coisa que consiga conceber e acreditar".

Outras práticas da abordagem personalista eram claramente manipuladoras, quase enganosas, encorajando as pessoas a utilizar técnicas que levassem os outros a gostar delas, ou a fingir interesse pelos hobbies alheios para arrancar o que pretendiam, ou a usar o "poder do olhar" ou a intimidação para abrir caminho no mundo.

Parte desta literatura reconhece no caráter um dos ingredientes para o sucesso, mas tende a compartimentá-lo, em vez de reconhecer sua condição básica e catalítica.

As referências à Ética do Caráter passaram a surgir apenas como enfeite, o que importava era a técnica de influência imediata, a estratégia do poder, a habilidade na comunicação e a atitude positiva.

A Ética da Personalidade, pelo que comecei a perceber, era a fonte subconsciente das soluções que Sandra e eu buscávamos para nosso filho.

Conforme eu refletia sobre as profundas diferenças entre as Éticas da Personalidade e do Caráter, mais compreendia que Sandra e eu estávamos projetando nossas expectativas quanto ao comportamento de nossos filhos, e, a nosso ver, um deles estava abaixo do esperado. A imagem que fazíamos de nós, enquanto pais bons e dedicados, eram mais fortes do que a imagem de nosso filho, e talvez a influenciasse. Havia muito mais coisas além da preocupação com o bem-estar de nosso filho na maneira de vermos e lidarmos com o problema.

Sandra e eu conversamos muito. Conscientizamo-nos penosamente da influência poderosa de nossa personalidade e motivação, bem como da idéia que tínhamos de nosso filho. Sabíamos que valores sociais baseados na comparação estavam em desarmonia com nossas crenças mais profundas, podendo conduzir ao amor condicional, e finalmente à diminuição do amor-próprio de nosso filho.

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Sendo assim, resolvemos concentrar os esforços em nós mesmos -mas não nas técnicas utilizadas, e sim nas motivações mais profundas e na maneira como o víamos.

Em vez de tentar modificá-lo, tentamos ficar de fora, entendendo a diferença entre ele e nós, e procurando reconhecer a identidade, individualidade, autonomia e valor de nosso filho.

Através da reflexão profunda e dos recursos proporcionados pela fé e pela oração, começamos a ver nosso filho como um ser humano único, distinto. Notamos nele um potencial imenso, em diversos setores, que poderia se manifestar de acordo com seu próprio ritmo e velocidade.

Decidimos relaxar e abrir caminho para a manifestação da personalidade dele. Descobrimos que nosso papel natural seria colaborar para a afirmação, felicidade e valorização de nosso filho. Também trabalhamos, conscientemente, com nossas ações e fontes interiores de segurança, de forma que nosso sentido de valor não dependesse do comportamento "aceitável" de um filho.

Um novo sentimento começou a surgir, conforme nos libertamos da antiga imagem que tínhamos de nosso filho e aprimoramos a motivação baseada em valores. De repente, simplesmente apreciávamos sua companhia, em vez de estar sempre julgando ou comparando suas atitudes. Paramos de tentar torná-lo uma cópia de nós e de medi-lo conforme nossas expectativas sociais.

Deixamos de manipulá-lo com educação e gentilezas, de forma encorajadora, em direção a um modelo social aceitável. Como o considerávamos uma pessoa fundamentalmente adequada e capaz de enfrentar a vida, paramos de protegê-lo contra as humilhações dos outros.

Ele havia sido criado com essa proteção, de forma que atravessou períodos de crise, quando ela foi retirada. Ele manifestou suas dificuldades, e nós as compreendemos, mas não mudamos nosso comportamento.

"Não é preciso protegê-lo, você pode se defender sozinho”. Era este o recado não verbalizado.

As semanas e meses transcorreram, e ele começou a demonstrar mais confiança em si mesmo, a se afirmar. Desabrochou, em seu próprio ritmo e velocidade. Tornou-se admirável, de acordo com os critérios socialmente aceitos -

acadêmica, social e atleticamente -, em um passo rápido, bem mais veloz do que o que se considerava um processo natural de desenvolvimento. Nos anos seguintes, ele foi eleito para diversos cargos de liderança na comunidade estudantil, tornou-se um atleta conhecido no Estado e passou a trazer para casa notas altas. Revelou uma personalidade cativante e honesta, que permitiu seu relacionamento pacífico com todo tipo de pessoas.

Sandra e eu acreditamos que as conquistas de nosso filho, "socialmente admiráveis", eram muito mais uma expressão genuína da noção que ele fazia de si mesmo do que uma mera resposta às possibilidades de recompensas sociais.

Esta foi uma experiência excepcional para Sandra e eu, muito instrutiva para a educação dos filhos e em outras áreas também.

Ela promoveu a conscientização, a nível pessoal, das diferenças vitais entre as Éticas da Personalidade e do Caráter em relação ao sucesso. Um provérbio expressa bem esta nossa convicção: "Explore seu próprio coração, com toda a diligência, pois dele sairão as respostas da vida".

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